Destaques da Bolsa

Sabesp desaba 12% com “crise da água”; Vale e CSN caem mais de 5%

Das 68 ações do Ibovespa, 6 fecharam com queda superior a 5%; somente Oi e Embraer subiram mais de 3% hoje

Por  Paula Barra

SÃO PAULO – O temor de um possível racionamento de energia voltou a pressionar o mercado nesta sexta-feira, trazendo forte força vendedora no final do pregão. Declarações de membros do governo divulgadas na imprensa entre ontem e hoje ajudaram a aumentar as preocupações sobre o risco da falta de água. As ações da Sabesp (SBSP3) deram início a uma queda livre a partir de 11h30 (horário de Brasília) e fecharam com perdas de 11,19%, a R$ 13,57, liderando a ponta negativa do índice. Das 68 ações do benchmark, 6 fecharam em queda superior a 5%. 

Ainda entre as maiores quedas, apareceram as ações da Vale, Bradespar – holding que detém participação na Vale – e Braskem (BRKM5, R$ 12,13, -5,82%), fortemente exposta ao risco de um racionamento. No caso da Vale, ajudou a pressionar ainda um corte de recomendação das ações da mineradora pelo Goldman Sachs. Os papéis da Petrobras também acentuaram o movimento negativo no final do dia e fecharam com queda de 3% em meio às expectativas sobre o resultado da reunião do seu conselho de administração convocada para esta manhã.

Do lado positivo, figuraram as ações da Oi (OIBR4), que depois de subirem 16,7% na máxima do dia, fecharam em alta de 3,55% após os acionistas da Portugal Telecom SGPS aprovarem, ontem, em assembleia em Lisboa, a venda dos ativos da Oi em Portugal para a francesa Altice. Fora do índice, destaque para a Mills (MILS3), que desabou com riscos de que a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, respinque na companhia.

Confira os principais destaques da Bovespa nesta sessão: 

Oi (OIBR4, R$ 7,01, +3,55%)
Após ter seu leilão de abertura estendido, a companhia de telecomunicações lidera os ganhos do Ibovespa no momento, enquanto isso, as ações da Portugal Telecom chegaram a disparar 19% na Europa. Na máxima do dia, os papéis da brasileira chegaram a subir 16,69%. Ontem, os acionistas da Portugal Telecom SGPS aprovaram a venda dos ativos portugueses da Oi ao grupo francês Altice por 7,4 bilhões de euros, apesar da oposição de alguns acionistas minoritários.

O acordo de venda deve permitir à Oi a reduzir sua dívida e participar ativamente de um eventual processo de consolidação do mercado brasileiro, o que deve beneficiar a Portugal Telecom SGPS, principal acionista da Oi, no longo prazo. “Houve um debate emocional, mas foi uma decisão dos acionistas com ampla maioria”, disse o presidente-executivo da Portugal Telecom SGPS, João Mello Franco.

Em comunicado, a Oi declarou considerar acertada a decisão dos acionistas, entendendo que a medida gera mais valor para todos os acionistas.

Copasa (CSMG3, R$ 19,11, -14,95%) e Sabesp (SBSP3, R$ 13,50, -11,65%)
As ações da Copasa e Sabesp desabam nesta sexta-feira. Ontem, a Copasa admitiu situação crítica da água e que fará campanha educativa para reduzir consumo em Belo Horizonte em pelo menos 30%. Durante entrevista coletiva na sede da empresa, a nova presidente da companhia, Sinara Meirelles, não descartou a possibilidade de que haja racionamento e rodízio, e também que multas sejam aplicadas na conta. 

Segundo a Folha de S. Paulo, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse ontem que um racionamento de energia será decretado caso o nível dos reservatórios chegue ao limite chamado “prudencial”, que seria em 10%. Além disso, o governo de São Paulo pediu à Sabesp que elabore um estudo para um plano específico de contingenciamento de água direcionado às indústrias, informou a coluna Painel, da Folha. 

