Segunda fase do UniversalizaSP pode alcançar R$ 100 bi; Sabesp é a favorita

Programa de concessões regionalizadas abre caminho para expansão inorgânica da Sabesp em 146 municípios; Morgan Stanley e Itaú BBA veem companhia como favorita

Victória Anhesini

Ativos mencionados na matéria

Foto: Agência SP
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O Governo do Estado de São Paulo formalizou a segunda etapa do programa UniversalizaSP na última segunda-feira (27), divulgando as diretrizes para a licitação de áreas que hoje não são atendidas pela Sabesp (SBSP3). 

Essa fase traz um novo ciclo de investimentos, que visa universalizar os serviços de água e esgoto em municípios que ficaram de fora do contrato principal da companhia. Analistas do mercado financeiro afirmam que o anúncio é como um “catalisador” para as ações da Sabesp.

Em relatório, os analistas do Morgan Stanley reforçam que, ainda que preliminar, o projeto representa uma “oportunidade de crescimento inorgânico clara e potencialmente relevante” para a empresa, que já detém expertise regulatória e proximidade geográfica com as áreas licitadas.

“O lançamento confirma a intenção do Estado de avançar com o UniversalizaSP e fornece visibilidade inicial sobre a escala do programa, a estrutura de concessão e o arcabouço regulatório”, afirmam os analistas do Morgan Stanley.

“Este programa pode representar uma oportunidade significativa de alocação de capital para a Sabesp, já que a empresa é, de longe, o player mais competitivo para este leilão”, diz o relatório do BBA.

A consulta pública seguirá aberta até 28 de maio de 2026. Analistas esperam que o edital final terá a configuração definitiva dos blocos e o detalhamento do Capex de drenagem, sendo publicado no terceiro trimestre, com o leilão previsto para o final do ano. 

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Mesmo com a forte valorização recente das ações (alta de 61% em 12 meses), o Morgan Stanley mantém recomendação de compra. O banco justifica o otimismo pelo “momento positivo em meio a fluxos externos para mercados emergentes e crescente interesse de investidores”.

Detalhes do Capex

Um dos pontos centrais da consulta pública é a inclusão de investimentos em drenagem urbana, um escopo adicional aos serviços de saneamento básico. 

O Itaú BBA destaca que o número final de blocos e os montantes de investimento dependem dos arranjos feitos após a audiência pública, mas que “discussões recentes com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Governo de São Paulo (SEMIL) sugerem que o Capex e Opex totais para esta etapa podem chegar a R$ 100 bilhões, abrangendo 146 municípios”, segundo o relatório.  

O programa estima, nesta fase, cerca de R$ 17,4 bilhões em aportes para atingir a universalização até 2033, valor que pode saltar para R$ 37,4 bilhões até 2060 em termos reais. 

Analistas do Morgan Stanley observam que esses números iniciais podem ser conservadores. “Investimentos adicionais, particularmente relacionados à drenagem, ainda podem representar um potencial de alta”, afirma o texto, ressaltando que o detalhamento desses custos virá apenas no edital final.

Regras de universalização

O modelo de contrato proposto traz mecanismos firmes para garantir o cumprimento das metas. O licitante vencedor terá que atingir a universalização até dezembro de 2033, e caso não consiga seguir as metas definidas, “qualquer distribuição de dividendos será suspensa”, diz o relatório do Itaú BBA.

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Os analistas explicam que para garantir a qualidade e a cobertura, o governo introduziu os Fatores U (Universalização), Q (Qualidade) e P (Perdas de Água). O Fator U pode penalizar a tarifa em até 10% em caso de descumprimento de metas, enquanto o Fator P funcionará como um bônus ou penalidade de eficiência. Segundo o Itaú BBA, esse arcabouço “alinha a meta de universalização com o prazo legislativo atual”, e é amplamente semelhante ao modelo regulatório já aplicado à Sabesp em sua privatização.

O Morgan Stanley reforça que, apesar das exigências, a tese de investimento na Sabesp permanece sólida por ser de baixo risco e contar com “catalisadores de curto prazo assimétricos para cima”.

Blocos

O estado divulgou uma lista de 146 municípios que aderiram ao programa, incluindo cidades de relevância como Piracicaba, São José do Rio Preto e Indaiatuba. Como esperado pelo mercado, Campinas não foi incluída nesta etapa. 

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Os municípios serão agrupados em blocos regionais baseados em infraestrutura compartilhada, embora a configuração final desses grupos ainda esteja indefinida.

O governo deve agrupar essas localidades em blocos regionais por proximidade geográfica. O critério de vitória será o maior bônus de outorga, com previsão de etapa de viva-voz se as ofertas forem próximas. 

O novo operador também terá garantias contra riscos de execução não gerenciáveis, como atrasos em licenças locais. “Riscos relacionados à aprovação tardia de licenças locais são considerados pela agência reguladora como riscos não gerenciáveis e não impactam o equilíbrio econômico”, detalha o Itaú BBA.

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InstituiçãoClassificaçãoPreço-Alvo
Morgan StanleyCompraR$ 161,74
Itaú BBACompraR$ 154,48

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