Publicidade
Em semana de forte volatilidade, o Ibovespa refletiu durante os pregões entre 17 a 21 de outubro a indefinição dos investidores em relação ao que irá acontecer no encontro dos líderes da Zona do Euro, previsto para terminar neste domingo (23). Após fortes perdas e altas no decorrer da semana, o benchmark da bolsa brasileira terminou a semana com modesta variação positiva de 0,41% – 2ª alta semana consecutiva -, aos 55.255 pontos.
Já na segunda-feira, dia de vencimento de opções sobre ações negociadas na BM&F Bovespa, o índice registrou queda de 2,02% e perdeu a região dos 55.000 pontos, patamar este recuperado logo no dia seguinte, quando ele teve alta de 2,08%. Após andar de lado na quarta-feira, com leve queda de 0,12%, e recuar 1,74% na quinta-feira, o benchmark voltou a subir forte na sexta-feira – variação positiva de 2,31% – voltando a figurar acima dos 55.000 pontos.
As ações da Telemar fecharam a semana como o principal destaque de alta dentre as ações que compõem o Ibovespa, com valorização de 14,53%, cotadas a R$ 42,24, em meio às expectativas favoráveis em torno do processo de reestruturação societária das empresas do Grupo Oi, composto ainda por Tele Norte Leste e Brasil Telecom.
Por sua vez, as ações da Braskem recuaram 8,49% na semana, a principal queda dentro do índice, terminando aos R$ 13,69, diante das preocupações a respeito de seus resultados no trimestre.
Petro e Vale
As ações da Vale foram uma das principais queda da bolsa brasileira durante a semana, repercutindo o intenso noticiário corporativo. Já na segunda-feira, a empresa anunciou uma parceria com a Millrock para identificar reservas de cobre no Alasca. Na terça o papel esteve pressionado por temores de que um fraco crescimento chinês poderia afetar o preço do minério de ferro, levando a companhia a anunciar a manutenção do seu sistema trimestral de fixação de preços para minério de ferro. O anúncio da empresa não surtiu o efeito desejado e a ação continuou pressionada na quinta-feira.
Os papéis da Petrobras também registraram queda, contudo, mais fracas que as da mineradora. No período, a estatal assinou um Termo de Compromisso Ambiental do Comperj com autoridades estaduais, para a implatação de projetos de restauração florestal.
Continua depois da publicidade
Copom: novo corte de 50 p.b. na Selic
O grande destaque nacional ficou por conta da reunião do Copom iniciada na terça-feira. Na quarta-feira, após o término das negociações, o mercado viu o Banco Central anunciar um corte de 50 pontos-base na taxa básica de juros, conforme esperado, não sendo o suficiente para trazer otimismo ao mercado. Tradicionalmente, movimentos assim traduzem-se em avanços no mercado acionário, mas as reduções nas perpectivas de crescimento econômico e a situação ainda delicada do continente europeu anularam esse efeito.
Reunião na Europa mantém suspense no mercado
A semana foi fortemente influenciada pela expectativas em relação a reunião da Zona do Euro do domingo. Já na segunda-feira um porta voz da chanceler Angela Merkel, que assinalou que é um sonho conseguir edificar um pacote de ajuda durante a reunião e que esta missão não poderá ser cumprida, o que afetou os mercados naquela sessão.
Contudo, já na sessão seguinte, a própria Merkel afirmou que a expectativa é que se desenvolva um “plano de trabalho” na reunião. O mercado ficou aliviado com a notícia de que Alemanha e França firmaram um acordo para elevar o EFSF para € 2 trilhões, fato que foi negado posteriormente, prejudicando o desempenho do índice.
Continua depois da publicidade
Foi marcado para a semana que vem um discurso da chanceler no Parlamento alemão para aprovar a elevação do fundo, ajudando a manter a indecisão no mercado até lá. O atual tamanho do fundo já fora criticado pela Fitch, que pede por maior intervenção do BCE e afirmou que nenhum acordo na reunião deverá aliviar as pressões.
Na quinta-feira, repercutiu as notícias de que esse fundo poderá ser usado para comprar títulos da dívida pública no mercado secundário. A grande preocupação do mercado, porém, continua a ser o desempenho dos PIIGS, com Portugal tendo dificuldades para atingir a meta de redução no déficit e a Grécia aprovando mais medidas de austeridades fiscais, para alcançar a sua.