Vale (VALE3, R$ 20,52, -6,34%; VALE5, R$ 18,32, -5,32%)
As ações da Vale derretem na sessão desta sexta, seguidas pelos papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 13,51, -4,79%), holding que detém participação em meio à quinta queda consecutiva dos preços do minério de ferro em 6 dias e corte de recomendação de seus papéis para neutra pelo Goldman Sachs. No entanto, as importações chinesas de minério de ferro do Brasil, o segundo maior fornecedor da China, subiram 10,3% em 2014, para 170,96 milhões de toneladas, mostraram dados da alfândega hoje, com a elevação da produção por grandes mineradoras levando os preços para baixo e eliminando alguns fornecedores menores. 

Siderúrgicas
Assim como a Vale, as ações do setor de siderurgia foram pressionadas hoje pelo relatório do Goldman Sachs, que apontou que vê maior potencial de queda dos preços internacionais do aço, o que deve continuar prejudicando os múltiplos das companhias do setor. Os papéis da CSN (CSNA3, R$ 5,00, -6,19%) foram os que mais caíram entre as siderúrgicas, com a Gerdau (GGBR4, R$ 8,91, -1,11%) aparecendo um pouco mais distante, assim como a Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 9,68, -2,22%). O banco ressaltou visão otimista para a Gerdau, que é guiada por um valuation baixo enquanto segue com potencial relativamente forte para os resultados e exposição nos Estados Unidos. 

Petrobras (PETR3, R$ 9,52, -2,44%; PETR4, R$ 10,00, -2,96%)
A dia positivo da Petrobras na Bolsa durou pouco. Após registrar leve alta nesta manhã, as ações da estatal viraram para o negativo mas acentuaram as perdas mesmo no final do dia, fechando em queda superior a 2%. O mercado especula sobre mudança na composição do conselho de administração da petroleira, enquanto aguarda pelo resultado da reunião do colegiado convocada para esta manhã. Há ainda na agenda da estatal a divulgação do seu resultado do terceiro trimestre não auditado na próxima terça-feira. 

Veja esses números antes de tomar alguma decisão sobre a Petrobras

Embraer (EMBR3, R$ 22,95, +3,29%)
Juntamente com a Oi, as ações da Embraer foram as únicas que fecharam a sessão com alta superior a 3% nesta sessão. Os papéis da fabricante de aeronaves foram beneficiados pelo movimento de alta do dólar frente ao real dado o perfil exportador da companhia. Hoje, a moeda americana fechou com valorização de 0,31%, a R$ 2,58. Na semana, o papel da Embraer subiu 7,21%. 

Educacionais
As ações de Kroton (KROT3, R$ 12,69, -0,08%) e Estácio (ESTC3, R$ 16,34, -0,73%) viraram para o negativo, após chegarem a ficar entre as maiores altas no início do pregão. De acordo com a notícia do Valor Econômico, o Fies (programa de financiamento estudantil) não deverá mais ter restrição neste ano. De acordo com a matéria, a possibilidade de exigir mais qualidade dos cursos para concessão de financiamento público para alunos em faculdades privadas ainda não é decisão do governo e nem está entre os assuntos do dia do Ministério da Educação.

Mesmo que o ministro Cid Gomes tenha falado sobre o assunto anteontem, ele admite que esta não é sua prioridade. Fora do índice, a Anima (ANIM3, R$ 23,61, +2,65%) se sustentou entre as altas, enquanto a Ser Educacional (SEER3, R$ 15,40, -0,84%) seguiu o movimento de virada para o negativo.

Mills (MILS3, R$ 5,90, -11,54%)
A Mills vê uma derrocada dos investidores de seus papéis. De acordo com o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, ontem foi informado ao mercado que as grandes construtoras que estão sendo investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, não estão pagando seus contratos e, de acordo com ele, a Mills é uma das principais fornecedoras, sendo a mais prejudicada. 

