Santander elogia Copom e lembra que “devagar se vai mais longe”

Decisão técnica do comitê traz ganho de credibilidade; abandonar a austeridade nesta altura seria tolice

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SÃO PAULO – A opção pelo menor ritmo de corte na taxa Selic feita na última quarta-feira (24) pelo Copom (Comitê de Política Monetária) reafirma a independência operacional do Banco Central e traz ganhos no longo prazo para a economia brasileira, afirmou o Santander Banespa em relatório com suas perspectivas para a semana.

A primeira reunião do ano da autoridade monetária, logo em seguida do anúncio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) era emblemática. Rumores de fortes pressões por uma redução de 50 pontos-base no juro básico não faltaram.

Mas, em uma decisão técnica, indo ao encontro da expectativa majoritária do mercado, o Copom colocou em prática uma vontade que já vinha expressando nas minutas das reuniões passadas, lembrou o banco.

Sem aventuras

O temor era de que, sucumbido às supostas pressões por um ritmo mais acelerado de crescimento econômico, a autoridade monetária pudesse abandonar sua política austera, o que não ocorreu.

“Nesses tempos de busca por maior crescimento, sinais de austeridade devem implicar em ganhos no longo prazo”, enfatizam os analistas.

Devagar se vai mais longe

Em adição, o Santander salienta que cortes de 0,25 ponto percentual no juro- mais alinhados à prática internacional – permitirão uma extensão do ciclo de afrouxamento monetário, como o próprio Copom vem ressaltando.

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Sendo assim, a expectativa do banco para a Selic ao final de 2007 continua em 11,25% ao ano, o que indica prêmios ainda bastante atrativos embutidos nos juros futuros.

Um voto de confiança

Em resumo, extrai-se da reunião do último dia 24 que o Banco Central e o governo certamente merecem um voto de confiança nos quesitos de estabilidade monetária e inflação, diz o Santander.

Colocar tudo isso em jogo por algum eventual ganho de curto prazo no crescimento seria tolice. E o presidente Lula parece totalmente ciente disso, concluem os analistas.