IBP vê risco de novo patamar para o petróleo com escalada entre EUA e Irã

Roberto Ardenghy ressalta que o conflito pode colocar o Brasil em evidência como fornecedor seguro da commodity

Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

Uma bomba de petróleo em Cabimas, estado de Zulia, Venezuela (Bloomberg)
Uma bomba de petróleo em Cabimas, estado de Zulia, Venezuela (Bloomberg)

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O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, avalia que o mercado de petróleo pode mudar de patamar caso o conflito entre Estados Unidos e Irã se mantenha ou se aprofunde.

Em entrevista ao InfoMoney, Ardenghy afirmou que, embora seja difícil neste momento estimar em quanto o preço poderia subir no médio e longo prazo, é praticamente certo que os contratos apresentem alta na segunda-feira (2).

“O mercado global de petróleo estava relativamente abastecido e tranquilo para 2026 e 2027”, afirma o presidente do IBP, ressaltando que não havia, até então, sinais de crise de oferta ou de demanda. Essa situação, porém, pode mudar de forma rápida e drástica se o conflito envolver o Estreito de Ormuz, alerta.

Ele lembra que a passagem é o principal canal de exportação de petróleo do mundo, por onde circula cerca de 25% da produção global. A região escoa, por exemplo, o petróleo da Arábia Saudita, além de grandes volumes de gás natural produzidos por Catar e Omã.

Apesar da forte produção iraniana, o impacto direto de eventuais dificuldades de exportação do país recairia sobretudo sobre a Ásia. “China, Índia e Japão seriam diretamente impactados”, afirma o presidente do IBP.

Isso, por outro lado, poderia abrir espaço adicional para o petróleo brasileiro. “O Brasil é um fornecedor confiável de petróleo”, diz Ardenghy, citando a qualidade do óleo do pré-sal, o potencial da Margem Equatorial e a ausência de grandes riscos geopolíticos que ameacem o fornecimento nacional.

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Além do Brasil, a Guiana — que já produz na mesma região geológica hoje avaliada pela Petrobras (PETR3; PETR4) — também tende a ganhar protagonismo no mercado internacional em um cenário de aprofundamento do conflito, avalia o executivo.

Entre os grandes detentores de reservas, a Venezuela ainda não desponta como player capaz de reagir rapidamente. Segundo Ardenghy, a produção do país deve levar vários anos para ganhar escala, devido à infraestrutura defasada, à necessidade de investimentos elevados e à própria natureza do óleo venezuelano, mais pesado, que exige mais da etapa de extração e refino.

Gás natural

O conflito no Oriente Médio também tende a pressionar o mercado de gás natural, combustível abundante na região, especialmente em produtores como Catar, Omã e o próprio Irã. O impacto pode ser ainda maior se as hostilidades se prolongarem, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já sinalizou.

“Nesse cenário, em mercados como Índia e Japão, você pode imaginar uma perda de competitividade dessas duas economias por causa de pressões inflacionárias”, afirma Ardenghy. “Isso só ressalta a importância de o Brasil garantir segurança energética.”