Publicidade
A equipe do JPMorgan se reuniu com o CEO da B3 (B3SA3), Gilson Finkelsztain, e com o CFO, André Milanez, para uma atualização rápida sobre a companhia. Na avaliação dos executivos, a operadora da Bolsa brasileira se encontra hoje em uma posição mais favorável do que em trimestres anteriores, à medida que riscos relevantes se dissiparam.
Entre eles, estão os processos judiciais, o crescimento fraco de receita, que ficou contido entre 2021 e 2025, e que pode ter atingido o fundo do poço, especialmente no segmento de ações. O risco de concorrência, embora ainda exista, foi adiado.
A expectativa interna é de que, conforme os investidores ganhem confiança na redução desses riscos, parte do desconto das ações da B3 em relação a bolsas globais tende a diminuir.
Não perca a oportunidade!
O encontro também abordou novos produtos, como opções binárias, possíveis efeitos positivos de um cenário otimista nas margens de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e tendências gerais dos mercados de capitais, da economia e do ambiente eleitoral no Brasil.
Opções binárias para investidores de varejo
A B3 solicitou recentemente aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central para lançar opções binárias com vencimento no mesmo dia. O produto, que está em fase inicial, será voltado para variáveis econômicas como câmbio, PIB, Ibovespa, inflação e Bitcoin. A ideia é oferecer opções binárias pré-pagas, com estrutura simples de resultado “sim/não”, baseadas em indicadores específicos, por exemplo, prever se o dólar estará acima ou abaixo de R$ 5,50 em uma data definida.
A administração afirma que o produto não deve canibalizar mercados institucionais, mas sim abrir uma nova fonte de receita e proteger a B3 diante de eventuais entrantes. A empresa também acredita que pode trazer transparência e melhores práticas ao segmento. A estrutura das opções limita perdas ao prêmio inicial e elimina chamadas de margem, facilitando o entendimento para o investidor de varejo e reduzindo riscos de alavancagem. Caso aprovada, a definição do modelo de distribuição ainda ficará para uma etapa posterior.
Continua depois da publicidade
Outras iniciativas
Os executivos também comentaram sobre projetos com foco em inovação na renda fixa, avanço da negociação eletrônica, expansão de ETFs e BDRs, crescimento no mercado de balcão e novas oportunidades em recebíveis digitais (duplicatas escriturais).
No curto prazo, a evolução do mercado de ações é vista como um motor relevante para a recuperação das receitas, com os níveis atuais sendo considerados um piso. A administração não projeta uma grande expansão do ADTV (Volume Médio Diário Negociado) em 2026, mas ressalta que os volumes podem reagir rapidamente em ciclos positivos.
Ampliação da margem
A administração destacou que as margens de EBITDA já avançaram rapidamente de 70% para 80% no passado e podem voltar a subir em um cenário mais favorável para a renda variável, com parte dos ganhos sendo repassada aos clientes.
A B3 possui forte alavancagem operacional, o que tende a elevar margens quando a receita acelera. Historicamente, a companhia viveu anos de estagnação e outros de crescimento acima de 30%, refletindo a volatilidade do setor. No longo prazo, porém, seu desempenho converge ao de bolsas globais, que costumam crescer entre 10% e 15% ao ano.
Mercado descontado
De forma geral, a administração da B3 continua vendo o mercado acionário brasileiro como relativamente descontado, enfrentando ventos contrários vindos de instrumentos isentos de impostos e juros reais muito elevados, mas com margem para nova reprecificação. Outros temas incluíram processos legais, concorrência e a forma de remunerar certos serviços, como dados.
Projeções
As projeções do JPMorgan indicam um avanço gradual dos resultados da companhia ao longo dos próximos anos. Para 2025, o banco estima receitas de negociação praticamente estáveis, passando de R$ 6,96 bilhões em 2024 para R$ 6,98 bilhões. A receita líquida deve chegar a R$ 9,83 bilhões, enquanto o EBITDA avançaria para R$ 6,85 bilhões. O lucro líquido recorrente deve atingir R$ 5,12 bilhões e lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) de R$ 0,97.
Continua depois da publicidade
Em 2026, o JPMorgan projeta uma aceleração mais firme, com receitas de negociação subindo para R$ 7,79 bilhões e receita líquida atingindo R$ 10,77 bilhões. O EBITDA deve avançar para R$ 7,58 bilhões. O lucro líquido recorrente está estimado em R$ 5,51 bilhões, elevando o EPS para R$ 1,05.
Para 2027, o cenário permanece positivo, com receitas de negociação projetadas em R$ 8,48 bilhões e receita líquida de R$ 11,66 bilhões. O EBITDA deve alcançar R$ 8,25 bilhões. O lucro líquido recorrente deve atingir R$ 5,77 bilhões, com EPS projetado em R$ 1,10.
