Destaques da Bolsa

Rumo desaba 17%, siderúrgicas afundam 5% e Braskem dispara 6%; veja mais

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira

SÃO PAULO – Com volume financeiro baixo, o Ibovespa teve sessão de alta nesta quinta-feira (7), em meio às notícias negativas para o governo, que ofuscaram a queda das bolsas internacionais. As ações da Petrobras, que caíram ontem apesar da disparada do petróleo, subiram hoje, assim como os bancos, enquanto a Vale não conseguiu sustentar a alta registrada durante esta manhã, fechando em queda.

Os investidores aguardam notícias políticas que possam confirmar a ruptura do governo Dilma Rousseff. Em compasso de espera, o dólar subiu nesta sessão, se afastando da correlação histórica negativa que carrega com a Bolsa. O dólar futuro registrava alta de 1,21%, a R$ 3,714, e ajudava a sustentar os ganhos das ações com perfil exportador, como Braskem, que liderou os ganhos do Ibovespa nesta sessão. Em relação à empresa, aparece no radar também noticiária de que a Braskem Idesa produziu hoje o primeiro lote de polietileno no Complexo Petroquímico do México. Já do lado negativo do índice, as ações da Rumo foram a maior queda, em meio à expectativa de perda milionária em disputa com Agrovia. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 9,94, +2,16%; PETR4, R$ 7,70, +1,58%)
As ações da Petrobras subiram nesta sessão, corringindo parte das perdas da véspera quando os papéis caíram forte apesar da disparada dos preços do petróleo. Hoje, no entanto, a commodity teve queda no externo. O contrato brent registrou queda 0,58%, a US$ 39,61 o barril, depois de ter subido 5% ontem. 

No radar da companhia, segundo informações do jornal Valor Econômico, citando relatórios sigilosos da Petrobras, a estatal teria aprovado investimento de US$ 26 bilhões em uma refinaria e dois polos petroquímicos mesmo sabendo que jamais dariam retorno. Quando foram feitos os primeiros estudos de viabilidade para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e a Petroquímica de Suape, as avaliações da Petrobras demonstravam que todas as obras teriam valor negativo – os resultados futuros não remunerariam os bilhões investidos, diz o jornal. O Comperj e Rnest foram inseridas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), concebido em 2007 como uma das principais vitrines políticas do governo federal. 

Vale e siderúrgicas 
Depois de alta de cerca de 3% durante a manhã, as ações da Vale (VALE3, R$ 15,01, -0,40%; VALE5, R$ 11,25, -1,32%) perderam força e fecharam em queda, seguidas pelos papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 6,02, -1,95%), holding que detém participação na mineradora. Já as siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 6,13, -1,92%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,21, -5,15%), Usiminas (USIM5, R$ 1,47, +1,38%) e CSN (CSNA3, R$ 7,59, -0,78%) encerraram a sessão em sentidos opostos, mesmo após forte queda na véspera.   

No noticiário, a Samarco, joint venture entre a Vale e BHP Billiton, não poderá voltar a operar até que cesse vazamento, segundo informações da Reuters. A autoridade ambiental de Minas Gerais avalia que a Samarco deverá encontrar uma solução para o problema nos próximos meses, mas ressaltou que a licença para a retomada das operações da empresa só será efetivamente liberada após o vazamento ser estancado. As controladoras da Samarco esperam que a mineradora volte a operar para gerar receita e arcar com os custos de indenizações bilionárias acertadas com o governo federal, como reparações pelo vazamento, considerado o maior desastre ambiental do Brasil.

Exportadoras
As ações expostas ao câmbio subiram forte hoje, com a petroquímica Braskem (BRKM5, R$ 23,25, +6,15%) liderando os ganhos do Ibovespa. Na sequência, apareceram os papéis da Suzano (SUZB5, R$ 11,30, +0,98%), do setor de papel e celulose, além da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 22,71, +1,75%), em meio à alta do dólar frente ao real. O contrato futuro do dólar marcava alta de 1,21%, a R$ 3,714, nesta tarde.

Além da contribuição da alta do dólar, a Braskem informou hoje que a Braskem Idesa, sua joint venture com o grupo mexicano Idesa, produziu nesta quinta-feira seu primeiro lote de polietileno no México. Após a partida da primeira planta de polietileno de alta densidade, ocorrida hoje, a expectativa é de que as outras duas plantas de polietileno comecem a operar ainda neste mês. 

