Saída dos EUA da TPP irá acentuar o protecionismo internacional

Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio vê benefícios para o Brasil no curto prazo, mas desafios no longo prazo

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Muito vem sendo dito sobre oportunidades que podem surgir para o agronegócio brasileiro, com a saída dos Estados Unidos da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês). Até o momento, as primeiras avaliações de lideranças rurais, consultores, executivos são positivas para um eventual avanço das exportações agrícolas brasileiras em mercados antes ocupados pelos produtos estadunidenses, embora seja cedo para conclusões.

Saída dos EUA do Transpacífico pode beneficiar Brasil em curto prazo, diz especialista (Foto: Sérgio Coelho/Codesp)

De acordo com o presidente do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL) e diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Ingo Plöger, a saída dos EUA do mega acordo comercial pode beneficiar o agronegócio brasileiro no curto, mas não no longo prazo. “A parceria iria beneficiar o Brasil, pois estávamos negociando com os EUA padrões da TPP em diversas áreas; agora tudo permanece como antes”, diz Plöger.

A questão, diz o dirigente, é que no longo prazo a saída dos EUA da TPP irá causar muita insegurança nos mercados, acentuar o protecionismo internacional, criando um ambiente favorável à justificação de medidas e padrões que podem limitar, restringir a entrada de produtos agrícolas brasileiros em novos mercados.

“Assim, na retórica do presidente Trump, as carnes que hoje o Brasil exporta para os EUA podem vir a receber restrições novamente”, lembra Plöger. “A Europa vai se sentir no direito de manter seu mercado fechado, dificultando o comércio. As constelações irão se movimentar. A China, por exemplo, receberá o benefício da desintegração da TPP, que irá beneficiar o Brasil, mas até quando?”, indaga o dirigente.

Segundo Plöger, a melhor estratégia é o Brasil permanecer em silêncio neste momento de incerteza. “Não somos o primeiro endereço de retaliação do presidente Trump, e portanto seria muito prudente ficarmos na ‘moita’. Mais para frente, se houver falta de produtos no mercado dos EUA, pode ser uma oportunidade para o Brasil se oferecer como alternativa. Mas, agora é aguardar para ver.”