Se tivermos sorte, PIB pode cair 3% este ano

Se Guido Mantega ainda estivesse no Ministério da Fazenda iria espernear contra as estimativas acima assinaladas, como costumava fazer com os jornalistas que não aceitavam suas projeções excessivamente otimistas

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Colunista convidado: Pedro Luiz Rodrigues, jornalista e diplomata aposentado

Em termos de desempenho econômico, 2015 vai ser o pior ano para o Brasil desde 1990, primeiro ano do governo Collor, quando o declínio do PIB foi de 4,35%. Em 2015, as projeções mais recentes – considerando as expectativas nada promissoras para ó último trimestre do ano – estimam que a queda venha a se situar entre 2,8% e 3%.

Outro dado confirma igualmente a gravidade de situação em que nos encontramos: com a queda do PIB em 2015, será a primeira vez desde 1948 (quando se iniciou a série histórica do IBGE) que o País registrará dois anos consecutivos de contratação econômica.

Se Guido Mantega ainda estivesse no Ministério da Fazenda iria espernear contra as estimativas acima assinaladas, como costumava fazer com os jornalistas que não aceitavam suas projeções excessivamente otimistas (e nunca realizadas!).

Sob nova administração, o Ministério da Fazenda é mais cauteloso. Trabalha oficialmente com uma previsão de queda do PIB de “apenas” 1,49%, mas não tem os olhos fechados à realidade circundante.

Os departamentos econômicos do Fundo Monetário e do Banco Mundial estão examinando cuidadosamente os dados mais recentes sobre o desempenho da economia brasileira.

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Já têm em mão, inclusive, a última projeção preparada pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômica, sediada em Paris), que prevê para este ano uma retração da economia brasileira este ano de 2,8%.

O pior, para nós, é que as estimativas da OCDE sobre o nível de atividade da economia brasileira podem estar sendo ainda otimistas, assim como as previsões do mercado financeiro nacional (relatório de mercado do Banco Central, com projeções coletadas em mais de 100 instituições financeiras), que na última segunda-feira estimou a queda do PIB de 2015 para 2,55%.

Os índices de produção, emprego e consumo emitidos por várias fontes não permitem qualquer otimismo a curto prazo. As vendas do comércio estão em queda livre (-6,9%, dados de julho, os últimos disponíveis). As vendas em setores chaves declinaram acentuadamente, em particular veículos e peças (-13%), móveis e eletrodomésticos (-12,8%) e materiais de construção (-7,1%).

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Todos os maus sinais que vêm da economia real, somado sà incapacidade do governo de formar uma base de apoio para avançar com as medidas de ajuste econômico, tornará um declínio de 3% do PIB este ano praticamente inevitável.