Santander altera projeções para Selic em 2010 e 2011 depois de ata do Copom

Visão pessimista do comitê sobre inflação motivou novas projeções para a taxa básica de juro, que deve subir mais este ano

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SÃO PAULO – Considerando o conteúdo da última ata do Copom, pessimista em relação ao cenário inflacionário, os analistas do banco Santander revisaram suas projeções para a taxa Selic em 2010 e 2011.

Em relatório assinado por Alexandre Schwartsman, Maurício Molan, Luiza Rodrigues, Tatiana Pinheiro, Cristiano Souza, o Santander aponta que, mesmo muito semelhante à ata anterior, o documento divulgado na véspera tem uma diferença crucial. “Apesar das semelhanças, o Banco Central mostrou preocupação com a dinâmica inflacionária, destacando que as expectativas de inflação para 2011 estão avançando para a marca de 5%, claramente acima da meta (4,5%)”, explicam os analistas.

Selic sobe mais e mais rápido
A mudança na perspectiva do BC sobre o cenário inflacionário fez com que o Santander atualizasse suas expectativas para a taxa básica de juro brasileira. “O tom do comunicado nos faz esperar um ciclo de aperto monetário maior do que o que antecipávamos”, afirmam.

Assim, o Santander atualizou a velocidade das altas: “esperamos duas altas consecutivas de 75 pontos-base em julho e setembro, e outras duas elevações de 50 pontos-base nas reuniões de outubro e dezembro”. Com isso, o banco projeta a taxa Selic em 12,75% ao ano no final de 2010 e 13% ao ano em janeiro de 2011 – que deve vir após uma alta de 25 pontos-base em janeiro. A projeção de 2011 é um ponto percentual acima da expectativa anterior do Santander.

Além da linguagem do Copom sobre a inflação, os analistas também observaram a atenção dada pelo BC ao ritmo de que o hiato do produto está se fechando e a passagem sobre o cenário externo.

Inflação
De acordo com os analistas, as novas projeções têm dois pontos principais como base: o fato de que o BC tem como objetivo manter a inflação perto da meta em 2011, enquanto em 2010 o que resta a fazer é “controle de danos” – ou seja, tentar fazer com que a inflação não se desvie ainda mais da meta.

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“O Copom deixou claro que os riscos inflacionários dependem essencialmente do cenário doméstico. (…) Também é claro que o cenário base do BC não é um em que a crise fiscal europeia se estenda a ponto de provocar uma nova crise – apesar de o comitê assumir que o cenário externo inspira cautela. (…) Interpretamos isso como um sinal de que, apesar de a crise não impedir um aperto monetário, o Copom não quer se ver preso a um ritmo muito elevado de altas da Selic com o mundo em um cenário incerto”, concluem os analistas.