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SÃO PAULO – Considerando o aumento do risco de racionamento de energia no Brasil e a volatilidade das ações do setor de mineração e siderurgia, os analistas do HSBC traçaram alguns pontos de vista sobre a situação atual e analisaram os períodos anteriores de racionamento como, em 2001.
E avaliam que, dentro do universo de cobertura do Brasil, a Vale (VALE3;VALE5) seria a empresa mais protegida contra riscos de racionamento, pois é basicamente uma exportadora – poucos embarques domésticos -, os preços do minério de ferro são estabelecidos na China e a empresa pode futuramente ganhar com a desvalorização do real. Dentre as siderúrgicas, as mais expostas ao risco de racionamento são a Usiminas (USIM5) em maior grau e a CSN (CSNA3), estando a Gerdau (GGBR4) no nível intermediário.
Os analistas Leonardo Correa e Luiz Fornari apontam que a CSN, por exemplo, é totalmente autossuficiente em energia e que a companhia é mais uma mineradora do que uma siderúrgica, dado que 65% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) vem da mineração, limitando assim a sua exposição no cenário doméstico.
Já a Gerdau é 30% a 40% autossuficiente em energia no Brasil, com 30% a 35% do Ebitda consolidado gerados no exterior, “funcionando como uma posição natural a uma crise no Brasil”. Por outro lado, a Usiminas é a mais exposta a este cenário, uma vez que é 30% autossuficiente e possui dois contratos de longo prazo com Cemig (CMIG4) e CPFL (CPFE3). “Assim, não está exposta ao aumento das taxas de energia no mercado spot (à vista) e, na verdade, está vendendo alguma energia ‘excedente’ nesse mercado”, ressaltam os analistas.
Impacto limitado, mas é bom ficar de olho…
Os analistas destacam que o impacto direto é limitado, mas a pergunta que vale “ouro” reside nos impactos indiretos, bastante difíceis de precificar.
Em um ambiente de racionamento, pode haver uma redução na demanda e impacto na atividade industrial e na confiança, possivelmente resultando em um excesso de oferta no mercado doméstico de aço e redução nas taxas operacionais do setor. A questão está em qual seria a magnitude da queda na demanda e a duração do racionamento.
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Segundo apontam os analistas, a queda na demanda poderia resultar em uma situação de excesso de oferta no mercado doméstico, causando disputas por participação de mercado entre as usinas, e possíveis descontos nos preços do aço.
“Entretanto, em nossa opinião, algumas linhas específicas de produtos devem sofrer impactos maiores, como bobinas laminadas a quente/chapas e considerando os balanços mais desfavoráveis de O&D (origem e destino) dessas linhas atualmente e adições de oferta”. Por outro lado, para produtos de maior valor agregado, como galvanizados, chapas finas, o mercado doméstico enfrenta hoje escassez de oferta. Portanto, os analistas acreditam que os ajustes devem vir da redução de importações e não de descontos nos preços.
Analisando o último racionamento de energia, ocorrido em 2001 por um período de 7 a 8 meses, Correa e Fornari apontam para um cenário em que a demanda foi impactada, mas que é difícil tirar conclusões definitivas do impacto do racionamento sobre a demanda analisando um período de tempo maior.
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Levando em conta 2001, observa-se que também houve um grande desvalorização do real, e, no caso de um racionamento este ano, assumimos uma tendência similar. “Isso deve servir para compensar a indústria siderúrgica, especialmente considerando que as exportações se tornariam ainda mais atrativas e poderiam aumentar”, avaliam.
E, se 2001 e 2014 são momentos diferentes, com outras variáveis em questão, também pode se destacar que o setor foi duramente atingido naquele ano. Analisando o pico de 2001, o setor sofreu uma correção significativa, com Usiminas, CSN e Gerdau caindo, respectivamente, 65%, 63% e 28%.
“Assim, com base no desempenho histórico, seria possível concluir que pode haver mais potencial de baixa a partir de agora, até que as coisas voltem ao normal. Mas também ressaltamos que o setor teve uma forte recuperação alguns meses depois”, destacam os analistas.
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O que já está precificado?
Os analistas apontam que, em uma empresa como a Usiminas, uma queda de 5% nos embarques domésticos em 2014 e um desconto nos preços de minério estão precificados. Mas avaliam que esse cenário pode ser demasiadamente pessimista, especialmente porque eles veem um risco menor para o ambiente de preços e não prevemos uma guerra de preços grave, uma vez que o setor pode impulsionar as exportações com margens razoáveis.