Sabesp: por que o reajuste tarifário tira um importante fator de risco para as ações

ARSESP divulgou nesta segunda-feira (1º) a nota técnica com os números finais do reajuste tarifário da Sabesp

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Divulgação/Sabesp)
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A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP) divulgou nesta segunda-feira (1º) a nota técnica com os números finais do reajuste tarifário da Sabesp. A receita requerida, após ajustes, foi definida em R$ 24,9 bilhões, alinhada à estimativa do Itaú BBA. Às 10h57, as ações da companhia subiam 2,10%, a R$ 142,67.

O reajuste final será de 6,8%, com implementação em 1º de janeiro de 2026. Segundo o banco, o índice está na parte baixa das expectativas do mercado. Considerando os itens com efeito de carregamento na revisão, o resultado geral veio dentro do previsto. No entanto, diversos ajustes financeiros tiveram efeitos mistos no número final.

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Para o Itaú BBA, a divulgação representa um importante evento de redução de risco, esperado pelo mercado, e confirma a capacidade da gestão, em seu primeiro ano após a privatização, de conduzir uma avaliação sólida da base de ativos regulatória e dos demais componentes. A nota técnica reduz incertezas e amplia a visibilidade sobre a nova metodologia pós-privatização, permitindo cálculos mais precisos sobre ativos, ajustes e movimentações futuras.

Com isso, o Itaú BBA reiterou recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para Sabesp, com preço-alvo de R$ 147,10 por ação ao fim de 2026.

A Ativa Investimentos, por sua vez, destaca que o aumento reflete a inflação acumulada nos últimos 16 meses e marca o primeiro reajuste desde a privatização da companhia. Segundo leitura preliminar divulgada pela empresa, “o valor representa um incremento na tarifa de equilíbrio de 10,6%”. A corretora enxerga o anúncio como positivo, indicando que o cronograma regulatório permanece alinhado ao esperado.

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O Bradesco BBI comenta que a revisão tarifária ficou praticamente em linha com suas estimativas, com receita requerida ligeiramente maior em cerca de R$ 700 milhões por ano, resultando em fluxo de caixa pós-imposto de aproximadamente R$ 460 milhões por ano. “Em relação às expectativas do mercado, entendemos que a revisão também está, de modo geral, alinhada.”

O BBI também destaca que há vários pontos que ainda precisam de esclarecimento adicional, mas, no geral, a revisão parece ser técnica, o que é extremamente relevante para qualquer empresa regulada de serviços públicos.

O BBI manteve recomendação equivalente à compra para a ação e preço-alvo de R$ 174.

O Goldman Sachs avaliou que a revisão tarifária ficou abaixo da sua estimativa à primeira vista. A receita requerida atingiu R$ 25,3 bilhões, ligeiramente acima de nossa projeção de R$ 24,9 bilhões. Os volumes utilizados no cálculo foram de 3.677 milhões de metros cúbicos, também ligeiramente superiores aos 3.650 milhões que o banco projetava, resultando em uma tarifa antes dos componentes financeiros (P0) de R$ 6,78 por metro cúbico, ante nossa projeção de R$ 6,71.

Contudo, o Goldman Sachs destaca que os componentes financeiros vieram abaixo das expectativas, principalmente por causa de (i) receitas menores do que o esperado relacionadas à compensação do capex sem atraso, de R$ 0,24 por metro cúbico ante nossa estimativa de R$ 0.36 e (ii) efeito negativo maior em ajustes pontuais referentes ao ciclo tarifário anterior (quarto), que somaram impacto negativo de R$ 0,62 por metro cúbico, enquanto esperávamos impacto negativo de apenas R$ 0,03.

Por outro lado, o banco avalia que esses efeitos foram parcialmente compensados por pequenas surpresas positivas em outros itens. Assim, a tarifa econômica final ficou em R$ 6,77 por metro cúbico, alta de 6,8% na comparação anual e 4% abaixo da sua estimativa.

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O Goldman Sachs manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 156.

O Morgan Stanley aponta que, embora o primeiro ajuste tarifário tenha sido um pouco obscurecido por ajustes compensatórios pontuais, o resultado é razoável, com receitas exigidas ajustadas (excluindo outras receitas e incluindo o ajuste compensatório relacionado à alteração contratual) de R$ 25,8 bilhões, em sua maior parte alinhadas com a sua estimativa. Além disso, os principais parâmetros regulatórios (por exemplo, Base de Ativos Regulados, Remuneração de Capital e Despesas Operacionais Regulatórias) ficaram amplamente alinhados com as projeções.

“Esse resultado também representa uma importante redução de riscos para o caso de investimento, já que o mercado vinha acompanhando o evento com pouca visibilidade durante o processo. Com esse marco regulatório agora superado, a Sabesp deve focar em catalisadores positivos de médio prazo, incluindo melhorias operacionais, execução de investimentos (capex) e oportunidades de crescimento inorgânico”, apontam os analistas, que destacam SBSP3 como a preferida entre as utilities (energia e saneamento). A recomendação é equivalente à compra com preço-alvo de R$ 145.

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