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SÃO PAULO – A agência de classificação de risco Fitch, que graduou o Brasil como investment grade no final de março, afirmou que o risco dos países emergentes aumentou drasticamente desde o começo da crise e continua a se deteriorar.
As nações em desenvolvimento têm sido excessivamente penalizadas pela queda no fluxo de investimentos e financiamentos dos bancos internacionais, além da redução no preço das exportações, que afeta principalmente os produtores de commodities.
Para a agência, os emergentes não devem mostrar na média um quadro recessivo no acumulado de 2009. Ainda assim, sofrerão forte desaceleração nos patamares de crescimento apresentados anteriormente. A projeção da Fitch é que o bloco dos emergentes cresça 2,5% no próximo ano.
Para se ter uma idéia, esta média dos emergentes girou em torno de 6% no primeiro semestre deste ano. Somente nas crises asiática e russa de 1998 que esta média mostrou patamar inferior. Para a China, a projeção é de crescimento de 6% no PIB (Produto Interno Bruto) em 2009; se confirmado, será a taxa mais baixa desde 1990 para o país asiático.
Melhora nos fundamentos
Em meio a tanta cautela, o investidor logo lembra dos ratings destes países. A Fitch citou que os países que mais sofrem são os do leste europeu. Muitos ratings de emergentes já caíram naquela região, penalizada diretamente pelo desequilíbrio do sistema financeiro europeu.
A Fitch não comentou diretamente a classificação do Brasil, mas destacou que os fundamentos de diversos países emergentes estão mais sólidos atualmente que nas turbulências enfrentadas anteriormente.
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Crise monetária
As injeções maciças de moeda recentemente anunciadas pelos Bancos Centrais da região trazem uma preocupação extra para a agência. A Fitch considera o risco de uma crise monetária, haja vista que os investidores e público migram para as divisas estrangeiras, impactando o valor da moeda local.
“A deterioração das finanças públicas, se não corrigidas, pode minar a confiança na sustentabilidade fiscal de médio prazo e conseqüentemente deteriorar ainda mais as condições de crédito e os ratings dos países”, concluiu a Fitch.