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SÃO PAULO – Relegada depois que a crise do mercado imobiliário norte-americano e a restrição na concessão de crédito tornaram-se uma ameaça ao crescimento econômico dos EUA, a inflação poderá chamar a atenção novamente caso o Core PCE Inflation, agendado para esta sexta-feira (21), evidencie riscos ao nível geral de preços do país.
Somam-se à agenda do último dia da semana os dados do Michigan Sentiment de dezembro, indicador que mensura a confiança do consumidor norte-americano. Combinado aos dados de atividade industrial divulgados ao longo da semana, o indicador contribui para a formulação do panorama da atividade econômica dos EUA. Espera-se um leve recuo do indicador em relação a novembro, de 74,5 pontos para 74,3 pontos.
Riscos à economia
O consenso de mercado indica que no mês de novembro a inflação aferida pelo Core PCE Inflation deverá repetir aquela registrada em outubro, de 0,2%. Todavia, uma aceleração da inflação superior às expectativas do mercado pode amenizar as perspectivas daqueles que apostam em novos cortes na Fed Funds Rate.
Isto porque, diante de pressões inflacionárias crescentes, o balanço de riscos pelo qual membros do comitê de mercado aberto do Fed se deparam em suas decisões tende a se alterar. Em sua última reunião, o Fed surpreendeu parte dos analistas ao cortar a Fed Funds Rate em 25 pontos-base, quando estes apostavam em corte mais agressivo, dados os temores de um quadro recessivo.
A despeito das preocupações crescentes com a atividade econômica norte-americana, o Fed parece não ter aberto mão da cautela em relação ao comportamento dos preços, tanto que optou por um corte mais conservador no juro básico, combinado com medidas específicas para restaurar a liquidez nos mercados de crédito sem flexibilizar em demasia a condução da política monetária.
Inflação, ao menos por enquanto, bem comportada
Neste contexto, caso apresente uma tendência de crescimento superior à esperada, a inflação pode impor uma restrição ao Federal Reserve no embate à crise no mercado de crédito e seus desdobramentos sobre a maior economia do planeta.
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Até o mês de outubro, o núcleo do PCE acumulava variação positiva de 1,9% em relação ao mesmo período de 2006, ainda dentro da zona de conforto do Fed, próximo de 2,0%, e dentro de suas projeções para o ano, entre 1,8% e 1,9%. O índice cheio, impulsionado por bens não-duráveis, acumulava alta de 2,9% em doze meses, também dentro das expectativas do Fed.
Mas a despeito do comportamento ainda favorável do núcleo da inflação, tanto o PPI (Producer Price Index) quanto o CPI (Consumer Price Index) de novembro sinalizaram forte aceleração da inflação, e mesmo seus núcleos, que excluem os itens energia e alimentos, também mostraram variação maior nos preços, sugerindo aumento das pressões inflacionárias no país.