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SÃO PAULO – A decisão da AIE (Agência Internacional de Energia) de liberar suas reservas na última quinta-feira (23) só exacerbou a diferença entre os preços do barril de petróleo Brent, negociado em Londres, e do WTI, negociado em Nova York. Para a equipe da Rosenberg & Associados, essa diferença “parece absurda”, já que o petróleo norte-americano tem qualidade superior ao europeu. Porém, alguns eventos recentes do mercado ajudam a explicar essa diferença.
Thaís Marzola Zara, da consultoria, afirma que embora o WTI seja mais leve e de qualidade superior, além de historicamente mais caro, a atual diferença de preço, que ficou acima de US$ 15 na terça-feira (28), favorece o petróleo de Londres.
Diferença entre WTI e LLS
Ela lembra do artigo de Jamie Macrae, para o “Seeking Alpha”, afirmando que o WTI, entregue em Cushing, no estado de Oklahoma – uma cidade não servida pelo mar – não é facilmente arbitrado. Assim, seria melhor olhar a diferença do WTI para o LLS (Louisiana Light Sweet) para entender a diferença. De acordo com Macrae, essa diferença pulou para US$ 15/barril em fevereiro, embora historicamente tenha oscilado de zero à US$ 5.
Macrae destaca a abertura do oleoduto Keystone no segundo mês de 2011, que possibilitou o aumento das reservas em Cushing, através do escoamento da matéria-prima canadense direto para a cidade.
Ele também lembra que a diferença entre o Brent e o LLS geralmente favorecia a importação norte-americana, mas após uma inversão de preços, agora ela favorece a exportação por parte dos EUA.
Interrupção de fornecimento é chave para compreender
Para Macrae, a perda do petróleo líbio, um importante exportador para a Europa, e as manutenções planejadas criaram problemas no fornecimento, pressionando os preços na Europa.
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Conforme a oferta se normalize, a diferença do preço do WTI e do Brent deverá voltar aos patamares históricos.
Contudo, segundo Thaís, a diferença também se relaciona com a oferta e a demanda da matéria-prima nos EUA, e essa passa por um período de alteração de oferta substancial, que só devera a reduzir quando a economia daquele país voltar a registrar crescimento robusto.