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SÃO PAULO – Seis em cada dez postos de combustível da capital paulista podem vender gasolina adulterada. Essa afirmação pode ser feita com base nos dados de preço da Agência Nacional de Petróleo, divulgados nesta segunda-feira (05), levando em consideração declarações dadas recentemente à InfoMoney pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro).
Conforme o presidente da entidade, José Alberto Paiva Gouveia, para ser considerado “seguro”, o preço do litro deve estar a, pelo menos, R$ 2,41. E dos cerca de 640 postos pesquisados semanalmente pela agência, mais de 430 empregavam valores inferiores no período encerrado em no dia 3 deste mês.
Entenda o cálculo
Antes de qualquer coisa, é preciso entender qual o cálculo feito pelo Sincopetro para se chegar a esse valor. Na cobrança final, ao consumidor, estão embutidos os custos e o lucro da distribuidora e dos próprios comércios.
“A gasolina hoje, sem lucro nem nada, chega da distribuidora ao posto por R$ 2,02”, explicou Gouveia. Segundo ele, R$ 0,12 é a média de ganho de quem fornece o produto. Portanto, o litro chega ao posto valendo R$ 2,14.
A revendedora, por sua vez, precisa de R$ 0,27 de ganho sobre a mesma quantidade para conseguir arcar com suas despesas básicas e ainda obter lucro. “Com isso o preço na bomba, para ser seguro, deve ficar em cerca de R$ 2,41 a R$ 2,45″, adicionou o sindicalista.
Os preços na cidade variam de R$ 2,150 a R$ 2,799. A localização interfere bastante no preço final do produto, porque, por exemplo, em uma região mais valorizada o aluguel do espaço tende a ser maior – o que gera um aumento dos custos operacionais do posto.
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Prejuízo
O melhor meio de se proteger, portanto, é pesquisar. Vale lembrar que uma economia imediata pode acabar em prejuízo – e muita dor de cabeça – no longo prazo.
Segundo um dos coordenadores técnicos da Escola Senai Conde José Vicente de Azevedo, Mauro Alves, o combustível adulterado causa danos que podem requerer desde um serviço leve de limpeza do motor (que dificilmente é encontrado por menos de R$ 300) à sua retífica geral que, dependendo do modelo, pode sair por até R$ 5 mil.
Além disso, antes de ter de efetuar reparos no veículo, o motorista sofre com outro problema: o combustível adulterado normalmente gera uma perda no desempenho do motor, o que faz com que seja necessário mais energia para fazer a engrenagem funcionar. Resultado: mais consumo.
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Apesar de frisar que não existe um estudo oficial sobre isso, essa queima incompleta pode gerar uma perda de 10% a 20% da capacidade do combustível.
Sintomas
Fique atento ao seu veículo. Quando o combustível utilizado é adulterado, o desempenho do carro cai e dá sinais de que é melhor trocar de posto. Veja alguns sintomas:
- motor falhando;
- perda de potência;
- partidas “engasgadas”;
- aceleração lenta;
- o veículo “morre” com freqüência.
Bandeira branca x marca
Um ponto que causa dúvida aos consumidores é a diferença entre os postos que vendem gasolina bandeira branca (sem marca) e os de marcas conhecidas. O dono do carro deve desconfiar quando não sabe a procedência do combústivel?
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De acordo com Gouveia, as coisas não funcionam bem dessa maneira. “Não existe problema no bandeira branca. O que nós não queremos são ‘vinagreiros’ que vendam a gasolina a um preço extremamente competitivo, mas sem a melhor qualidade, e que ainda prejudique o consumidor”, explicou.
Em outras palavras, o risco que se corre não é o de comprar um combustível sem marca, mas sim, um que tenha um preço “desconfiável”.
Segundo a ANP, dos cerca de 640 postos pesquisados, 400 deles compram combustível sem marca.