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A Sabesp (SBSP3) anunciou na terça-feira (26) que a Arsesp (reguladora do estado de São Paulo) aprovou um regime de prevenção e contingência para o fornecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo, de forma excepcional e temporária, com o objetivo de minimizar os impactos da escassez de água e preservar os níveis dos reservatórios.
Na prática, a Sabesp pode precisar reduzir a pressão no sistema, o que poderia levar a um consumo menor. De acordo com dados da Sabesp sobre reservatórios, os níveis atuais estão em torno de 38%, 11 pontos percentuais abaixo da média dos últimos 25 anos (e o pior resultado desde a seca de 2015), uma queda acentuada em relação à média de 50% registrada em janeiro, que estava alinhada à média histórica, devido à menor quantidade de chuvas no ano.

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O Goldman Sachs avalia que, embora a situação dos reservatórios da Sabesp não seja crítica e esteja significativamente melhor do que os níveis mínimos registrados em 2015, o regime de contingência pode reduzir os volumes faturados, impactando as receitas no curto prazo.
Por outro lado, a instituição destaca que essa redução temporária deve ser compensada por tarifas mais altas em futuras revisões, considerando que as tarifas de 2027 levariam em conta os volumes reduzidos de 2025, resultando em receitas maiores.
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Segundo os cálculos do Goldman, uma queda hipotética de 5% nos volumes faturados ao longo dos próximos 12 meses, com reversão total nos 12 meses seguintes, poderia reduzir o valor justo do patrimônio em apenas cerca de 0,3%, enquanto o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) projetado para 12 meses cairia aproximadamente 7%.
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O banco americano também ressalta que os baixos níveis dos reservatórios podem elevar os custos de eletricidade e materiais, devido às dificuldades de bombear e tratar água de profundidades menores, e que tais custos adicionais podem não ser totalmente compensados em futuras tarifas. As estimativas indicam que um aumento de 10% nesses custos ao longo de 12 meses poderia reduzir o valor justo do patrimônio em cerca de 0,2% e impactar o EBITDA em 2%.
Em conclusão, o Goldman projeta impacto limitado para a Sabesp, inferior a 1% do valor do patrimônio, embora reconheça algum risco de lucro no curto prazo. O banco manteve recomendação de compra para a Sabesp, como preço-alvo de R$ 142, destacando-a como uma das ações preferidas no setor de utilities, ao lado de Copel (CPLE6), Eletrobras (ELET3) e Equatorial (EQTL3), combinando valuation atrativo com catalisadores claros e quantificáveis nos próximos 12 meses.
O JPMorgan, por sua vez, avaliou que as iniciativas do estado de São Paulo parecem conservadoras, pois os níveis dos reservatórios da Sabesp não apresentam risco elevado. Além disso, os impactos financeiros potenciais são limitados, estimados em cerca de 0,1% do valor de mercado. O banco tem recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para os ativos.
Segundo o JPMorgan, os reservatórios da Sabesp estão em condições mais confortáveis em comparação com crises anteriores (40% da capacidade versus 10% em 2015). A depleção média dos reservatórios entre o final de agosto e novembro, período que antecede a estação chuvosa, tem sido inferior a 15 pontos percentuais nos últimos seis anos. Desde 2015, a Sabesp também investiu em novos recursos hídricos, como a usina de São Lourenço, que adicionou 5% da capacidade total desde 2018.
Em termos financeiros, o impacto das iniciativas de economia de água por 90 dias poderia atingir aproximadamente 2% do EBITDA do 4T25 ou 0,1% do valor de mercado. Considerando uma economia planejada de 4 m³/s por 8 horas/dia durante 90 dias, a perda de receita combinada de água e esgoto poderia chegar a R$ 110 milhões por trimestre.
O JPMorgan ressalta ainda três fatores mitigadores:
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- Os clientes da Sabesp têm uma “conta mínima de água”, o que limita a perda de receita;
- A redução de pressão nas tubulações também diminui custos de energia e perdas de água (aproximadamente R$ 10-20 milhões);
- A companhia poderia solicitar uma revisão extraordinária da tarifa em caso de prolongamento das medidas de economia e altos custos financeiros.