Risco argentino bate recorde em dia de pânico no mercado

O adiamento do anúncio do novo pacote argentino, em função da falta de acordo entre o Ministro da Economia, Domingo Cavallo, e os governadores das províncias trouxe forte incerteza ao mercado nesta segunda feira, derrubando a Bolsa de Buenos Aires em 8,67% e levando o risco país argentino a atingir 2.003 pontos, seu novo recorde […]

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O adiamento do anúncio do novo pacote argentino, em função da falta de acordo entre o Ministro da Economia, Domingo Cavallo, e os governadores das províncias trouxe forte incerteza ao mercado nesta segunda feira, derrubando a Bolsa de Buenos Aires em 8,67% e levando o risco país argentino a atingir 2.003 pontos, seu novo recorde desde 1995.

Títulos da dívida externa e bolsa despencam

Em uma jornada negra para o mercado argentino, alguns dos principais títulos da dívida externa argentina, como o FRB e o Global 2008 caíram mais de 10%, levando o risco país a seu nível recorde, tirando da Nigéria o título de país mais arriscado do mundo. Após os eventos desta segunda-feira, o risco argentino está avaliado a 2.003 pontos, 22 pontos acima do país africano. O Brasil, que aparece em quinto lugar, chegou a 1.191 pontos.

A bolsa de Buenos Aires também sentiu a falta de consenso interno para tentar resolver a crise que atinge o país. O índice Merval caiu 8,67%, a maior queda desde 1999, com destaque para as baixas nas ações do Banco Galícia (-13,35%) e da Telecom Argentina (-11,20%).

Parte do mercado acredita em moratória

A falta de alternativas viáveis para o governo argentino cumprir suas obrigações tanto internas como externas leva parte do mercado a acreditar que a Argentina declare o que as agências de classificação de risco chamam de “moratória seletiva”. Isto significa que o governo proporia uma nova reestruturação da dívida, no qual os credores teriam que enfrentar pesadas perdas. Para as agências de classificação de risco como a Moodyïs e a Standard & Poors, isto equivale a decretar uma espécie de moratória, já que a decisão de reestruturação da dívida seria tomada de forma unilateral, prejudicando os credores.

Por outro lado, as autoridades argentinas não classificam a reestruturação de dívida como moratória, apostando que a reação do mercado será positiva, assim como ocorrido no mega swap de dívida externa realizado em junho deste ano. O ministro Cavallo já adiantou que está buscando as garantias necessárias junto aos organismos internacionais, como o FMI, para realizar a reestruturação que ele considera “voluntária”.

Mercado brasileiro acompanha apreensivo

Influenciada não somente pela deterioração da situação argentina, mas também pelo desempenho ruim dos mercados acionários norte-americanos e europeus, o índice Bovespa fechou esta segunda-feira em queda de 3,42%, cotado a 11.377 pontos. O dólar comercial, por sua vez, teve um dia relativamente tranqüilo, fechando o dia a R$ 2,724, ligeira queda de 0,11%.

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Dentro do clima de incerteza na Argentina, é provável que o mercado brasileiro continue apresentando sinais de nervosismo, o que pode afetar tanto a bolsa como o mercado de câmbio e juros nos próximos dias.

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