Agências de rating
O panorama da crise continua a preocupar os investidores, fazendo com que as agências de rating tivessem forte atuação durante a semana. A Moody’s alertou que poderá revisar de estável para negativa a perspectiva sobre a nota de crédito AAA da França nos próximos três meses, além de rebaixar cinco bancos espanhóis e vários governos regionais. Ademais, a Standard & Poor’s rebaixou o rating de 24 instituições financeiras italianas.
Continua depois da publicidade
Bernanke
Os Estados Unidos não estiveram no centro das atenções durante a maior parte do período, chamando atenção com as declarações do presidente do Federal Reserve na terça-feira, Ben Bernanke, afirmando que sua instituição pode ter que elevar as taxas de juros, após declarar a manutenção das mesmas em níveis baixos até meados de 2013.
Agenda econômica
Todavia, o país se destacou com a divulgação do Livro Bege pelo Fed, na quarta-feira. A autoridade monetária norte-americana também mostrou piora nas condições financeiras, com redução da demanda por crédito, o que deprimiu o mercado naquela sessão, fazendo com que o Ibovespa – que operava entre ganhos e perdas – não mais voltasse ao campo positivo durante aquele dia.
Por aqui, a semana começou com a divulgação do Relatório Focus pelo Banco Central, mostrando redução de quase todas as projeções, inclusive no PIB para fim do ano. Destaque ainda para a divulgação do IPCA-15 na quinta-feira, registrando 0,42% de inflação.
Continua depois da publicidade
A semana esteve carregada de indicadores externos. Destaque para os dados majoritariamente positivos divulgados pelos Estados. Na segunda os investidores número do setor industrial, com a produção em linha com o esperado. Na terça-feira, o destaque ficou por conta do PPI, índice de preços no atacado, superou as expectativas do mercado.
Outro dado de inflação o CPI, índice de preços ao consumidor, foi divulgado na quarta-feira, registrando números em linha com o esperado pelo mercado.
Já os dados do setor imobiliário, uma das maiores preocupações quando se trata da economia dos EUA, divulgados na semana mostram divergências. O Housing Starts mostrou um número de casas que começam a ser construídas maior do que o esperado em setembro. Por sua vez, o Building Permits reportou que o número de autorizações ficou aquém das estimativas no mês passado. Ambos foram divulgados na quarta. Na quinta, o Existing Home Sales, índice é responsável por medir as vendas de casas usadas no país, veio em linha com o esperado.
No mercado de trabalho, o Initial Claims mostrou um número de pedidos de auxílio-desemprego em linha com o esperado na última semana. Já o Leading Indicators, que compreende vários índices já divulgados, veio levemente abaixo do esperado. Por fim, ainda na quinta-feira, o Philadelphia Fed Index, que mede a atividade industrial nessa região, surpreendeu o mercado.
O mercado também esteve atento aos dados da China. O PIB do país asiático apontou crescimento menor no terceiro trimestre do que no período anterior, elevando as perspectivas de que o país sofrerá uma desaceleração econômica em breve.
Câmbio e Renda Fixa
Em situação oposta ao mercado acionário e operando em queda durante praticamente toda a sessão, o dólar comercial recuou 0,48% na sexta-feira, terminando cotado a R$ 1,7805 na venda. Apesar dessa depreciação, a moeda norte-americana terminou a semana com alta acumulada de 2,92%, refletindo a tensão com a Zona do Euro e o corte na Selic.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 10,48%, com queda de 0,07 ponto percentual no período.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 130,90% de seu valor de face, queda de 1,12% na semana.
Já o indicador de risco-País registrou alta de 7 pontos-base na semana, aos 227 pontos.
Confira a agenda da próxima semana
Dentro da agenda do investidor para a última semana de outubro, as atenções dos investidores estão concentradas na divulgação da primeira prévia do PIB norte-americano referente ao terceiro trimestre. Ainda por lá, dados do setor imobiliário, de renda do cidadão e do mercado de trabalho também serão avaliados.
No cenário doméstico, o foco fica com a ata da última reunião do Copom, finalizada na última quarta-feira e que contou com um novo corte de 50 pontos-base na taxa básica de juro. A agenda interna também contará com as notas mensais divulgadas pelo Banco Central.