Risco-País sobe três pontos, refletindo temor com cenário externo

Preocupações com situação econômica da Grécia pressionaram mercado, assim como divulgação da ata da reunião do Fomc

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SÃO PAULO – O indicador de risco-País registrou alta de três pontos-base nesta quarta-feira (15), atingindo 205 pontos. Os investidores seguiram apreensivos diante divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee) e os temores sobre um possível default desordenado da Grécia. Alguns membros do Federal Reserve avaliaram que mais uma rodada de compras de bônus pelo banco central seria necessária em breve para dar apoio à economia dos Estados Unidos, apesar dos outros membros demonstrarem mais cautela.

O Fed, contudo, mostrou que espera uma melhora no crescimento da economia do país no segundo semestre, destacou a ata da última reunião da autoridade monetária norte-americana. Neste ano, o Fed espera que o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA mostre crescimento entre 2,2% e 2,7%, enquanto que para o próximo ano a autoridade monetária norte-americana acredita em um avanço econômico entre 2,8% e 3,2%.

Europa no radar
O atraso na entrega do pacote de resgate à Grécia, após os ministros das Finanças da Zona do Euro cancelarem a reunião em Bruxelas na véspera, pressionou o mercado nesta sessão, uma vez que reforça temores sobre um possível default desordenado do país.

Nesta manhã, contudo, os investidores acompanharam dados otimistas da economia da Alemanha e França, além do prometido auxílio chinês para a resolução da crise europeia. O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou na última terça-feira que a China pode usar o EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) e o ESM (Mecanismo de Estabilidade Financeira) para ajudar a resolver a dívida fiscal do continente.

Ademais, o mercado se viu aliviado pela divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) da Zona Euro e da União Europeia, que caiu apenas 0,3% entre outubro e dezembro do ano passado, na comparação com o trimestre anterior, números considerados acima do esperado pelo mercado. Destaque positivo para o desempenho da atividade econômica de Alemanha e França.

Agenda
Entre os indicadores econômicos reportados nesta quarta nos Estados Unidos, destaque para a produção industrial norte-americana, que apresentou estabilidade em janeiro, resultado abaixo das projeções do mercado, de alta de 0,6%. Por outro lado, o New York Empire State Index revelou que a atividade industrial da região dos EUA chegou a 19,5 pontos positivos em fevereiro, ficando bem acima das expectativas do mercado, em torno de 14,0 pontos positivos e da medição anterior, que registrou 13,5 pontos positivos.

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Já na agenda doméstica, os dados do fluxo cambial apontaram superávit de US$ 7,622 bilhões na 2ª semana de fevereiro. O maior ingresso da divisa norte-americana para cá ajuda a depreciar seu valor em relação ao real. Por fim, a FGV (Fundação Getulio Vargas) revelou o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) do mês de fevereiro, que apontou inflação de 0,04%.

Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou em baixa de 0,01% na noite desta quarta-feira, cotado a 133,05 centavos de dólar.

Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 205 pontos-base.

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O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.

Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.

Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.