Reviravolta na Bolsa: RD Saúde sai de forte queda para alta na sessão pós-3T; entenda

Os resultados da RD Saúde foram considerados positivos, ainda que frustrando levemente as expectativas, fazendo com que as ações titubeassem no início do pregão

Lara Rizério

Drogasil (Divulgação)
Drogasil (Divulgação)

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As ações da RD Saúde (RADL3), dona das redes de farmácias Raia e Drogasil, tiveram uma sessão de montanha-russa na Bolsa brasileira, marcando o dia pós-balanço. Após chegarem a cair 5,75% (R$ 18,36) no começo do pregão, os papéis passaram a subir durante a tarde. Os ativos RADL3 fecharam com ganhos de 3,70%, a R$ 20,20.

Os resultados da RD Saúde foram considerados positivos, ainda que frustrando levemente as expectativas, fazendo com que as ações titubeassem no início do pregão. Contudo, o maior ânimo do mercado e a visão de números fortes predominaram.

“A RD Saúde apresentou resultados sólidos no 3º trimestre, ainda que ligeiramente abaixo das projeções do Bradesco BBI. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), ficou 3% e o lucro líquido 4,5% abaixo das estimativas, após ajustes por ganhos não recorrentes de imposto”, destaca o BBI. O lucro líquido ajustado, porém, atingiu R$ 376 milhões, superando em 5% o consenso da Bloomberg.

Análise de Ações com Warren Buffett

O destaque foi a aceleração das vendas no varejo, com alta de 15,5% na comparação anual (versus 13% no 2T25), impulsionadas por Vendas nas Mesmas Lojas Maduras, ou MSSS, (+7,8%) e digital (+62%), beneficiadas pelo GLP-1 (medicamentos que ajudam a reduzir os níveis de açúcar no sangue e promovem a perda de peso).

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A categoria HPC (Higiene e Cosméticos) também avançou (+11% versus +8,3% no trimestre anterior). A margem Ebitda manteve-se estável em 7,5%, enquanto o ciclo de caixa melhorou para 57 dias, refletindo redução de estoques.

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A XP também ressaltou as tendências positivas no varejo, mas altas expectativas e posicionamento poderiam representar um risco.

“Analisando o negócio principal, vemos as tendências favoráveis ​​esperadas confirmadas, com aceleração do MSSS principalmente devido ao GLP-1, mas com contribuição também do HPC, e melhores tendências de margem comparáveis ​​mais normalizados e despesas gerais e administrativas controladas”, apontou a casa.

Os analistas da XP também ponderaram que altas expectativas e posicionamento, juntamente com uma avaliação premium, poderiam levar a uma reação negativa no pós-balanço, já que os desafios da 4Bio devem persistir no curto prazo, o que representa um risco de queda para as estimativas da RD.

O Itaú BBA também viu a RD Saúde lidando com as altas expectativas, destacando o Ebitda 3% abaixo do que esperava.

“Os números gerais foram bons, mas vimos muitos investidores comprando ações da RADL3 nas últimas semanas com expectativas bem maiores para o trimestre, que acabaram não se concretizando e devem gerar alguma pressão de curto prazo sobre as ações”, apontou em relatório logo após a divulgação do balanço.

Mas, no geral, excluindo a 4Bio (que apresentou uma queda significativa na receita após perder um grande contrato de distribuição), o crescimento da receita continuou a melhorar (varejo +15,5% ao ano) e o BBA avalia que essa será a tendência nos próximos trimestres.

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Os temas estruturais permanecem em movimento: a margem bruta do varejo continua sob pressão e o HPC continua perdendo relevância no mix geral, embora em ritmo mais lento.

Para o BTG Pactual, este foi mais um conjunto sólido de resultados no 3T25, com crescimento de SSS acima das expectativas (9,7% vs. previsão de 8%) e inflação de medicamentos, margem Ebitda estável e leve surpresa positiva no lucro líquido

As categorias de medicamentos de marca e genéricos cresceram 21% e 19,5% a/a, respectivamente, enquanto medicamentos sem prescrição e HPC (Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) subiram 10,5% e 11%. Houve abertura líquida de 82 lojas no trimestre e o market share consolidado subiu 0,8 ponto percentual, para16,8%. O canal digital representou 26,7% das vendas, somando R$3 bilhões.

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“A companhia continua vista como defensiva e geradora de valor no longo prazo, com lucros projetados de R$1,6–1,7 bilhão em 2026, sustentados por maturação de lojas, genéricos e expansão omnicanal”, reforça o banco.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.