Retrospectiva da crise: as 7 notícias que explicam a derrocada do petróleo

De hedge funds apostando em fim da queda a Irã vendo preço despencando até US$ 40, o "ouro negro" teve mais uma semana tensa e acumula duras quedas no mercado internacional

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SÃO PAULO – A crise do petróleo, cujos preços renovaram suas mínimas em mais de cinco anos nesta semana, vem trazendo impactos nos principais índices acionários do mundo. O combustível vive um impasse entre uma demanda mais fraca, com a desaceleração do crescimento global – principalmente do mercado chinês – e uma produção mantida em níveis altos pela OPEP (Organização dos Países Exportadores do Petróleo). 

Nesta sexta-feira (12), os preços dos contratos futuros do WTI (West Texas Intermediate), o petróleo negociado na Bolsa de Nova York, mostram queda de 2% e operam na faixa de US$ 58. A queda arrasta as bolsas europeias nesta sexta-feira (12), que caem perto de 1,5%. Em Wall Street, as bolsas operam com queda entre 0,5% e 1,0% e caminham para primeira semana negativa em dois meses.

Está por fora de tudo que está acontecendo com o “ouro negro”? O InfoMoney montou uma retrospectiva de tudo que mexeu com a commodity mais rica do mercado.

1. Entendendo a crise
Se de um lado a demanda mais fraca, principalmente da China faz cair o preço do petróleo, do outro, a Arábia Saudita e o Kuwait decidiram manter a produção do combustível na última reunião da OPEP. Apesar dos protestos da Venezuela de Nicolás Maduro, que quer o barril de volta a US$ 100, os árabes têm outros planos para a commodity. A pergunta que fica é quanta munição a OPEP terá para manter um quadro de preços baixos para reduzir a viabilidade do xisto norte-americano.

2. Hedge funds apostam que queda está perto do fim
Os hedge funds estão apostando que o desmoronamento dos preços do petróleo aproxima-se do final. Os especuladores aumentaram suas posições líquidas longas no petróleo bruto do tipo West Texas Intermediate (WTI) em 14% na semana terminada em 2 de dezembro, a maior alta em 20 meses, mostram dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA. As apostas de curto prazo se contraíram 15%, ao passo que as de longo prazo se expandiram 4%.

3. Irã vê petróleo a US$ 40 se houver racha dentro da OPEP
A OPEP reduziu sua estimativa para a demanda de 2015 do seu petróleo bruto em cerca de 300 mil bpd (barris por dia), para 28,9 milhões de bpd. De acordo com um funcionário do Ministério do Petróleo do Irã, o bruto poderia cair até US$ 40 o barril em meio a uma guerra de preços ou se divisões surgirem na OPEP.

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4. ‘Deus’ do comércio petroleiro continua com o petróleo
Andrew J. Hall, venerado por prever grandes oscilações no mercado, registrou um ganho de 1% em seu hedge fund de commodities em novembro, segundo fontes do setor. Hall, que vai abandonar o cargo que ocupa há muito tempo como CEO da Phibro LLC, a centenária casa de operações de commodities que agora pertence à Occidental Petroleum Corp., acha que o petróleo vai continuar caindo e se dedicará a seu fundo privado.

5. Itaú corta projeções e vê petróleo a US$ 70 em 2015
Seguindo a onda de cortes de projeções para as commodities em 2015, a equipe de análise do Itaú BBA revisou as estimativas para diversos materiais básicos para o ano que vem. Em relatório assinado por Artur Manoel Passos divulgado na tarde desta quarta-feira (8), o petróleo foi rebaixado de US$ 95 para US$ 70; já o minério de ferro foi de US$ 85 para US$ 70.

6. Quem ganha com a crise do petróleo?
Se o mundo todo sofre com a crise, as companhias aéreas registrarão lucros recordes superiores aos esperados neste ano e é provável que colham outro ganho de 25% em 2015, ajudadas pelo crescimento econômico e pelo combustível barato, disse a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

7. Arábia Saudita não deve cortar produção; preço desepenca
O ministro do Petróleo saudita, Ali al-Naimi, descartou suposições de que o país poderia cortar a produção, dizendo que a extração do reino se manteve constante no último mês. O reino produziu entre 9,6 milhões e 9,7 milhões de barris por dia (bpd) em novembro, disse ele, acrescentando: “Isso não vai mudar a menos que outros clientes venham e digam que querem mais petróleo.”