Risco-País interrompe sequência de altas e fecha em baixa de 14 pontos

A despeito da queda no mercado interno, indicador calculado pelo JP Morgan reflete alta nas bolsas estrangeiras, de olho no Fomc

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SÃO PAULO – O indicador de risco-País encerrou a sessão desta segunda-feira (9) em forte queda de 14 pontos-base, atingindo 194 pontos. O movimento do indicador, a despeito da baixa na bolsa interna, refletiu a valorização nos principais mercados internacionais puxada pela expectativa para a decisão de política monetária nos Estados Unidos.

Sem indicadores de relevância na agenda, os investidores operaram sobre a expectativa do desfecho da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), nos Estados Unidos. A decisão será anunciada na próxima sessão, dia 10 de agosto.

Apesar de o consenso do mercado se voltar amplamente para a décima manutenção consecutiva da taxa básica de juros norte-americana em seu menor patamar histórico, entre 0% e 0,25% ao ano, a percepção quanto à recuperação da economia dos EUA tem se modificado, e deve estar explicita no relatório de conclusão do encontro do Fed.

“Há mais interesse do mercado em torno do comunicado do Fomc do que normalmente, dados os renovados sinais de uma desaceleração nos Estados Unidos e comentários mais cautelosos sobre as perspectivas por parte de Ben Bernanke e outros membros do Fomc”, explicaram os analistas do Wells Fargo.

A maior importância dada à reunião deve-se às expectativas de uma nova rodada de flexibilização quantitativa, que, por sua vez, foram geradas a partir da constatação da perda de momentum da recuperação econômica. É só notar, por exemplo, a perda de 131 mil postos de trabalho nos Estados Unidos em julho, a forte alta nos pedidos de auxílio-desemprego na última semana e a queda no volume de encomendas à indústria em junho. A desaceleração da inflação e o crescente temor deflacionário também pesam na percepção dos analistas.

Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou em alta de 0,65% na noite desta segunda-feira, cotado a 138,15 centavos de dólar.

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Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 194 pontos-base.

Confira abaixo as cotações dos principais ativos da dívida externa brasileira:

 Ativo Último Fech. Anterior Var %
 Global 40 138,15 137,25 +0,65

O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.

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Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.

Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.