Guerra na Ucrânia

Rússia diz que mais de 1,7 mil se renderam em Mariupol; EUA reabrem embaixada em Kiev

Soldados estavam entrincheirados na usina siderúrgica Azovstal, último bastião de resistência ucraniana às tropas russas na cidade de 400 mil habitantes

Por  Equipe InfoMoney -

A Rússia afirmou nesta quinta-feira (19) que mais de 1,7 mil combatentes ucranianos já se renderam na cidade portuária de Mariupol nesta semana. O anúncio foi feito um dia após os Estados Unidos se tornarem mais um país ocidental a reabrir sua embaixada em Kiev, capital da Ucrânia, após três meses.

O governo russo anunciou que 1.730 soldados ucranianos que estavam entrincheirados na usina siderúrgica Azovstal, em Mariupols, incluindo 771 nas últimas 24 horas; o governo ucraniano não confirmam a informaçõa.

Autoridades ucranianas confirmaram a rendição de mais de 250 combatentes na terça-feira (17), mesmo dia em que anunciou a retirada completa de suas tropas da cidade portuária, mas não disseram quantos ainda estavam dentro da usina.

“Ainda há muitas pessoas em Azovstal e continuamos a negociar para tirá-los de lá”, disse à BBC a vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar, afirmando que a operação de resgate na siderúrgica só será concluída quando todos os defensores de Mariupol forem evacuados para territórios sob controle ucraniano.

“O Estado está fazendo o máximo para resgatar nosso pessoal militar”, se limitou a dizer o porta-voz militar Oleksandr Motuzaynik em entrevista coletiva. “Qualquer informação ao público pode colocar em risco esse processo.”

O prefeito de Mariupol, Vadym Boichenko, disse que o presidente Volodymyr Zelensky, a Cruz Vermelha e a ONU estão envolvidos nas negociações, mas não deu mais detalhes da afirmação. Já o líder dos separatistas pró-Rússia que controlam a região, Denis Pushilin, disse a uma agência de notícias local que os principais comandantes ainda estavam na usina.

Chefe da autoproclamada república de Donetsk, Pushilin afirmou que um tribunal decidirá o destino dos combatentes ucranianos que se renderam e que qualquer um considerado “criminoso de guerra neonazista” deve ser julgado internacionalmente.

Embaixada americana em Kiev

Depois que a Rússia mudou a estratégia da invasão, ao desistir de tomar a capital Kiev e concentrar suas forças na região de Mariupol e no Donbas, no leste da Ucrânia, a vida começa a voltar ao “normal” na cidade e os Estados Unidos disseram que retomaram as operações em sua embaixada na quarta.

“O povo ucraniano… tem defendido sua pátria diante da invasão inescrupulosa da Rússia e, como resultado, a bandeira dos Estados Unidos está na embaixada mais uma vez”, disse o secretário de Estado americano, Antony Blinken.

Um pequeno número de diplomatas retornará inicialmente para a missão, mas as operações consulares não serão retomadas imediatamente, segundo o porta-voz do local, Daniel Langenkamp.

Canadá, Reino Unido e outros países também retomaram recentemente as operações de suas embaixadas na capital ucraniana.

Vitória russa

Mas a rendição na siderúrgica Azovstal permite que o presidente russo, Vladimir Putin, reivindique uma rara vitória e sinaliza o fim próximo de um cerco de quase três meses à cidade portuária de mais de 400 mil habitantes, onde o governo ucraniano diz que dezenas de milhares de pessoas morreram sob bombardeios russos.

Autoridades ucranianas falaram em organizar uma troca dos prisioneiros que se renderam, mas as russas dizem que nenhum acordo foi feito para os combatentes — muitos deles integrantes do batalhão de Azov, um grupo de extrema-direita que combate forças russas desde a anexação da Crimeia, em 2014.

A Rússia afirma que mais de 50 combatentes feridos foram levados para tratamento em um hospital, e outros foram levados para uma prisão, ambos em cidades ucranianas controladas por separatistas pró-Rússia.

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