Revisão tarifária pode refletir em menos dividendos e afetar setor elétrico em 2012

Mercado já precifica redução de até 40% do Ebtida nos próximos anos e analistas reavaliam exposição do setor em carteiras

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SÃO PAULO – Por serem consideradas mais defensivas, com baixo endividamento e pelo bom histórico de pagamento de dividendos, as companhias do setor elétrico vinham há meses ocupando as primeiras colocações nas carteiras mensais de dividendos recomendadas pelas casas de research. Contudo, as preferências dos analistas vêm se alternando nos últimos meses.

A AES Tietê (GETI4), que há meses ocupava com folga a primeira colocação nesse tipo de estratégia, vem perdendo recomendações com o passar do ano. No mês de dezembro de 2011, a empresa dividiu espaço com outras duas empresas do mês setor: a Equatorial Energia (EQTL3) e a Transmissão Paulista (TRPL4). Se comparado ao mês de janeiro de 2011, a empresa reduziu pela metade o número de recomendações, passando de seis votos em janeiro de 2011 para três no primeiro mês deste ano. 

Já nesse mês de janeiro, a empresa não só dividiu o topo com outras elétricas mas também com companhias de outros setores. De acordo com a compilação feita pela InfoMoney, utilizando oito carteiras de dividendos recomendadas por bancos e corretoras, oito empresas dividiram a primeira posição com a AES Tietê com três recomendações.

Dentro do setor elétrico, apareceram em três carteiras de dividendos as ações da Coelce (COCE5), Eletropaulo (ELPL4), Equatorial (EQTL3), Tractebel (TBLE3) e Tranmissão Paulista (TRPL4). Fora do setor, tiveram três votos a Cielo (CIEL3) e a Telefônica Brasil (VIVT4). Em janeiro de 2011, a Cielo foi citada em duas carteiras, enquanto a Telefônica Brasil, que na ocasião era identificada como TLPP4, recebeu quatro recomendações.  

Mas afinal, quais são os motivos para que as empresas do setor elétrico estejam perdendo espaço nesse tipo de estratégia?

Dinâmica das recomendações das carteiras de dividendos
Ação

jan/11

jan/12

 AES Tietê PN 6 3
Cielo ON 2 3
Coelce PNB 5 3
Eletropaulo PN 5 3
Equatorial ON 2 3
Tractebel  ON 2 3
Transmissão Paulista PN 5 3
Telefônica Brasil PN 4 3
AmBev PN 2 2
Cemig PN 2 2
Redecard ON 2 2

Ano de revisão tarifária
De fato, o ano de 2012 será de muitas mudanças para o setor de energia elétrica e essas mudanças podem refletir nas perspectivas dessas empresas. Uma delas, e “a mais importante”, na visão de Gabriel Laera, analista de investimentos da BES Securities, é o ciclo de revisão tarifária, que começa esse ano e será realizada de forma gradual entre as companhias do setor.

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Para o analista, este será o principal driver negativo para o ano sobre a variável dividendos. “O final do ciclo de revisão tarifária, vai refletir em um corte no retorno regulatório na ordem de 30% e eventualmente, em dois ou três anos, resultará em uma queda real, ex-inflação, na ordem de 20% a 30% do Ebitda (lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) e, por sua vez, no lucro líquido”, explica o analista.

Segundo ele, se não houver aumento na alavancagem, será observado uma queda na rentabilidade de lucro líquido e, possivelmente, uma queda de dividendos nos próximos anos.

AES Tietê: no topo da valorização?
O setor de energia elétrica teve um ano bastante positivo, se comparados mercado financeiro em geral. A AES Tietê, por  exemplo, fechou o ano de 2011 com valorização de seus papéis de 23,7%, enquanto o Ibovespa encerrou com queda de 18,11%.

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De acordo com Laera, a AES Tietê é uma operadora que não está em expansão, possui lucro líquido bastante elevado e tem um bom histórico de pagamento de dividendo. Contudo, como o preço da ação vem mostrando uma expansão muito maior do que o valor pago em dividendos, seu dividend yield (dividendo pago por ação sobre a cotação da ação) acaba se deteriorando com o passar do tempo.

Por conta disso, Laera explica que a ação tende a deixar de se valorizar, já que a operadora não tem expansão de negócios como um todo e o seu botton line (lucro líquido) cresce na medida que consegue destravar em eficiência, já que os ajustes de seus contratos são feitos pela inflação.

“Diante dessa perspectiva, o papel encontrou um nível bastante confortável de preço e, dada a perspectiva de dividendos, estamos vendo as ações PN da companhia oferecendo dividend yields em torno de 9% a 10% ao ano nos próximos anos”, disse Laera.

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Renovações: Cesp deve ser a mais prejudicada
Mais um fator relevante para o setor neste ano é o fim dos prazos para as concessões de energia. Isso porque a partir de 2015 começam a vencer as concessões de diversas usinas hidrelétricas, termelétricas, linhas de transmissão e distribuidoras de energia. Entretanto, algumas concessões para fornecimento de energia vencem já em 2012 e, com isso, o governo precisará definir regras específicas para contratos mais curtos para que o fornecimento seja mantido até a renovação das concessões.

 “O mercado está muito apreensivo porque acabando esses contratos de 2012, haverá um gap até o ano de 2015. Com isso, haverá necessidade de muitos contratos de curto prazo e não contratos de longo prazo, como o mercado costuma trabalhar”, explica o analista da Votorantim Corretora, Marcio Loureiro.

Thomas Chang, membro da equipe de análise da Um Investimentos, explica que a principal empresa a ser afetada pela renovação das concessões este ano será a Cesp (CESP6), que terá cerca de 60% de sua capacidade de geração vencendo nos próximos três meses. “Esse fator traz incertezas quanto à geração de caixa e afeta o preço-justo da empresa”, finaliza Chang.