Retrospectiva: mercado de commodities definiu conceito de volatilidade neste ano

Do melhor investimento nos primeiros seis meses a correção do mercado frente às inúmeras especulações no restante do ano

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SÃO PAULO – O mercado de commodities caminhou durante este ano nas mais diversas trajetórias, desde os patamares mais altos da história até as quedas percentuais mais bruscas: tudo em questões de semanas.

Petróleo, ouro, cobre, níquel; nenhum escapou da tendência volátil dos bens primários, da quebra consecutiva de recordes aos patamares mínimos dos últimos anos. Em meio a tanta instabilidade, podem-se traçar dois panoramas distintos no mercado de commodities em 2008, sendo divididos pelo ponto de inflexão ocorrido em julho, mês no qual o óleo bruto atingiu a casa dos US$ 150,00.

De melhor investimento no primeiro semestre…

Preocupados com as célebres hipotecas norte-americanas, investidores alocaram seus capitais no mercado de commodities, ao passo que acreditava-se que os artigos primários representavam certa estabilidade diante das incertezas correntes. Tal movimento fez com que, conforme análise da Merrill Lynch, em cinco dos seis primeiros meses do ano, os investimentos em índices de commodities obtivesse melhores retornos do que os investimentos em ações.

Inserida no contexto, a bolsa brasileira acompanhou a tendência benéfica, com Ibovespa acima dos inéditos 70 mil pontos; a correlação com as commodities é consenso. “Nosso mercado tem uma dependência muito elevada em petróleo, siderurgia e mineração”, analisa Marco Antônio Carregari, gestor de fundos diferenciados do Banco Itaú, ao enxergar a conexão existente entre os setores da economia real e o mercado acionário.

…ao desabamento especulativo no restante do ano

Contudo, os ganhos acumulados até o excepcional mês de julho começaram a se reverter em perdas durante o crítico agosto para o mercado de commodities. Sinais de restrição de crédito, desaquecimento da demanda na China pela ocorrência dos Jogos Olímpicos de Pequim; motivos não faltaram para a inflexão. No entanto, se é para listar algum culpado, não há outro: a correção do mercado frente o caráter especulativo dos investidores.

De acordo com análise do Citigroup datada de 8 de agosto e, dadas as perdas provocadas pelos desdobramentos da crise do crédito de alto risco, Wall Street encontrou no mercado de commodities um novo jeito de fazer “dinheiro fácil”, no descolamento entre as relações reais de oferta e procura pelo bem e a especulação desenfreada do sistema financeiro, pois não há demanda no mundo que sustentasse um petróleo a US$ 150,00 o barril.

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Remando conforme a maré

“Quando a realidade econômica muda, minha convicção acadêmica também muda”. A afirmação é de John Maynard Keynes e sintetiza a alteração do viés com o qual analistas enxergaram o mercado do commodities durante o ano. Alguns projetaram US$ 250,00 para a cotação do barril de petróleo no final de dezembro, outros US$ 200,00; todos conduzidos pelos recordes consecutivos do óleo bruto.

E agora, para onde apontam as projeções? Na média das estimativas de Citigroup, JPMorgan Chase e Merrill Lynch, o petróleo está fadado a encerrar o próximo ano perto da casa dos US$ 65,00. Recentemente, novas – e ainda mais negativas – estimativas foram traçadas, lançando valores em torno de US$ 25,00.

Se tais patamares serão atingidos, só a historia mostrará; dúvidas permanecem. Mas dentre tantas incertezas, a correção do mercado é a única premissa que dificilmente falha.