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O início da safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil vem surpreendendo positivamente, com ritmo mais forte e antecipado do que o esperado pelo mercado. A moagem de cana acumula alta de cerca de 75% na comparação anual, enquanto a produção de açúcar avança 55%, mesmo com as usinas direcionando uma parcela maior da produção para o etanol, que tem margens melhores.
Na avaliação do Morgan Stanley, esse aumento expressivo da oferta no começo da safra deve continuar pressionando os preços do açúcar no curto prazo. Por outro lado, o banco avalia que o movimento também contribui para acelerar o reequilíbrio do mercado no segundo semestre, especialmente diante do suporte regulatório ao consumo de etanol e dos riscos climáticos associados ao El Niño, que podem limitar a oferta ao longo da temporada.

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Segundo o banco, a estratégia das usinas de priorizar o etanol faz sentido no cenário atual, já que o combustível segue negociando com prêmio em relação ao açúcar. Ainda assim, essa dinâmica tende a manter os preços do açúcar deprimidos temporariamente, ao menos durante o pico da safra brasileira.
O banco avalia que a elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32%, ante 30%, esperada para junho de 2026, pode absorver cerca de 800 milhões a 900 milhões de litros por ano, funcionando como uma válvula de escape para o excesso de oferta. Já os subsídios à gasolina seguem como principal limitação para uma recuperação mais forte dos preços.
Com os preços do etanol já refletindo parte do cenário negativo, o Morgan Stanley vê uma relação risco-retorno mais atrativa para a segunda metade da safra, a partir de julho e agosto, após o pico da colheita.
Em termos de investimentos, o banco avalia que empresas do setor de açúcar e etanol, como São Martinho (SMTO3), com recomendação overweight, e Adecoagro, com recomendação equal weight, representam uma tese mais ligada ao ciclo do que aos resultados imediatos. O banco projeta resultados mais fracos no curto prazo devido ao aumento de estoques e à exposição não hedgeada, mas vê potencial relevante de valorização quando o ciclo virar.
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O Morgan Stanley também destaca que a crescente probabilidade de um forte El Niño aumenta o potencial de interrupções de oferta na Ásia e de alta nos preços do açúcar. Um início forte da safra brasileira pode atrasar, mas não necessariamente impedir, essa recuperação.
O JPMorgan também vê um início significativamente mais acelerado da safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil. A moagem de cana na segunda quinzena de abril atingiu 40,06 milhões de toneladas, alta de 123,1% na comparação anual, enquanto o volume acumulado chegou a 60,46 milhões de toneladas, avanço de 74,6% na mesma base de comparação. O desempenho foi apoiado por 238 unidades operacionais em atividade, ante 226 no ano anterior.
O mix de produção continuou mais voltado ao etanol, com divisão de 40,3% para açúcar e 59,7% para etanol na segunda metade de abril, queda de 548 pontos-base na participação do açúcar. No acumulado da safra, o mix ficou em 38,2% para açúcar e 61,8% para etanol, redução de 609 pontos-base, refletindo a priorização das margens do etanol pelos produtores no início da safra.
Segundo o JPMorgan, o movimento foi apoiado pela paridade do etanol hidratado frente à gasolina em 64,5% no Brasil e 61,7% em São Paulo, além da participação de renováveis ter subido para 24,6%, ante 23,2% em março. Em São Paulo, a participação do etanol hidratado atingiu 44%, o maior nível desde fevereiro de 2025.