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O Santander Brasil (SANB11) apresentou um resultado abaixo das expectativas no primeiro trimestre de 2026, com lucro líquido recorrente — indicador que exclui efeitos extraordinários — de R$ 3,8 bilhões, queda de 7% frente ao 4T25 e de 1,9% na comparação anual, segundo avaliações do Goldman Sachs e do JPMorgan.
O número ficou cerca de 6% abaixo do consenso de mercado, refletindo principalmente a deterioração da qualidade dos ativos e um desempenho ainda fraco da receita com crédito (Goldman Sachs). Com isso, na sessão desta quarta-feira (29) os papéis SANB11 fecharam em baixa de 2,65%, a R$ 28,64.
A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE, Return on Equity), métrica que mostra quanto o banco gera de lucro para cada real de capital próprio, recuou para 15,7%, ante 17,2% no trimestre anterior e 17,0% no 1T25, conforme levantamento do Goldman Sachs. Apesar do resultado mais fraco, o JPMorgan avalia que o desempenho já era amplamente esperado, dado o histórico recente de desempenho inferior do Santander em relação a Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4).
Receita segue pressionada
A margem financeira líquida (NII, Net Interest Income), que representa o ganho do banco com juros após o custo de captação, caiu 1% em base anual, ainda que tenha avançado 3% na comparação trimestral, segundo o Goldman Sachs. O desempenho seguiu pressionado pela margem com mercado, linha ligada às operações de tesouraria, que permaneceu negativa em R$ 800 milhões, apesar de melhora frente ao prejuízo observado no fim de 2025, apontam os bancos.
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Já a margem com clientes, relacionada diretamente às operações de crédito, cresceu 5% em relação ao 1T25, mas recuou 1% no trimestre, refletindo compressão de spreads — diferença entre juros cobrados e pagos —, apesar da expansão das carteiras médias, conforme apontam os dois bancos.
A carteira de crédito, que mede o saldo total de empréstimos concedidos, apresentou queda de cerca de 1% no trimestre e crescimento limitado em base anual, entre 2% e 3%, com retração concentrada em pessoas físicas, compensada parcialmente pelo avanço do segmento de crédito ao consumo, destacam o Goldman e o JPMorgan. Excluindo efeitos cambiais, o crescimento trimestral teria sido de aproximadamente 1%, sinalizando uma dinâmica ainda fraca.
Inadimplência volta a subir
O principal ponto negativo do trimestre foi a piora da inadimplência. O índice de créditos inadimplentes superiores a 90 dias (NPL acima de 90 dias) subiu 20 pontos-base no trimestre, para 3,3%, acumulando alta de 50 pontos-base em 12 meses, de acordo com o Goldman Sachs.
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O movimento foi puxado tanto por pessoas físicas, cujo NPL avançou 30 pontos-base, quanto por pequenas e médias empresas (PMEs), onde a piora foi mais intensa, de 50 pontos-base, levando o indicador a 6,0%, segundo o JPMorgan. Ambos os bancos destacam um ambiente ainda desafiador para famílias de menor renda e empresas menores.
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A formação de inadimplência — volume de novos créditos entrando em atraso — atingiu R$ 7,2 bilhões no trimestre, enquanto as provisões para perdas com crédito somaram R$ 6,3 bilhões, alta de 4% no trimestre, elevando o custo do risco para 4,5% (Goldman Sachs; JPMorgan).
Apesar da alta da inadimplência, o índice de cobertura do Stage 3 — categoria que reúne operações com maior risco de perda — subiu para 67,6%, contra 66,4% no 4T25, segundo os relatórios. Ainda assim, o JPMorgan estima que a cobertura dos NPLs acima de 90 dias tenha caído, refletindo o crescimento mais acelerado dos atrasos.
Custos seguem sob controle
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Na linha positiva, o Santander voltou a apresentar forte disciplina de custos. As despesas operacionais (opex) ficaram praticamente estáveis em base anual, com queda no número de funcionários e redução do número de agências e pontos de atendimento, de acordo com o JPMorgan.
Como resultado, o índice de eficiência — que mede a relação entre despesas e receitas — melhorou e atingiu 37,7%, reforçando a estratégia do banco de ganho de produtividade, digitalização e redução da estrutura física (JPMorgan; Goldman Sachs).
Já o índice de capital CET1 (Common Equity Tier 1), principal métrica de solvência bancária, recuou para 11,2%, impactado por mudanças regulatórias, aumento de ativos ponderados pelo risco (RWA) e efeitos do phase-in regulatório, segundo o JPMorgan e o Goldman Sachs. Ainda assim, o nível permanece confortável frente às exigências regulatórias.
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Para os analistas, o resultado do 1T26 foi fraco, porém amplamente antecipado, após a ação acumular desempenho inferior aos pares em 2025 e início de 2026. O papel negocia a cerca de 6,4–6,7 vezes o lucro estimado para 2026, refletindo ceticismo quanto ao crescimento e à qualidade de ativos. Uma reavaliação mais positiva, segundo os bancos, dependerá de uma estabilização da inadimplência e de uma retomada mais clara da expansão do crédito nos próximos trimestres.
O Itaú BBA reforça a leitura de um trimestre mais fraco do lado das receitas, avaliando que o lucro ficou 5% abaixo de sua projeção, principalmente por uma NII com clientes mais fraca do que o esperado. Embora a margem com tesouraria tenha melhorado, ela continuou negativa, limitando o avanço do resultado financeiro total, enquanto as receitas com tarifas recuaram 6% no trimestre, por efeito sazonal, levando a um crescimento de apenas 1% da receita total.
Na qualidade dos ativos, o Itaú BBA destaca a alta de 20 pontos-base no NPL acima de 90 dias, puxada por varejo e PMEs, mas pondera que parte dessa piora está ligada à sazonalidade do primeiro trimestre, à revisão na série histórica de inadimplência — agora baseada na carteira expandida — e à extensão dos prazos de write-off, que pode ter inflado esse indicador em até 10 a 20 pontos-base.
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O BBA mantém uma visão cautelosa sobre o papel e destaca que os resultados reduzem as chances de um re-rating no curto prazo, seguindo com recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente à neutra), com preço-alvo de R$ 34 para SANB11. O Goldman tem recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 30, enquanto o JPMorgan tem visão overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os ativos.
