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SÃO PAULO – Surpreendendo negativamente o mercado, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístiva) divulgou, na manhã desta segunda-feira, o resultado da Pesquisa Mensal da Indústria – Produção Física, apurando uma forte queda de 4,2% da produção industrial em abril, na comparação com o mesmo período de 2002.
Tal queda, além de ficar bastante acima do recuo de 1,5% esperado pelo mercado nesta mesma comparação, representa a primeira taxa negativa desde junho do ano passado para a comparação anual. Na comparação mensal, a produção industrial registrou recuo de 0,1% frente ao patamar registrado em março, na série livre de influências sazonais.
Bens de consumo duráveis lideram queda anualizada
A forte queda da produção industrial registrada em abril de 2003 na comparação com o mesmo período do ano anterior é influenciada, segundo o IBGE, pelo menor número de dias úteis no último mês de abril. Entretanto, deve-se considerar, também, as mudanças de conjunturas, como a elevação da taxa Selic no período, por exemplo.
Dentre os 20 ramos industriais pesquisados pelo IBGE, o segmento de Bens de Consumo Duráveis liderou as quedas, registrando uma expressiva retração de 13,6% no resultado anualizado de abril. A segunda maior queda, por sua vez, ficou com o segmento de Bens de Consumo Semi e Não Duráveis, com retração de 10,6% na comparação entre os meses de abril de 2003 e abril de 2002.
Neste sentido, a queda verificada pelo segmento de bens de consumo semi e não duráveis é a maior desde o mês de agosto de 1992, quando a baixa da produção do segmento chegou a 12,0% no resultado anualizado. No resultado de abril deste ano, o subsetor “Confecções e Calçados” pressionou a queda do segmento, com recuo da produção da ordem de 24,6%.
Em relação ao segmento de bens de consumo duráveis, a queda anual foi influenciada, basicamente, pelo subsetor de automóveis, que registrou recuo de 18,2% em comparação com abril de 2002, e pelo subsetor de eletrodomésticos, com queda de 14,9% na comparação anual. É interessante ressaltar, entretanto, que o desempenho mensal do segmento de bens de consumo foi bastante positivo, registrando, assim, uma elevação de 12,0% na comparação com março de 2003.
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Atividade industrial segue desaquecida
O comportamento retracionista da indústria brasileira nos últimos meses pode ser confirmado pela trajetória decrescente das médias móveis trimestrais. Dessa maneira, a produção média do trimestre encerrado em abril de 2003 foi 0,7% inferior à produção média trimestral de março.
Todas as categorias analisadas apresentaram o movimento de queda nas médias móveis, sendo que o recuo foi mais expressivo para o segmento de bens de consumo duráveis, com baixa de 3,2% na comparação trimestral. As médias móveis encontram-se em trajetória decrescente desde o trimestre terminado em dezembro de 2002.