Resumo Semanal

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Em semana marcada pelo pessimismo dos investidores acerca da deterioração econômica na Zona do Euro, além do novo estímulo à economia norte-americana, o Ibovespa registrou queda em todos os pregões do período e acumulou desvalorização de 6,96% entre 19 e 23 de setembro, fechando esta sexta-feira (23) nos 53.230 pontos.

As ações do setor imobiliário destacaram-se na ponta perdedora do Ibovespa na semana, com cinco empresas do setor figurando entre as seis maiores quedas do índice no período. No último lugar, aparecem os papéis da Brookfield, com queda de 18,10%, cotados a R$ 5,52. Gafisa e Rossi Residencial aparecem logo depois com quedas de mais de 17%, enquanto que Cyrela e MRV recuaram 14,27% e 14,22%, respectivamente, com suas ações valendo R$ 12,20 e R$ 10,50, nessa ordem.

Dentre todos os 68 papéis que compõem a carteira teórica do Ibovespa, apenas as ações da Embraer e da AmBev registraram ganhos na semana, terminando o período com valorizações de 1,24% e 0,71%, e cotadas a R$ 11,45 e R$ 55,80, respectivamente.

Petro e Vale
As ações da Petrobras encerraram a semana no campo negativo. No período, a estatal anunciou o início de operações do gasoduto Lula-Mexilhão, que ligará o campo de Lula à plataforma de Mexilhão, na Bacia de Santos, além da confirmação de presença de acumulações de óleo e gás em águas ultraprofundas na Bacia de Sergipe-Alagoas

Nesta semana, a companhia e a Chevron, que compõem o consórcio controlador do bloco BS-4, da Bacia de Santos, autorizaram a Queiroz Galvão, também integrante do empreendimento, a adquirir os 30% de participação que cabiam à Shell.

Enquanto isso, os papéis da Vale também terminaram o período no vermelho.

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Zona do Euro ainda preocupa
No início da semana, os inspetores da Troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia) realizaram uma teleconferência com o ministro de finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, para discutir se o país poderá receber uma nova parcela do pagamento da ajuda financeira no próximo mês.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, reforçou sua posição à favor dos eurobônus – títulos conjuntos de países da Zona do Euro – para solucionar a crise de dívida do velho continente. Enquanto isso, o FMI revelou que o sistema bancário europeu possui um risco de € 300 bilhões decorrentes das circunstâncias envolvendo as dívidas soberanas da região. Deste montante, apenas a Grécia responde por € 60 bilhões.

Já noite da última quinta-feira, os ministros das Finanças e os bancos centrais do G-20 afirmaram que irão tomar todas as medidas necessárias para acalmar as tensões que abalam o sistema financeiro global, com o objetivo de preservar a estabilidade dos sistema bancário e do mercado financeiro. Enquanto isso, Luc Coene, membro do conselho do BCE revelou que a instituição poderá agir para enfrentar os obstáculos ao crescimento na região já no próximo mês, caso os dados econômicos sejam decepcionantes.

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Ainda na Zona do Euro, a Grécia anunciou medidas de austeridade adicionais no início da semana, com objetivo de criar condições para o recebimento de novas parcelas do resgate financeiro. O plano estabelece a redução de pensões, a taxação de trabalhadores de renda mais baixa, além da manutenção de milhares de funcionários públicos num período de reserva especial durante este ano. Segundo informações do jornal Ta Nea, o ministro grego Venizelos afirmou a parlamentares do seu partido que o país enfrenta o risco de um default desordenado e sugeriu um possível desconto de 50% na dívida do país.

Economia brasileira
Na terça-feira, os investidores digeriram as projeções do FMI de que a economia brasileira deve crescer menos do que o esperado neste ano, com o PIB nacional sendo menor que a média prevista para os países emergentes.