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Segundo analistas do Citi, o projeto deve adicionar aproximadamente US$ 400 milhões no Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Braskem em 2016 e US$ 650 milhões em 2017. A expectativa é que até o final deste ano a planta atinja 85% de sua capacidade instalada, implicando em uma média de utilização de 50% em 2016. Em relatório, os analistas comentaram que seguem com recomendação de compra para as ações da Braskem. 

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 5,50, +6,12%)
As ações da small cap Brasil Pharma dispararam após notícia de O Estado de S. Paulo de que a companhia vendeu fatia de 40% na Beauty’in. 

Rumo (RUMO3, R$ 2,70, -16,92%)
As ações da Rumo desabaram em meio à expectativa de perda milionária em disputa com a Agrovia. Fontes disseram à Reuteres que a indenização que a empresa terá que pagar deve ser de cerca de R$ 101 milhões, enquanto informações do Valor apontavam nesta manhã um montante superior a R$ 300 milhões.

A Rumo está em disputa com a Agrovia em um processo arbitral instaurado em 2012 contra a ALL, empresa de logística que se uniu a Rumo, criando a Rumo Logística.

Em comunicado ao mercado nesta quinta-feira, a Rumo afirmou que a sentença arbitral parcialmente favorável à Agrovia, proferida em dezembro, limitou os valores de indenização, “afastando danos emergentes e lucros cessantes pleiteados”. Em seu formulário de referência, a Rumo havia estimado a perda de 101 milhões de reais com o caso, acrescentando que o valor poderia variar conforme a liquidação da condenação e atualização monetária dos respectivos montantes.

Procurada pela Reuters, a Agrovia não tinha representantes disponíveis para comentar o tema de imediato.

BTG Pactual (BBTG11, R$ 17,17, +2,20%)
O comitê especial de investigação do BTG Pactual não encontrou indícios para basear alegações de corrupção ou atos ilícitos praticados pelo ex-diretor André Esteves ou por empregados do grupo, segundo comunicado enviado ao mercado. O comitê foi criado em dezembro de 2015 para investigar alegações de corrupção e ilícitos relacionados à prisão de André Esteves em novembro de 2015, na Operação Lava Jato. Segundo o comunicado, o banco fez doação de R$ 1 milhão ao Instituto Lula após fim do mandato do ex-presidente e o contratou para três palestras, a US$ 200 mil cada, dentro da regularidade.  

JBS (JBSS3, R$ 10,20, +3,13%)
O resultado do 1° trimestre da JBS deve apresentar perda de até R$ 5 bilhões em hedges cambiais, disse uma pessoa a par do assunto que pediu para não ser identificada à Bloomberg. Em 2015, a empresa registrou ganho de R$ 10,6 bilhões com operações de hedge contra a desvalorização do real. Segundo a fonte, a JBS liquidou cerca de US$ 2,5 bilhões dos US$ 12 bilhões que mantinha em contratos de hedge para evitar prejuízos adicionais nesse trimestre.  

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Oi (OIBR4, R$ 1,03, -0,96%)
Segundo informações de O Estado de S. Paulo, o governo descarta ajuda financeira à operadora Oi. A situação da companhia segue extremamente complicada, com uma dívida líquida de R$ 43 bilhões e um Ebitda abaixo de R$ 8 bilhões, o que leva a uma alavancagem de 5,4 vezes, que deve seguir se elevando, comentaram os analistas da XP Investimentos. Eles seguem céticos com o ativo, que necessita de um aumento de capital ou a busca para um comprador ou mesmo venda de ativos para os outros três players do mercado: TIM, Claro e Vivo. 

BM&FBovespa e Cetip
Os conselhos de administração da Cetip (CTIP3, R$ 41,28, +0,49%) e da BM&FBovespa (BVMF3, R$ 15,15, +1,27%) devem aprovar, nesta quinta-feira, a proposta de fusão entre as companhias, apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Segundo fontes, os dois grupos devem se reunir para tratar da proposta feita pela bolsa à depositária. Com isso, as empresas estão muito próximas de combinar seus negócios e criar uma nova empresa com valor de mercado de cerca de R$ 40 bilhões. 

Para a transação se concretizar, depois do aval dos conselhos, a combinação das atividades das empresas deverá ser aprovada em assembleia de acionistas. Como todo o processo de fusão ou aquisição do setor, posteriormente terá de passar pelo crivo do Banco Central (BC), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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