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SÃO PAULO – Produtos diferenciados, concentração no elo agroindustrial e mudanças climáticas são os fatores de maior impacto para o mercado mundial de café daqui para frente. A avaliação é de Andrea Illy, presidente do grupo Illycaffe, tradicional torrefadora de origem italiana, presente no Brasil há 25 anos.
Em seminário nesta semana, na Universidade Federal de São Paulo (USP), o presidente da empresa destacou que o futuro da cafeicultura caminha em direção similar ao que aconteceu com os vinhos, ou seja, tendo como bússola a diferenciação. “Esta é a grande oportunidade, investir na variedade de ‘blends’.”
De acordo com Illy, os cafés diferenciados, com grãos mais nobres, terão que carregar, cada vez mais, atributos relacionados à sustentabilidade, por exemplo. Segundo o executivo, a classe média avança mundialmente, e quer produtos com mais qualidade e diversidade. “Além disso, o consumidor que mais cresce hoje valoriza, também, a experiência de se tomar café.”
No tocante à concentração agroindustrial, Andrea Illy, ressaltou que este fenômeno da consolidação só deve aumentar. Hoje, segundo ele, cerca de 37% do volume de café comercializado no mundo está na mão de apenas dois grupos empresariais. “E isso, é só o começo”, estimou.
Em relação às mudanças climáticas, o executivo alertou que o aquecimento global vai mudar a geografia da produção de café, com diminuição das áreas aptas ao plantio, com efeitos negativos para produção e produtividade. “O Brasil poderá ser bastante impactado, embora o aquecimento global também fará com que regiões antes inadequadas passem a ser aptas ao cultivo do fruto.” De acordo com Andrea Illy, a transgenia pode ser um caminho de adaptação às mudanças climáticas, entretanto ainda não se mediu possível aceitação de grãos geneticamente modificados junto ao consumidor de café.