Risco-Brasil sobe 5 pontos, refletindo tensão do mercado com protestos na Líbia

Investidores analisam noticiário sobre manifestações no país e nova disparada do petróleo, e indicador chega aos 185 pontos

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SÃO PAULO – Cresce no mercado a aversão ao risco em decorrência do agravamento das manifestações populares na Líbia e da retaliação agressiva do governo. Com isso, as bolsas na Europa e nos EUA terminaram o pregão com perdas acentuadas, e o indicador de risco-Brasil marcou alta de 5 pontos-base, chegando aos 185 pontos-base

Um dia após o líder Muammar Gaddafi prometer continuar no cargo que ocupa há mais de 40 anos e dizer na televisão estatal que desejava “morrer como um mártir” na Líbia, o país continuou a presenciar fortes protestos e comemorou a libertação da cidade de Benghazi, localizada no oeste do país. Ao mesmo tempo, centenas de estrangeiros iniciaram um movimento de fuga que não se via desde a última década.

Sem a cobertura consistente dos conflitos na Líbia, restou à mídia internacional divulgar rumores e reações oficiais aos protestos. Desta forma, o noticiário foi permeado por estimativas de mortos – o ministério do Exterior da Itália avalia que o número já chegue a mil. Já a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) estimou os mortos em 640, dos quais 130 seriam militares da região de Benghazi, executados por se negarem a disparar contra os manifestantes.

Com o temor de que as manifestações se estendam a outras economias da região, rica em petróleo, a cotação da commodity voltou a subir forte nesta quarta-feira (23). Cresce no mercado a preocupação de contágio desta disparada do petróleo sobre a inflação, em tempos em que emergentes como Brasil e China sofrem com a alta dos preços e seus bancos centrais já tomam medidas de controle monetário.

Aumento das reservas do BC
O Banco Central brasileiro divulgou nesta quarta-feira os dados do fluxo cambial acumulado em fevereiro até o dia 18, com saldo positivo de US$ 3,546 bilhões apesar do fluxo deficitário em US$ 569 milhões do comércio, compensado pelo saldo positivo do fluxo financeiro, de US$ 4,115 bilhões. Com as constantes aquisições de dólar no mercado, as reservas internacionais somavam S$ 303,408 bilhões até a sexta-feira passada, mostrou o relatório do BaCen.

As intervenções do governo no mercado de câmbio colaboraram para o aumento das reservas internacionais do Banco Central, que até a última sexta-feira eram de US$ 303,408 bilhões. De acordo com o relatório de fluxo cambial, divulgado pelo Banco Central, foram adquiridos US$ 6,583 bilhões no mercado cambial à vista em fevereiro, enquanto que no mercado a termo, as intervenções do BC somam US$ 362 milhões.

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Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou em baixa de 0,41% na noite dessa quarta-feira, cotado a 134 centavos de dólar.

Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 185 pontos-base.

O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.

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Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.

Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.