Visão Macro

Salário mínimo de R$ 3.754: ilusão ou futuro? Economista explica a disparidade da remuneração brasileira

O programa Visão Macro desta semana recebe Ilmar Ferreira, economista do Dieese de São Paulo

SÃO PAULO – O salário mínimo de 2018 deve ficar em R$ 965, segundo o Ministério do Planejamento, patamar 3% acima do valor atual em vigência. Esse montante representa apenas 25,2% do salário que um (a) trabalhador (a) precisa para suprir as necessidades básicas de uma família de 4 pessoas, levando em consideração as determinações da Constituição brasileira. 

Levantamento de outubro aponta que o salário mínimo necessário para o brasileiro se manter deveria ser de R$ 3.754,16. Levando em consideração o salário mínimo atual, seriam necessários 4 salários para manter a mesma família. O levantamento é do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que mostra ainda que a compra de itens da cesta básica abocanharia 43% do salário mínimo do trabalhador em outubro.

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Para falar sobre a disparidade entre as necessidades do brasileiro e a realidade da remuneração básica, o programa Visão Macro desta semana recebe Ilmar Ferreira, economista do Dieese de São Paulo. No vídeo acima, o economista fala sobre impactos da reforma trabalhista e previdenciária no salário mínimo e sugere mudança no cálculo de reajuste do salário mínimo.

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Veja a evolução dos aumentos reais do salário mínimo nos últimos 14 anos:

Elaboração: Dieese

No início de 2017, 47,9 milhões de pessoas tinham seu rendimento atrelado ao valor do salário mínimo. Em relação a Previdência Social, os benefícios equivalentes a até 1 salário mínimo era de 48,3% e correspondia a 68,6% do total de beneficiários.

Segundo cálculos do Dieese, o acréscimo de cada R$ 1 no salário mínimo tem um impacto estimado de R$ 300,7 milhões ao ano sobre a folha de benefícios da Previdência.

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Cálculo do salário mínimo

O valor do salário mínimo é calculado com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para este ano, a variação do INPC estimada em abril pelo Banco Central é de 4,48%.

Como o PIB de 2016, levado em consideração para o cálculo do Mínimo de 2018, sofreu retração ante 2015, não haverá alta real (acima da inflação) do salário mínimo do ano que vem.