Saldo da poupança em queda e estrangeiro de volta. É hora de tomar risco?

Especialista minimiza relação entre estas variáveis; busca do estrangeiro às blue chips muda o foco para outras ações

Publicidade

SÃO PAULO – Os dados da caderneta de poupança mostraram captação negativa em março, o pior resultado desde abril do ano passado – período em que o mercado de ações experimentava recordes atrás de recordes. Em paralelo, o volume financeiro da bolsa vai voltando. Seria um indício de menor aversão ao risco por parte do investidor?

Primeiro é preciso avaliar o movimento da poupança. É evidente o maior número de retiradas, resultado da piora das condições financeiras das famílias, que precisaram mais do dinheiro, e não uma baixa rentabilidade das cadernetas frente a outros investimentos, indica Alcides Leite, professor de Economia e Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios.

Pouca correlação

De fato o giro financeiro da bolsa vem de recuperação. Na semana passada bateu o recorde do ano, com R$ 5,9 bilhões movimentados em um pregão. “É interessante notar – com certo alívio, é verdade – que a bolsa está sendo vista com bons olhos de novo”, comentou a Gradual Corretora no final da semana anterior.

Mas apesar da curiosidade entre os dois indicadores, uma relação entre ambos fica difícil. “O cliente de poupança é o último que vai pensar em investir em bolsa.Você tem de ver o dinheiro de clientes de mais alta renda ou que está em fundos mais agressivos, talvez renda fixa de longo prazo, fundos multimercados; estes sim são recursos que podem sinalizar queda na aversão ao risco”, argumenta Eduardo Mendes, vice-presidente da Schroders Investment.

Estrangeiros à procura de commodities

Em relatório semanal, a SLW Corretora associou a volta do investidor estrangeiro ao sentimento mais otimista para o cenário econômico. “No acumulado do ano, o fluxo está positivo em R$ 1,6 bilhão, sinalizando que este tipo de investidor está mais otimista para o desempenho de nossa economia do que no final do ano passado”.

“Principalmente estrangeiros procurando a parte de commodities”, completa Mendes. No primeiro trimestre, Vale e Petrobras foram o principal caminho para a volta dos estrangeiros à bolsa brasileira, ate porque têm mais liquidez e foram justamente a principal via de saída deles no segundo semestre do ano passado.

Continua depois da publicidade

Mais consumo interno

Por outro lado, o retorno do volume financeiro em direção a estas ações puxou o ótimo desempenho de ambas no período. Os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) fecharam o primeiro trimestre com ganho acumulado de 26%, enquanto as PNA da Vale (VALE5) somaram 12% de alta.

Com a boa performance no primeiro trimestre, a pergunta é se as duas blue chips ainda têm fôlego para novos ganhos daqui para frente. Mendes acredita que o que estas ações subiram no começo do ano foi simplesmente para recuperar o que caíram no final de 2008, apenas uma volta para patamares em linha com outras ações.

“Embora a gente goste de ações de commodities no longo prazo, talvez outras ações no curto prazo, para este trimestre, sejam mais interessantes. Ações mais ligadas ao consumo interno, que estão extremamente atrasadas, ações mais defensivas – telefonia fixa e energia. No curto prazo”, recomenda Mendes.