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O Santander Brasil (SANB11) foi o primeiro bancão a divulgar seu balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), registrando lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões, um crescimento de 6,0% em relação ao mesmo período do ano anterior, ligeiramente além das expectativas do mercado apesar do que o banco descreveu como “cenário macroeconômico desafiador”. Contudo, analistas questionam a qualidade dos ativos e, na abertura do mercado, as ações SANB11 caíam 2,45%, a R$ 35,06.
Previsões compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$4,03 bilhões para a unidade brasileira do banco espanhol Santander. Em relação ao trimestre anterior, o lucro aumentou 1,9%.
O retorno sobre o patrimônio médio (ROAE) do banco ficou em 17,6% no quarto trimestre, queda de 0,1 ponto percentual em comparação com o quarto trimestre de 2024 e estável em relação ao terceiro trimestre de 2025.
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A carteira de crédito ampliada no período foi de R$708 bilhões, expansão de 3,7% no ano e 2,8% no trimestre, apoiada pela “estratégia de disciplina na alocação de capital com foco nos negócios estratégicos, gestão de risco dos portfólios e rentabilidade”, disse o Santander.
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Na visão do JPMorgan, o lucro operacional do Santander ficou em linha com a expectativa da casa, observando ainda que a baixa alíquota de imposto continua a contribuir para o resultado positivo (2,5% efetivo contra 7% do JPMe) e o lucro antes dos impostos ficou 3% abaixo das suas expectativas.
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Ainda assim, tem uma primeira impressão neutra, visto que ontem houve uma queda de 2,39% do SANB11 na terça, provavelmente antecipando resultados fracos do Brasil no relatório da controladora Santander (queda de 4% no lucro por ação em relação ao trimestre anterior, contra +2% reportado).
“Também observamos que o índice de inadimplência de 90 dias foi 30 pontos-base maior em relação ao trimestre anterior, impulsionado principalmente por pequenas e médias empresas, ou PMEs (+80 pontos-base), com indústrias individuais também apresentando piora de 0,4 ponto percentual”, avalia o JPMorgan. No geral, o índice de inadimplência acima dos 90 dias foi de 3,7%, comparado com 3,2% no ano anterior e 3,4% no terceiro trimestre.
Contudo, nota que isso pode ser parcialmente explicado por menores baixas contábeis neste trimestre (a formação de novos inadimplentes foi, na verdade, um pouco melhor em relação ao trimestre anterior). O saldo renegociado aumentou, mas provavelmente foi impactado por mudanças contábeis. Ainda assim, a inadimplência inicial também piorou +10 bps em relação ao trimestre anterior (impulsionada principalmente por PMEs, que subiram 30 bps).
Assim, tem uma visão mista sobre a qualidade dos ativos, especialmente considerando as expectativas de uma sazonalidade melhor no 4º trimestre. As despesas não relacionadas a juros parecem boas à primeira vista, com uma queda de 2% em relação ao ano anterior, impulsionadas por menores despesas com pessoal, e podem ser um alívio até 2026.
“O Santander tem sido muito vocal sobre sua agenda de melhoria de eficiência – em 2025, a empresa reduziu o número de funcionários em cerca de 6 mil e o número de agências em cerca de 580. Em um tom mais negativo, no entanto, outras despesas foram maiores e fizeram com que o índice de eficiência piorasse no 4º trimestre de 2025. No geral, um trimestre fraco, mas em linha com as expectativas e melhor do que o temido”, avalia a equipe de análise.
O Goldman Sachs ressalta que as tendências de receita permaneceram fracas, com taxas de serviços e margem financeira abaixo da sua previsão. Isso foi compensado por provisões para perdas com empréstimos menores do que o esperado, embora observe que os indicadores de qualidade dos ativos se deterioraram sequencialmente. Apesar do lucro líquido em linha com as expectativas, os analistas apontam uma dinâmica mais fraca da receita bruta.
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A margem financeira bruta do banco caiu 4% para R$ 15,33 bilhões, refletindo o impacto do aumento da taxa de juros, enquanto a margem com clientes cresceu 6,6% e alcançou R$ 16,82 bilhões.
O Citi vê mais um trimestre razoável para o SANB11, com resultados mistos. Entre os pontos positivos: (1) o banco mantém uma postura prudente na concessão de empréstimos; (2) a receita líquida de juros com clientes expandiu 7% em relação ao ano anterior; (3) a formação de inadimplência (NPL formation, a variação do saldo de créditos em atraso) melhorou em relação ao trimestre anterior; (4) o ROE do banco está visivelmente mais estável, oscilando em torno de 17%, apesar das variáveis, e ultrapassando o limite de 16% pelo sexto trimestre consecutivo.
Já entre os pontos negativos: (1) a avaliação da qualidade dos ativos aponta para desafios tanto para pessoas físicas quanto para empresas: a inadimplência está aumentando, tanto nos prazos de 15 a 90 dias quanto nos de 90 dias, as renegociações aumentaram como percentual dos empréstimos e as recuperações e a cobertura diminuíram em relação ao trimestre anterior, com a administração observando um ambiente difícil nos segmentos de menor renda; (2) os esforços de eficiência durante o trimestre ficaram aquém das suas expectativas, principalmente em “outras” despesas; (3) o lucro antes de impostos (EBT) expandiu apenas 4% em relação ao ano anterior durante 2025, com créditos fiscais contribuindo para a expansão de 13% nos lucros do ano inteiro.
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“No geral, os resultados do SANB11 parecem mais estáveis em termos de receitas e rentabilidade, embora a postura ainda cautelosa em meio a um ambiente difícil possa limitar novas expansões do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) no curto prazo”, aponta o Citi.
O Bradesco BBI aponta que o Santander apresentou um desempenho ligeiramente negativo no 4T25, sendo que acredita que os indicadores de qualidade de ativos foram o principal fator negativo, especialmente considerando o desempenho por etapas.
“Por exemplo, observamos que o índice de cobertura caiu para 210% (de 231% no 3T25), os créditos inadimplentes iniciais pioraram 10 pontos-base em relação ao trimestre anterior, para 4,0%, e os créditos inadimplentes de 90 dias aumentaram para 3,7% (30 pontos-base em relação ao trimestre anterior), apesar da sazonalidade. Por fim, as receitas ficaram abaixo do esperado, refletindo menores rendimentos de tesouraria, spreads de clientes e taxas ligeiramente mais baixas. Como ponto positivo, destacamos o bom desempenho das despesas operacionais”, aponta o BBI.
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Após os resultados, analistas mantiveram suas recomendações para o Santander Brasil: o JPMorgan seguiu com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), enquanto o Bradesco BBI e o Citi mantiveram recomendação neutra, com preços-alvo respectivos de R$ 33 e R$ 34. O Goldman Sachs, por sua vez, seguiu com recomendação de venda, com target de R$ 29.
O mercado em geral segue dividido: de acordo com compilação LSEG de analistas que cobrem o papel, 4 possuem recomendação de compra, 5 possuem recomendação neutra e 1 de venda.