Resumo Semanal

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Com a crise europeia e os desdobramentos do corte nos gastos públicos dos EUA em foco, o Ibovespa registrou sua quarta semana seguida de desvalorização, acumulando perdas de 3,24% durante os pregões de 21 a 25 de novembro, seu pior desempenho desde a semana finda em 23 de setembro, quando caiu 6,96%. Assim o índice termina o período aos 54.894 pontos, fazendo com que a queda acumulada dessas últimas quatro semanas seja de 7,76%. Ademais, essa é a primeira vez que o índice registra quatro semanas de quedas consecutivas desde o período entre 25 de abril a 20 de maio.

As ações da Marfrig foram o principal destaque de alta dentre os papéis que compõem o Ibovespa pela segunda semana consecutiva, com valorização de 12,23%, cotadas a R$ 8,81 cada. Enquanto isso, na ponta negativa estiveram os ativos da Telemar Norte Leste, que recuaram 14,32% na semana, a principal queda dentro do índice, terminando este pregão a R$ 40,10 cada.

Petro e Vale
Entre os papéis mais líquidos, as ações da Vale (VALE3, -6,15%, R$ 41,48; VALE5, -5,45%, R$ 39,00) tiveram forte queda na semana. A mineradora esteve em foco na semana ao anunciar uma reestruturação de sua diretoria, aprovada na quinta-feira.  Além disso, os investidores também refletiram a elevação do rating da companhia em moeda estrangeira pela agência Standard’s & Poor’s, além de verem com maus olhos a suspensão do recebimento e embarque do ferro-gusa no Pará. Cabe lembrar que esta sesmana também foi marcada pelo fim do programa de recompra de ações da companhia.

Os ativos da Petrobras (PETR3, -3,47%, R$ 22,81; PETR4, -3,40%, R$ 21,01), por sua vez, também encerraram o período no campo negativo, em um noticiário não menos movimentado. Além de uma demonstração de otimismo por parte do presidente da companhia, Sergio Gabrielli, os investidores também refletiram a descoberta de petróleo de boa qualidade na Bacia de Santos, a divulgação de dados sobre sua produção e a possibilidade de que a companhia aumente o volume de financiamento com o banco japonês JBIC. 

Crise e crescimento
A Europa continuou em foco durante a semana, cujas manchetes são dominadas pela crise soberana e suas implicações para o crescimento do continente. Tanto a Espanha, agora governada pelo conservador Partido Popular, quanto a Itália venderam títulos de dívida à rendimentos recordes. Os investidores fogem destes títulos, buscando a segurança dos papéis alemães – que vendeu títulos a taxas consideravelmente mais baxas durante a semana. 

A crise continua a ser discutida entre os principais líderes econômicos do continente e do mundo, com o FMI aprovando uma linha preventiva de liquidez, e os chefes de estado de França e Alemanha discutindo o papel do BCE na crise. Embora já tenha se falado sobre a criação de eurobônus, a chanceller alemã, Angela Merkel, se mostra contrária a ideia. Além disso, é possível que a Europa não consiga aumentar os recursos do EFSF, por conta em função da deterioração nas condições de mercado.

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A crise continua a ter seus reflexos no desempenho econômico do continente, com o Bundesbank reduzindo suas projeções de crescimento. Além disso, o PMI mostrou contração na atividade industrial da região. Contribuindo ainda mais para o clima de aversão ao risco, o Banco Central grego afirmou ser possível que o país tenha que sair desornenadamente da Zona do Euro, como forma de acelerar reformas econômicas. 

Ratings
Com o agravamento da crise, as três principais agências de rating agiram durante a semana. A Fitch cortou o rating português, fazendo com que o país caísse do grau de “investimento”.  Entretanto, sinais da deterioração da economia voltaram ao noticiário. A Hungria também teve sua nota soberana rebaixada, desta vez pela Moody’s, alertando ainda que as circunstâncias possam fazer com que a França também tenha sua nota reduzida. 

Por sua vez, a S&P rebaixou o rating belga na última sessão da semana, com perspectiva negativa. A instituição já havia alertado de que é possível que a Zona do Euro entre em recessão durante o ano de 2012. 

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Situação fiscal norte-americana preocupa
O mercado também ficou de olho no clima dos Estados Unidos, uma vez que o “supercomitê” do Congresso dos Estados Unidos não conseguiu chegar a um acordo quanto ao corte adicional de US$ 1,2 trilhão nos gastos públicos do país. Isso levou à agência de classificação de risco Fitch a revisar as projeções de déficit do país e a Moody’s a colocar o rating norte-americano em perspectiva negativa.

O mercado também esteve atento à ata da última reunião do Fomc. A minuta mostrou que alguns membros do Fed pressionam por uma política mais expancionista, enquanto reduziram suas perspectivas de crescimento para o país. 

O crescimento do país foi o principal dado divulgado na semana, com a segunda prévia do PIB apontando avanço menor do que o esperado. O número de pedidos de auxílio-desemprego no país e o sentimento de confiança do consumidor também decepcionaram.  Já o Existing Home Sales e o Durable Good Orders superaram as projeções, ao passo que o PCE esteve em linha com as projeções.  

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Agenda doméstica
Em meio ao cenário de deterioração da atividade econômica global, os indicadores econômicos divulgados aqui no Brasil ganharam maior relevância na semana. O Relatório Focus, trouxe mudanças apenas nas estimativas para a produção industrial deste ano. O Banco Central também divulgou que o balanço de pagamentos externos do país registrou superávit de US$ 372 milhões em outubro, ao passo que a DPMFi aumentou em R$ 8,70 bilhões. Já o superávit primário do País foi de R$ 14 bilhões em outubro. Por sua vez, o Tesouro Nacional divulgou que a dívida pública interna atingiu R$ 1,723 trilhão em outubro.

O investidor também acompanhou importantes dados do IBGE. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 do mês de novembro, apresentou resultado de 0,46%, aceleração de 0,04 ponto percentual em relação ao mês anterior, enquanto a taxa de desemprego ficou em 5,8% no mês de outubro. Por fim, o Serasa Experian apresentou o PIB mensal, apontando recuo de 0,1% na passagem entre agosto e setembro.

Câmbio e Renda Fixa
O dólar comercial registrou alta de 5,80% nesta semana, terminando a R$ 1,8864 na venda. A moeda apresentou desempenho quase oposto do Ibovespa, por ser um investimento procurado quando há piora no humor no mercado e preterido com a melhora. É válido mencionar que esta foi a quarta semana de altas consecutivas da moeda. 

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No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 10,92%, queda de 0,06 ponto percentual no período.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 130,37% de seu valor de face, queda de 0,25% na semana.

Já o indicador de risco-País registrou alta de 13 pontos-base na semana, aos 241 pontos.

Confira a agenda da próxima semana
Dentro da agenda para a última semana de novembro, os investidores deverão ficar atentos à divulgação do Livro Bege do Fed e o relatório de emprego nos Estados Unidos.

No panorama doméstico, as atenções se voltam para a reunião do Copom que definirá a taxa básica de juro do País, atualmente em 11,50% ao ano. Os investidores também receberão o resultado mensal de importantes índices de preços.