Bônus de subscrição

Se você aposta no futuro da empresa, essa pode ser a melhor opção

Papéis garantem ao acionista o direito de adquirir ações por aumento de capital no futuro, a preços determinados no presente

Por  Camila Schoti -

SÃO PAULO – Algumas empresas com ações listadas em Bolsa oferecem alternativas para os investidores que apostam no futuro de seus negócios, além dos já conhecidos mercados a vista, a termo, futuro e de opções. São os bônus de subscrição lançados pelas próprias empresas.

Os bônus de subscrição consistem em obrigações negociáveis emitidas por uma companhia, que conferem ao acionista o direito à subscrição de novas ações desta mesma empresa, ou seja, o direito de aquisição de ações por aumento de capital, com preços e prazo determinados, mas de acordo com o limite do aumento de capital autorizado em seu estatuto.

Compra da ação no futuro, com preço já definido

 

Este tipo de papel pode ser adquirido pelo acionista por um preço unitário, em uma determinada data, e garante ao seu portador o direito de subscrever uma nova ação da empresa que o emitiu dentro de um determinado prazo e por um preço complementar, sendo que este preço pode ser corrigido monetariamente ou não.

Ou seja, o portador poderá comprar uma ação no futuro, a um preço estipulado no presente, e realizará esta operação se acreditar que, no futuro, o preço da ação será maior do que aquele determinado no ato da emissão do bônus de subscrição.

Vale ressaltar, no entanto, que o portador do bônus que não efetuar a subscrição no período determinado perderá seu direito e não terá restituição do valor que pagou antecipadamente. Desta forma, o bônus permite que o acionista que aposta na empresa tenha a garantia de subscrever ações no futuro, por um preço pré-determinado.

Funcionamento em linha com uma opção

 

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O funcionamento dos bônus de subscrição, também conhecidos pelo termo em inglês warrant, é similar ao de uma opção. Ao comprar um bônus de subscrição, o investidor passa a ter o direito, mas não a obrigação, de comprar um ativo em um momento no futuro a um preço determinado.

A principal diferença é que os bônus de subscrição, em geral, têm um prazo muito mais longo que as opções, o que acaba reduzindo o risco, principalmente para quem investe dentro de uma perspectiva de curto ou médio prazo.

Os bônus de subscrição, em geral, são oferecidos em conjunto com uma oferta de ações ou aumento de capital, visando aumentar a atratividade da oferta. Dependendo da relação entre a cotação atual e seu preço de exercício, muitas vezes são oferecidos gratuitamente ao investidor que participar da oferta.

Como lucrar com os bônus?

 

De maneira mais prática, pode-se dizer que o detentor dos bônus de subscrição pode auferir ganhos de duas maneiras: através da negociação dos bônus no mercado secundário, ou, caso as ações da empresa provenientes do aumento de capital tenham um valor atual superior àquele predeterminado no ato da aquisição do bônus, efetuando a subscrição.

A primeira maneira é muito similar ao que ocorre quando se compra uma ação no mercado a vista. O bônus de subscrição é negociado como uma ação, com seu preço sendo determinado pelas forças de oferta e demanda do mercado. Assim, se o valor dele no mercado secundário for superior ao seu valor inicial, o investidor aufere ganhos, o que pode ocorrer durante todo o prazo que o bônus estiver sendo negociado.

A segunda forma consiste em simplesmente exercer o direito de subscrição e, caso o preço pré-determinado seja inferior ao preço de subscrição, o detentor do bônus acaba ganhando, já que comprará as ações por um preço inferior e poderá vendê-las ao valor atual. Este forma de ganho só ocorre, porém, no momento do exercício.

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Vantagens e desvantagens

 

A principal vantagem do bônus de subscrição é que ele permite alavancagem, ou seja, da mesma forma que uma opção, os ganhos podem ser muito maiores. A partir de valores relativamente pequenos, o investidor pode aplicar em uma empresa em Bolsa, através de um instrumento com definição transparente de preço e liquidez.

O outro lado da moeda, também em linha com o que acontece com uma opção, é que o valor do bônus pode ser zero na data de exercício, caso o preço da ação no mercado a vista seja inferior ao preço fixado quando da emissão do bônus. Ou seja, o potencial de perda é muito maior do que no caso de uma ação no mercado a vista.

Além do risco de ter seu investimento reduzido a zero, o investidor tem outra desvantagem. Em geral, os bônus de subscrição não oferecem direitos que são comuns no investimento direto em ações, como proventos ou direito a voto, no caso de ações ordinárias.

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