Petróleo

Sauditas cortam preços para Ásia e dão gás à guerra do petróleo

Apesar da guerra de preços ter perdido força, não há razão para pensar que o dilúvio de petróleo barato na Ásia diminuirá no curto prazo

(Bloomberg) — A Arábia Saudita acabou de assinar um dos acordos de produção de petróleo mais notáveis da história, mas há desafios pela frente, pois o reino enfrenta forte concorrência de fornecedores rivais no disputado mercado asiático.

Talvez isso explique por que o líder de fato da Opep reduziu os preços para clientes asiáticos para maio em margens acima do esperado nesta semana. Oito das onze refinarias da região pesquisadas pela Bloomberg aprovaram a ousada estratégia de marketing da Saudi Aramco, enquanto as outras três disseram que esperavam descontos ainda mais altos.

Apesar da guerra de preços ter sido desarmada no fim de semana, não há razão para pensar que o dilúvio de petróleo barato na Ásia diminuirá no curto prazo, já que a pandemia de coronavírus continua a encolher a demanda.

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Variedades como o Ural da Rússia, Mars dos EUA e vários tipos de petróleo bruto de Abu Dhabi foram oferecidas nas últimas semanas aos clientes com datas de entrega flexíveis, pois traders deslocam superpetroleiros cheios de petróleo não vendido em direção à Ásia.

Aos clientes asiáticos, a Aramco reduziu o preço de venda oficial de maio de seu carro-chefe Arab Light em US$ 4,20 por barril em relação ao mês anterior, superando estimativas de um corte de US$ 3,63. Isso mesmo depois de assinar um acordo com outros produtores para reduzir a produção global em cerca de 10% na tentativa de segurar os preços.

Forte concorrência

Só na África Ocidental, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto para abril ainda não foram vendidos, segundo traders que não quiseram ser identificados. Esse volume se soma aos barris não vendidos do carregamento de maio da região, estimados em pelo menos o triplo do mês anterior, disseram.

Além do excesso de oferta, a Aramco e outras petroleiras ainda enfrentam demanda decrescente, principalmente na Índia, que impôs o maior confinamento do mundo. O Iraque disse no início desta semana que enfrentava problemas para comercializar petróleo em meio ao excesso de oferta, preços mais baixos e “recessão” no setor de refino global, segundo descrição do ministro do Petróleo do país.

As refinarias da Ásia precisam decidir nesta semana a quantidade de petróleo que desejam comprar da Aramco. Outros produtores, como Kuwait, Iraque e Abu Dhabi, devem divulgar seus preços oficiais em breve.

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