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SÃO PAULO – Com a intensificação do processo de integração dos mercados internacionais ao longo dos últimos anos, surgiu a necessidade da criação de indicadores que analisassem com consistência o risco de se investir em títulos soberanos, principalmente de países emergentes, considerados de maior risco.
Neste contexto, o conglomerado norte-americano JP Morgan criou, em 1992, o indicador de risco país. Apesar de ser amplamente debatido e abordado pela imprensa nacional, muita gente ainda não sabe como o índice é calculado ou mesmo o que ele representa.
Metodologia do indicador
Alguns investidores ainda questionam a credibilidade do que é hoje o principal indicador da confiança do investidor externo na economia brasileira. No entanto, não há nenhum critério subjetivo para a determinação do risco país.
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Para o cálculo do índice, o JP Morgan considera o diferencial de juros oferecidos pelos títulos soberanos do país em questão e os compara aos juros dos Treasuries, papéis do Tesouro norte-americano, de prazo equivalente. Para citar um exemplo ilustrativo: se os títulos brasileiros pagam juros menores, isso pode indicar que a percepção de risco por parte dos investidores melhorou e o risco Brasil cai. Vale o raciocínio inverso caso os papéis brasileiros passem a oferecer uma maior rentabilidade ao investidor.
Padronização da unidade de medida
Se o risco país é um diferencial de juros, por que então ele é cotado em pontos base? Ocorre que grande parte dos diferenciais de juros não é tão expressiva quanto os do Brasil, sendo, portanto, multiplicados por 100 para facilitar a compreensão do indicador.
Por exemplo, o risco Brasil atualmente é cotado perto dos 375 pontos base, significando que o diferencial de juros dos títulos brasileiros em relação aos Treasuries de mesmo prazo é de cerca de 3,75%. Basta multiplicarmos os 3,75% por 100 e chegaremos aos 375 pontos.
Vantagens de um risco país menor
Ao verem a possibilidade de adquirir um título no mercado internacional, os investidores, além de se voltarem para a rentabilidade de sua aplicação, preocupam-se com o risco do investimento. Um país que tem uma menor percepção de risco, considerado um “bom pagador”, pode vender seus papéis com um yield, ou retorno, menor, o que tem um impacto positivo sobre suas contas.
O aspecto acima apresentado basicamente explica o motivo do governo norte-americano, historicamente considerado um bom pagador, oferecer uma baixa rentabilidade por seus papéis, enquanto países como Brasil, Venezuela e Argentina têm a necessidade de lançar os títulos a um yield maior para atrair o interesse dos investidores.
Atual patamar do risco país
Na sessão da última segunda-feira, 7 de março, refletindo o bom desempenho dos títulos da dívida externa brasileira, o risco Brasil atingiu o menor patamar desde outubro de 1997, enaltecendo a melhor percepção da comunidade financeira internacional em relação à economia brasileira.
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O indicador vem em sistemática queda, recuperando-se dos níveis estratosféricos do ano de 2002, quando ultrapassou a barreira dos dois mil pontos, por conta dos temores do mercado em relação ao governo Lula.
No entanto, analistas acreditam que ainda há espaço para quedas do índice, uma vez que há um longo caminho para que o país atinja o investment grade, ou grau de investimento, ou seja, represente uma aplicação de fato segura aos investidores.
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