Crise grega

Sair ou não sair do euro? O que os investidores precisam saber sobre a crise da Grécia

Os mercados gregos iniciaram a semana protagonizando o noticiário do mercado, com a saída do país da zona do euro parecendo cada vez mais próxima, após o país divulgar que realizará um referendo

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SÃO PAULO – A Grécia inicia a semana protagonizando o noticiário do mercado, com a saída do país da zona do euro parecendo cada vez mais próxima, após o país divulgar que realizará um referendo, o que azedou a negociação do país com os credores.

E, em meio à todo esse cenário de instabilidade, analistas e economistas traçam diversos cenários sobre o que pode acontecer. O banco Credit Suisse, em relatório chamado Narciso e Nemesis, em referência ao herói conhecido pela beleza e pelo orgulho e à deusa da vingança, respectivamente, traça três cenários sobre o país, avaliando que a chance de um Grexit ainda parece improvável. 

Os cenários são os seguintes: caso A, com uma chance de 40% de algum controle de capitais; caso B, forte controle de capitais e o caso C, com uma chance de 20%, de um colapso total. 

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A principal distinção entre o Caso A e Caso B é o “estado de espírito”; ocorreu um problema, e agora as partes procuram cooperar na limitação de danos, ou agora as relações estão mais hostis? E afirma: o humor melhora a partir de um nível de mau humor e as partes continuarão a cooperar como agora (Processo A) ou elas se tornam totalmente hostis (que é o caso C).

Já a Reuters destacou cinco opções do que pode acontecer com a Grécia após o anúncio do referendo: i) a intervenção do presidente, renunciando ao cargo, o que suspenderia o referendo até que um novo presidente fosse eleito, levando a novas eleições nacionais; ii) baixa participação no referendo, o que levaria com que ele fosse engavetado; iii) vitória do “sim” aos termos do acordo, o que poderia levar à renúncia de Alexis Tsipras, já seria quase politicamente impossível implementar um programa ao qual o governo tem se oposto de maneira tão forte; iv) o “sim” ao acordo ganha, mas Tsipras pode tentar formar um governo de minoria e multipartidário para implantar o programa de resgate e v) a vitória do não no “referendo”, que fortaleceria sua posição de negociação com credores, o que aceleraria a saída do euro. 

Enquanto diversos cenários são traçados para o país, o portal americano CNBC destacou sete coisas que se precisa saber sobre a crise grega. Confira abaixo sete perguntas e respostas sobre o país:

1 – Quão ruim é o problema?

Grécia deve cerca de 280 bilhões de euros aos credores internacionais, incluindo 242,8 bilhões de dólares a entidades públicas ou mistas, tais como o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu. O país não tem o dinheiro para fazer o pagamento dos juros devidos esta semana e o fracasso em fazer um acordo para reestruturar e refinanciar as obrigações do país aumentam a perspectiva de um default. Os dois lados estão falando sobre um pacote de 18 bilhões de euros para refinanciar parte dessa dívida.

2 – Por que as conversações azedaram?

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A chamada Troika, formada pelo FMI, BCE e Comissão Europeia estão à procura de uma combinação de cortes de gastos, atingindo pensões e segurança social, e aumentos de impostos. Contudo, o país já enfrenta problemas enormes na questão do recolhimento de impostos. E o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, apontando para a taxa de desemprego do país de 25,6%, argumenta que a Grécia não pode lidar com mais austeridade.

3 – O que o governo fez neste fim de semana?

O partido anti-austeridade Syriza da Grécia propôs um referendo, esperando que os eleitores apoiariam seu impulso para obter um recuo dos credores em relação às propostas de austeridade. Ele também impôs os chamados controles de capital para interromper a fuga de dinheiro para fora do país e os bancos ficariam fechados por uma semana. 

Enquanto a maioria das transações internas é pouco afetada, há um limite diário de retirada de caixa de € 60, e as transações internacionais estão sujeitos a aprovação. 

4 – Como isso afeta os mercados na Europa e os EUA?

Tanto os mercados europeus quanto os americanos registraram fortes baixas hoje (assim como a Bovespa e outros mercados emergentes).

Porém, segundo aponta a CNBC, para o S&P Capital IQ, o efeito pode ser de curta duração. O banco publicou uma análise histórica de 70 anos de choques passados ??de mercado, destacando que, em dias de forte baixa no mercado, foram encontrados eventos que levaram a uma baixa média de 2,4% no mercado, que foi recuperado em uma média de 14 dias de negociação. “A Grécia representa menos de 2% do PIB da União Europeia. Por si só, sua saída não vai derrubar a UE”.

5 – O que acontece se a Grécia sair do euro, ou se ela for forçada a sair do euro?

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As estimativas de quão pouco dracmas gregos valerão com a saída do euro estão por todo o lugar, de 340 unidades monetárias gregas para o dólar norte-americano como 1000 dracmas para um dólar. Mesmo antes da Grécia ser (ou não ser) forçada a deixar a união monetária, fala-se que o governo terá que cumprir as suas obrigações no chamado mercado de “moeda paralela ”, cujo valor é altamente incerto.

6 – O programa de austeridade do FMI funcionou até agora?

Não. A austeridade tem sido a regra na Grécia desde que o primeiro programa de reestruturação da dívida foi aprovado em 2010. Mas a taxa de desemprego na Grécia quase triplicou desde então, e o PIB do país caiu quase 30% desde então. A Grécia cortou os gastos e os aumentos de impostos tranformaram o “déficit primário” em superávit no ano de 2010. Mas o programa foi o equivalente a puxar os freios da economia: agora o déficit primário está em 2% do PIB grego mesmo com controles sobre gastos.

7 – O que isso significa para o turismo grego?

A incerteza ofusca o turismo grego. E os riscos de interromper o turismo são altos. De fato, o turismo responde por 18% da economia do país e emprega um quarto dos seus trabalhadores, de acordo com a Associação de Empresas de Turismo da Grécia. A Grécia atrai até 17 milhões de visitantes anuais, o dobro da população do país, e é praticamente a única indústria que continua a crescer em uma nação onde um número estimado de 59 empresas estão fechando a cada dia.

Mas os turistas estão relatando dificuldade em obter dinheiro, porque a moeda nos caixas automáticos estão se esgotando, e a ameaça de controles de capital faz com que alguns comerciantes não estejam dispostos a aceitar cartões de crédito. Ao longo do tempo, deixar o euro e desvalorizar a dracma, por outro lado, levaria a um período em que as férias gregas deveriam ser muito mais baratas para os turistas ocidentais – mas não se sabe por quanto tempo.