Ainda por aqui, o Banco Central revisou sua estimativa de déficit nas transações correntes do País com o exterior para US$ 54 bilhões em 2011. A cifra é 10% menor do que a projeção de US$ 60 bilhões divulgada em junho. Além disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC, Alexandre Tombini, falaram sobre possíveis novas intervenções no câmbio e afirmaram que a inflação está sob controle, devendo convergir para o centro da meta ainda na primeira metade de 2012.

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Estímulo econômico do Fed
De volta à cena externa, o Federal Reserve anunciou um novo estímulo à economia norte-americana através da venda de US$ 400 bilhões de títulos públicos de curto prazo para reinvestimentos em títulos de longo prazo. As operações seriam completadas até o final de junho de 2012 e confirmaram as expectativas do mercado, que esperava a retomada da Operação Twist, já utilizada nos anos 1960. O Fed também decidiu reinvestir os recursos de seus ativos lastreados em hipotecas em novos ativos hipotecários, além de manter a taxa básica de juros dos EUA entre 0% e 0,25% ao ano.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou, na segunda-feira, o plano de redução do déficit norte-americano, com o montante de US$ 4 trilhões nos próximos 10 anos. Segundo Obama, a proposta que será enviada ao Congresso representa “o maior corte de gastos da história do país”.

Corte de ratings
Outro vetor para o desempenho dos mercados na semana foi a notícia de que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s cortou o rating soberano da Itália de A+ para A-, mantendo uma perspectiva negativa, por conta da dificuldade políticas para seguir o plano de austeridade fiscal.

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Já a Moody’s anunciou o corte do rating de longo e curto prazo do Bank of America Merrill Lynch, bem como da nota de longo prazo do Wells Fargo e de curto prazo do Citigroup. Todas essas notas passaram a ter perspectiva negativa, que também rebaixou os ratings de oito bancos gregos, citando a deterioração da economia local entre os principais motivos para a mudança.

Agenda da semana
No Brasil, as estimativas anuais do mercado levantadas pelo Boletim Focus mantiveram a taxa básica de juros Selic em 11,00% ao ano, enquanto as perspectivas para o PIB seguem caindo, passando de +3,56% nesta medição para +3,52%, na projeção para este ano. Já segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a balança comercial das três primeiras semanas de setembro registrou superávit de US$ 2,532 bilhões.

Ainda por aqui, a atividade econômica avançou 0,4% na passagem de junho para julho, revelou a Serasa Experian, do mesmo modo que a taxa de desemprego é a menor para o mês de agosto de 2002, a 6,0%. Já o IPCA-E, acumulado trimestral do IPCA, registrou variação de 0,90% entre julho e setembro, resultado superior aos 0,17% do mesmo período de 2010.

Nos EUA, foram divulgados o Housing Starts, que decepcionou o mercado, além do Existing Home Sales, que foi melhor do que as expectativas de analistas durante o mês de agosto ao registrar vendas de 5,03 milhões de casas no período.

Já os pedidos de auxílio desemprego da última semana recuaram sobre a base de comparação, mas os 423 mil pedidos foram superiores aos 418 mil esperados pelo mercado. Por outro lado, o Leading Indicators, o qual compila diversos dados econômicos, mostrou alta maior do que a esperada.

Câmbio e Renda Fixa
O dólar comercial fechou cotado na venda a R$ 1,8385 na venda nesta sexta-feira. A moeda norte-americana fechou a semana em alta de 6,15%.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os contratos fecharam em queda. O contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 10,44%, com queda de 0,19 ponto percentual na semana.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 133,45% de seu valor de face, queda de 1,56% na semana.

Já o indicador de risco-País teve alta de 44 pontos-base na semana, aos 274 pontos.

Confira a agenda próxima semana
Dentro da agenda do investidor para a última semana de setembro, o destaque fica com a divulgação do resultado final do PIB dos EUA referente ao segundo trimestre, assim como dados sobre o nível de atividade industrial da região de Chicago.

No cenário doméstico, atenção para as notas de política fiscal e monetária divulgadas pelo Banco Central, bem como os índices de inflação referentes ao mês de setembro.