Rodada de Doha não deve ser concluída em 2011 e está em sério risco, diz OMC

Diferenças entre os países membros sobre cortes tarifários leva a uma situação atualmente insuperável, alerta Pascal Lamy

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SÃO PAULO – A Rodada de Doha teve início há dez anos para resolver questões comerciais de países membros da OMC (Organização Mundial do Comércio), e deveria ter sido concluída em 2006. No entanto, além de não resolvidas até agora, as negociações estão em sério risco, alertou nesta quinta-feira (21) o diretor da organização, Pascal Lamy.

O principal entrave para as negociações consiste nas diferenças entre os países acerca das tarifas do NAMA (Acesso aos Mercados de Produtos Não-Agrícolas, na sigla em inglês, que correspondem a cerca de 90% das mercadorias exportadas no mundo e indicam, na prática, os bens manufaturados), que “efetivamente bloqueiam o progresso e colocam em séria dúvida a conclusão da rodada neste ano”.

As diferenças abrigam questões como a proporção e o equilíbrio dos cortes tarifários para as indústrias e para os setores industriais entre os países membros. “Eu acredito que nós estamos frente a uma clara diferença política que, como as coisas estão, considerando o cenário das negociações e o que eu ouvi em minhas consultas, não é superável atualmente”, alerta Lamy.

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“É uma situação grave para a rodada de Doha e para todos os esforços e objetivos que ela simboliza. Contudo, é a nossa realidade, e devemos encará-la de frente para conseguir achar um caminho juntos”, escreve o diretor. 

OMC desatualizada
O diretor geral da entidade relembra que as regras formuladas pela organização datam de 1995 – e, desde então, o mundo comercial avançou. Portanto, para Lamy, a OMC precisa se atualizar para acompanhar o mundo dos negócios – tanto o atual como o das próximas gerações -, em um trabalho conjunto para preservar o sistema de comércio multilateral, que se mostrou valioso na recente crise econômica.

Por outro lado, em um tom mais otimista, Lamy revela que sente um compromisso entre os participantes para atingir os objetivos da rodada, e que realmente existe um desejo para encontrar uma saída desta situação, “apesar que, no momento, há pouca clareza sobre qual seria essa saída”.

Reunião dia 29
Como a solução não é algo tão simples como “parar e reiniciar”, o diretor geral da OMC pede para que os membros utilizem os próximos dias para refletirem sobre quais serão os próximos passos a serem tomados, que devem ser discutidos na próxima reunião, marcada para o dia 29 deste mês.