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O Rio de Janeiro está se transformando em um dos principais casos de formalização do mercado de combustíveis no Brasil, em um movimento que pode beneficiar distribuidoras e redes de postos que operam dentro das regras, segundo relatório do Bradesco BBI divulgado nesta semana.
Na avaliação do banco, uma combinação de reformas administrativas, endurecimento da fiscalização tributária e combate a fraudes no setor vem reduzindo a participação de agentes informais no mercado fluminense, criando oportunidades de ganho de participação para operadores formais como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3).
O estudo aponta que a mudança ganhou força sob a gestão interina do governador Ricardo Couto, magistrado de carreira e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Segundo o BBI, a ausência de vinculação partidária permitiu ao governador avançar em medidas que administrações anteriores tiveram dificuldades para implementar, incluindo uma ampla reorganização da máquina pública e o reforço da atuação da Secretaria da Fazenda contra sonegação e concorrência desleal.
Um dos reflexos mais visíveis dessa mudança aparece na arrecadação tributária. De acordo com as verificações de campo realizadas pelo banco, a arrecadação de tributos sobre combustíveis no estado cresceu mais de 40% no primeiro semestre de 2026 e avançou 77% no segundo trimestre na comparação anual.
Novas medidas podem acelerar formalização
O Bradesco BBI afirma que a formalização do setor ainda pode ganhar velocidade com a implementação de três iniciativas adicionais atualmente em discussão no estado.
A primeira delas é a criação de uma legislação voltada aos chamados “devedores contumazes”, empresas que fazem da inadimplência tributária parte de seu modelo de negócios. A segunda envolve a adoção de regras de solidariedade tributária, mecanismo que amplia a responsabilização de participantes da cadeia por impostos não recolhidos, seguindo modelo semelhante ao já utilizado em São Paulo.
Além disso, a Secretaria da Fazenda está intensificando a fiscalização sobre postos e redes considerados irregulares ou que historicamente apresentaram falhas na prestação de informações fiscais e contábeis. O banco avalia que essa ofensiva pode resultar no fechamento de um número relevante de estabelecimentos.
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Na visão do BBI, o processo de saneamento do mercado pode gerar uma profunda reorganização do setor no estado.
O banco estima que mais da metade dos postos de combustíveis do Rio de Janeiro, o equivalente a mais de 1.000 unidades, poderá mudar de controle nos próximos anos, migrando para operadores formais.
Segundo os analistas, isso representa um potencial de aproximadamente 7,8 bilhões de litros de gasolina e outros 3 bilhões de litros de diesel, volume equivalente a cerca de 1,2% das vendas totais de combustíveis do Brasil.
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O relatório também destaca que experiências semelhantes já foram observadas em São Paulo. Em conversas com distribuidores e revendedores, o banco identificou casos de empresários que dobraram de tamanho após o endurecimento da fiscalização e a saída de concorrentes informais do mercado.
Para o Bradesco BBI, os resultados obtidos pelo governo fluminense podem servir de modelo para outros estados brasileiros que enfrentam problemas semelhantes de evasão fiscal no setor de combustíveis.
Caso isso aconteça, o potencial de ganhos para empresas expostas à distribuição e revenda de combustíveis pode ser ainda maior do que o atualmente incorporado nas projeções dos analistas. Por isso, o banco vê espaço para revisões positivas nas estimativas de volumes comercializados e margens de distribuidoras como Ultrapar (UGPA3) e Vibra (VBBR3).
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