Retomada atual do crédito não põe economia de volta nos eixos, diz Ativa

Analistas entendem que a deterioração do emprego e a recessão devem prejudicar a real recuperação creditícia

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SÃO PAULO – A economia está de volta a sua trajetória anterior? Esta é a pergunta a que a corretora Ativa se propõe a responder ao promover sua análise semanal.

O mercado de trabalho nacional tem respondido bastante aos movimentos declinantes causados pela crise internacional. O resultado vem sendo inequívoco: mês a mês, a taxa de desemprego vem experimentando altas. A previsão é de que abril mostre o percentual de 9,4%, enquanto o pico deve ser observado em setembro deste ano.

Diante dessa deterioração, acessível a qualquer ponto de vista e observada mesmo na série dessazonalizada do indicador, os analistas fazem algumas conclusões que consideram interessantes. A primeira delas – e talvez a mais óbvia – é de que indústria foi o segmento mais afetado: a formação de emprego ocorrida no setor nos últimos meses foi completamente liquidada.

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No âmbito das comparações setoriais, por sua vez, a corretora conclui que os impactos acometeram todos os setores da economia quando o assunto é emprego. Se forem apontados destaques, no entanto, é impossível não ressaltar a situação da agropecuária e da indústria de transformação.

Em síntese, a situação não é nada promissora para o mercado de trabalho no Brasil: com o recuo de 4,4% previsto pela Ativa para a produção da indústria no acumulado do ano na comparação com 2008, a taxa média anual de desemprego deve se estabelcer a 9,2%.

Crédito sob qual ótica?

Os bancos nacionais, entretanto, dão indícios de que o crédito voltou a se expandir. Isso seria uma notícia animadora, não fosse a questão dos parâmetros de comparação: relativamente ao quarto trimestre de 2008, quando o credit crunch atingiu seu ápice em meio à crise financeira internacional, a performance é obviamente positiva; já com relação ao comportamento verificado ao longo de todo o ano passado, o desempenho mais recente ainda é inferior.

Num tal contexto, as instituições financeiras do País já se preparam para maior inadimplência entre as pessoas físicas – intensificando o volume de suas provisões para devedores duvidosos – haja vista a queda sensível que se espera para o PIB (Produto Interno Bruto) e o cenário adverso que se projeta para o desemprego, que devem ambos colaborar para o risco de o financiado inadimplir.

Como efeito imediato do crescimento dessas reservas de provisão, o spread bancário aumentará, alerta a corretora, como forma de preservar a rentabilidade das instituições. Assim, os bancos públicos ficam em posição menos confortável: ao serem usados como os principais veículos de reativação do crédito, tais companhias têm preterido sua rentabilidade.

A resposta

Em resposta à pergunta lançada, a Ativa entende que não estamos de volta aos eixos pré-crise. Diante dos spreads mais elevados, da precarização da situação do mercado de trabalho e da aversão ao risco tomando conta das operações dos bancos brasileiros, os analistas questionam se é possível uma retomada sustentada do crédito.

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Mesmo com as afirmativas das instituições financeiras nacionais, a base em patamares baixos e as atuais condições de crescimento econômico inviabilizam uma perspectiva muito otimista para a oferta de crédito na economia do Brasil.