Gafisa (GFSA3, R$ 2,17, 0,0%)
Depois de subirem 5,5%, as ações da companhia perderam força juntamente com o pessimismo generalizado do mercado. As vendas da Gafisa subiram no quarto trimestre, enquanto os lançamentos no período caíram, em um período novamente marcado pela comercialização de estoques. Os lançamentos consolidados entre outubro e dezembro diminuíram 69% em comparação ao mesmo período de 2013, a R$ 241,5 milhões. Segundo a XP Investimentos, os números da companhia foram fracos. As vendas até caíram menos do que os lançamentos, gerando uma melhora no estoque, mas o VSO (Vendas sobre Oferta), que mensura a velocidade das vendas da empresa, seguiu muito baixo, disseram os analistas. 

Cia. Providência (PRVI3, R$ 8,30, -1,19%)
As ações da companhia caíram nesta sexta-feira, em meio à notícia de que a CVM resolveu pela suspensão de sua Oferta Pública de Aquisições (OPA) a ser realizada por seu acionista controlador, conforme havia sido informado em fato relevante em 20 de junho do ano passado. 

Eletropaulo (ELPL4, R$ 7,45, 0,0%)
Após dia de fortes perdas ontem, as ações da Eletropaulo tentam se recuperar nesta sexta, mas não conseguiram sustentar os ganhos registrados pela manhã. Ontem, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) decidiu manter uma liminar do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região e, com isso, manteve suspensa a obrigatoriedade da Eletropaulo de ressarcir imediatamente seus consumidores em R$ 626 milhões. A decisão foi tomada pelo presidente em exercício do Tribunal, a ministra Laurita Vaz, que recusou um recurso apresentado pela Aneel contra a decisão do Tribunal. 

Lupatech (LUPA3, R$ 0,07, +16,67%)
Depois de dispararem mais de 15%, as ações da Lupatech perderam força e fecharam estáveis em meio à comunicado de que a companhia assinou, na quinta, um contrato de venda de sua controlada Jefferson Sudamericana e suas unidades Jefferson Solenoid Valves, Valjeff e Jefferson Solenoidbras com os empresários argentinos Ricardo e Felipe Menendez. De acordo com o comunicado, o preço final da operação foi fixado em US$ 5,7 milhões. 

Souza Cruz (CRUZ3, R$ 22,04, +1,61%)
A Receita Federal autorizou a exportação de cigarros da Souza Cruz para Cuba por meio da atuação da importadora Brascuba Cigarrillos, conforme ato declaratório executivo publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União. A autorização contempla os cigarros da marca Lucky Strike Click & Roll Fresh.

Controlada pelo grupo britânico British American Tobacco, a Souza Cruz, segundo a empresa, é líder do mercado nacional de cigarros, com participação de 77%. Entre suas demais marcas, estão os cigarros Dunhill, Derby e Free.

HRT (HRTP3, R$ 6,28, -0,16%)
Depois da disparada dos últimos dias, as ações da HRT – agora PetroRio – perderam força nesta sessão, embora tenham chegado a subir 22,4% na máxima do dia. Na semana, os papéis acumularam ganhos de 97,48%. A companhia anunciou há poucos dias a aquisição de 80% dos campos de Bijupirá e Salema da Shell, na Bacia de Campos, e do navio FPSO Fluminense, utilizado para a produção de petróleo na área, informado em fato relevante de ontem. Na quarta-feira, o Bank of America Merrill Lynch disse que esse é um bom momento para comprar as ações da companhia, mas manteve recomendação em underperform (desempenho abaixo da média) já que, para os analistas, a estratégia da companhia permanece desafiadora.

Ontem, o Valor Econômico divulgou informação de que o valor da compra de participação da Shell ficou em US$ 150 milhões, no entanto, em comunicado a HRT declara que nenhuma informação neste sentido foi divulgada. Hoje, uma notícia do blog Radar On-line, da Veja, aponta que as conversas entre Nelson Tanure, da HRT, e Eike Batista em torno da OGPar (antiga OGX) seguem intensas. 

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