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SÃO PAULO – Sempre incisivo em suas análises, Nouriel Roubini não deixou margem para interpretação em seu último diagnóstico: a economia norte-americana irá sofrer danos extensivos caso não sejam adotadas, imediatamente, políticas trabalhistas contundentes.
Em artigo publicado na imprensa norte-americana, o Dr. Doom (apelido pelo qual ficou conhecido em suas previsões sobre a crise financeira) apontou para o perigoso padrão da taxa de desemprego nos Estados Unidos, que, cada vez mais, conta com fatores persistentes.
Persistência
Apesar da desaceleração da perda de postos de trabalho e de registros de novos pedidos por auxílio-desemprego apontarem para uma melhora na situação do emprego no país, o horizonte ainda se mostra ameaçador quando se olha para o número de pessoas que continuam recebendo os benefícios. “Muitas das vagas perdidas foram-se para sempre” alertou.
“Baseado no meu melhor julgamento, a taxa de desemprego provavelmente irá atingir máxima próxima de 11% e se manterá em um nível muito alto pelos próximos dois anos, ou mais” aponta.
Porém, a questão não se reduz apenas à redução no número de empregados. O professor da Universidade de Nova York destaca outra tendência que surge com o enfraquecimento do mercado de trabalho: o número de horas trabalhadas também vem sofrendo redução. “A redução das horas de trabalho é equivalente a perda de mais 3 milhões de vagas de trabalho integrais”.
Esperança
Existe apenas uma esperança, segundo Roubini, “uma ousada medida que aumente os estímulos fiscais com uma nova leva de projetos de infraestrutura, envolvendo emprego de mão-de-obra extensiva, ajudando estados e municípios que atravessam problemas fiscais e fornecendo isenções temporárias para o setor privado, incentivando a contratação de trabalhadores”.
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Caso contrário, o cenário futuro para a maior economia do mundo não é animador. Como resultado da fraqueza do mercado de trabalho, a recuperação do consumo será anêmica, levando a um aumento no déficit orçamentário e na inadimplência, o que, por sua vez, acarretará em queda nos preços de imóveis, em maiores prejuízos para as instituições financeiras e um maior número de falências de bancos.