Risco Brasil: perto do mínimo histórico, mas ainda elevado em termos relativos

Mesmo após forte queda do risco Brasil nos últimos anos, maioria dos emergentes registra indicador melhor que o brasileiro

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SÃO PAULO – A tendência de queda do indicador EMBI (Emerging Markets Bond Index), também chamado de risco-país, fica evidente nos últimos anos. Por outro lado, os motivos que levam à diminuição da percepção de risco dos investidores sobre os países emergentes é um assunto que requer uma análise mais cuidadosa.

Também requer cuidado a análise isolada da tendência do indicador para um único país, como o Brasil, por exemplo. Apesar da forte queda nos últimos anos, o risco Brasil ainda é superior à maioria dos principais mercados emergentes.

O que é o risco-país?

Calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, o indicador tem o objetivo de medir a percepção de risco dos investidores e toma como base a cotação dos títulos da dívida externa destes países negociados no mercado internacional.

A partir do spread, ou diferencial de juros que estes títulos pagam em relação aos títulos do Tesouro norte-americano, o banco calcula o prêmio exigido pelos investidores. Assim, se o diferencial médio é de 1%, o risco-país é de 100 pontos-base.

Números evidenciam tendência

Para perceber a redução da percepção de risco do investidor externo basta observar os números dos últimos anos.

No Brasil, o indicador, que chegou a ultrapassar os 2 mil pontos na disputa eleitoral de 2002, fechou 2003 abaixo dos 500 pontos, recuando além dos 400 pontos em 2004 e se aproximando dos 300 em 2005. Hoje, ele gira próximo aos 220 pontos-base.

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Mas o movimento não é exclusivo do Brasil. No México, por exemplo, o indicador chegou a operar abaixo dos 100 pontos-base no final do ano passado e na Argentina, este recuou de 7.000 – durante a crise do país – para 300 pontos em menos de um ano.

Mas o que explica este movimento?

São muitos os fatores que contribuíram para a redução do risco país dos principais países emergentes. Talvez o principal deles seja o elevado grau de liquidez do mercado financeiro internacional, pelo menos até a metade deste ano. Isso reduziu a aversão ao risco dos investidores e, por conseqüência, o prêmio exigido para o investimento nos emergentes.

Destaque também para a percepção dos próprios países emergentes, de que precisam manter uma boa relação com o mercado financeiro internacional. Tal percepção fez com que as medidas de estabilização macroeconômica, como o controle da inflação e a redução dos gastos públicos, se disseminassem em muitos países, melhorando as perspectivas de pagamento de suas dívidas.

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Outro ponto que pode ser apontado é a trajetória positiva dos preços das commodities e a conseqüente melhora das contas externas destes países, gerando um superávit que, ao contrário de experiências anteriores, foi utilizado para a melhora dos perfis das dívidas já adquiridas.

Risco Brasil ainda acima da média

Embora o risco Brasil tenha caído de forma significativa, ele ainda fica em um grupo intermediário, dentre os principais mercados emergentes. Na faixa de 220 pontos base, não se encontra distante de países como Colômbia, Turquia, Venezuela e Filipinas. Vale lembrar que, dentre os principais mercados, somente três ficam acima dos 300 pontos: Argentina, Nigéria e Equador.

Por outro lado, a maioria dos principais mercados emergentes registra risco inferior ao brasileiro. Na faixa entre 100 e 200 pontos ficam economias como México, Rússia, Peru, Ucrânia e Panamá. Já abaixo do patamar de 100 pontos base, destaque para países como Bulgária, Egito, Marrocos, Polônia e África do Sul.

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Outros indicadores corroboram movimento

Não é só o risco-país que aponta para a melhora da percepção creditícia dos investidores. As notas de risco dos emergentes também melhoraram nos últimos anos. No Brasil, por exemplo, 2006 já contou com a elevação do rating brasileiro pelas três principais agências internacionais.

Argentina e Turquia, entre outros, também tiveram suas notas de risco elevadas desde o início de janeiro.