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Os principais mercados acionários tiveram uma semana de perdas, em meio a indicadores díspares, mais temores com relação à Europa e alguns resultados negativos que trouxeram volatilidade aos mercados. A queda registrada pelas commodities também ajudou a trazer pessimismo aos mercados.
Por aqui, o Ibovespa encerrou a semana com desvalorização de 1,62%, a 66.503 pontos. Durante o mês de fevereiro, o desempenho foi positivo, com valorização de 1,68%.
O destaque de alta ficou com a Lojas Renner, que divulgou forte desempenho referente ao último trimestre do ano passado, com aumento de 53,4% no lucro líquido no período, além de margem Ebitda e bruta que vieram muito acima das expectativas. Em teleconferência, executivos da empresa atribuíram o forte resultado a queda nos custos e apresentaram novidades para 2010 – como abertura de uma loja na Avenida Paulista (em São Paulo) e o lançamento de lojas compactas.
Já a maior queda da semana também foi impactada pela temporada de resultados. A Fibria amargou prejuízo nos três últimos meses de 2009. As perdas ficaram em R$ 150 milhões, ao passo que no trimestre imediatamente anterior a companhia havia somado lucro de R$ 181 milhões. No acumulado de 2009, a processadora de celulose lucrou R$ 558 milhões, revertendo prejuízo de R$ 1,31 bilhão em 2008.
Em relação às ações mais líquidas do índice, o movimento foi divergente: enquanto os papéis da Petrobras avançaram, com alta de 0,26% nas ações ordinárias e de 0,76% nos ativos preferenciais, a Vale teve uma semana de perdas. Suas ações acumularam perdas de 2,98% e 1,44%, nesta ordem.
Projeções para o Brasil
Apesar das apostas de crescimento econômico e visibilidade da economia doméstica no mercado internacional, a agência de classificação de risco Moody’s afirmou que os atuais ratings do Brasil já capturam tanto a melhoria substancial que tem sido observada no perfil de crédito do país como a presença das perspectivas favoráveis de médio prazo.
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O Goldman Sachs elevou suas projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2010 para 6,4%, contra expectativa anterior de uma expansão de 5,8%. “Na sexta-feira [19], recebi um texto do Paulo Leme e ele disse que queria revisar a nossa previsão para 6,4%. Essa é a segunda mudança de projeção”, afirmou o economista-chefe do Goldman, Jim O’Neill.
Noticiário
O Banco Central elevou o compulsório de 13,5% para 15% a partir de abril, dando continuidade à reversão das medidas anticrise adotadas a partir de outubro de 2008, segundo a nota enviada pelo BC. De acordo com a nota, a medida tem por objetivo alterar a liquidez do sistema financeiro, se antecipando a boas práticas prudenciais internacionais. Parte do mercado acredita que, após a elevação, o próximo passo pode ser a alta na taxa básica de juros na próxima reunião de política monetária, que acontecerá em 16 e 17 de março.
Na Europa, a Grécia continuou no foco, após as agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Moody’s levantarem a possibilidade de reduzir o rating do país, caso ele não consiga aplicar seus planos de reforma fiscal. Já o Goldman Sachs afirmou que não realizou operações inapropriadas com o país. Piorando o humor sobre o país, o presidente do banco central grego, George Provopoulos, disse ao Parlamento que os piores temores sobre o país foram confirmados, após a visita de inspetores econômicos da União Europeia. “O dano é incalculável. Ele não somente é financeiro ou fiscal, mas também afeta a posição do país. Nossa tarefa atual é desconsiderar o custo político e pensar apenas na sobrevivência de nosso país”, disse o premiê.
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Em seu pronunciamento semestral no Congresso norte-americano, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, salientou que o nível elevado da taxa de desemprego continua sendo um fator de forte preocupação e que, apesar dos sinais de melhoria da situação econômica do país, os juros básicos deverão se manter em níveis baixos por um longo período.
Resultados corporativos
As empresas de siderurgia se destacaram na semana, com a divulgação dos resultados de Usiminas, Gerdau e CSN. A Usiminas mostrou queda do lucro e da receita líquida na comparação anual, mas os planos de otimização de seus negócios em minério de ferro com o possível IPO (Initial Public Offering) de uma controlada e a associação firmada com as empresas Codepar e Isa Participações foram boas notícias.
Já o lucro líquido da Gerdau passou de R$ 311 milhões para R$ 643 milhões na comparação entre os últimos três meses de 2008 e 2009, indicando uma expansão de 106%. Por sua vez, a CSN somou um lucro líquido de R$ 745 milhões, 81% menor que o apresentado no mesmo período de 2008.
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O Banco do Brasil somou ganhos trimestrais de R$ 4,15 bilhões, encerrando desta forma seu exercício de 2009 com um lucro líquido total de R$ 10,14 bilhões – recorde histórico no setor bancário brasileiro.
A TIM divulgou lucro líquido de R$ 231,5 milhões no acumulado em 2009, superando em 28,6% o número reportado no ano anterior.
Já a BM&F Bovespa, mostrou avanço de 8,8% no lucro líquido na comparação entre o último trimestre de 2008 e 2009, mas o ganho acumulado ao longo do ano ficou em R$ 881 milhões, configurando uma retração de 3,1% frente a 2008. Entre os analistas, a principal crítica ficou por conta das despesas.
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A Duratex registrou no quarto trimestre de 2009 um lucro líquido de R$ 88,06 milhões, cifra 3,4% maior que a apresentada no mesmo período de 2008.
Cenário corporativo
A Petrobras esteve no foco do noticiário da semana. O desempenho de produção da petrolífera em janeiro, com produção média diária de 2.525,8 mil boed (barris de óleo equivalente), foi 1% inferior a dezembro. A Petrobras ainda informou duas novas descobertas de acumulações de óleo na Bacia de Campos, com projeções preliminares de um volume de 40 milhões de barris. Logo após a descoberta, a estatal petrolífera comunicou ao mercado que a divulgação de seu balanço trimestral foi adiado por conta da protelação de uma reunião do Conselho de Administração, que estava agendada para o mesmo dia.
Ainda no setor petrolífero, a OGX Petróleo trouxe mais detalhes acerca da conclusão de suas perfurações na Bacia de Campos, no poço 1-OGX-5-RJS, localizado no bloco BM-C-43, estimando que a área contenha um volume de óleo recuperável entre 30 e 90 milhões de barris.
A Vale informou a assinatura de memorando de entendimentos com a Andrade Gutierrez, a Neoenergia e a Votorantim Energia para formação de um consórcio que participará do processo de licitação e leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
A Gafisa anunciou que foi aprovado pelos seus acionistas o desdobramento de suas ações ordinárias na proporção de um para dois. Os ADRs (American Depositary Receipts) da companhia serão ajustados na mesma proporção. Seus ativos fecharam em baixa.
A Telebrás voltou às manchetes nacionais, com as acusações de que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, recebeu lobby de um grupo empresarial para difundir a ideia da reativação da companhia dentro do governo. Dirceu negou as acusações.
Agenda
O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA mostrou crescimento de 5,9% em sua segunda prévia para os dados do quarto trimestre, superando as estimativas do mercado. A atividade industrial na região de Chicago atingiu 62,6 pontos em fevereiro, também acima das expectativas. O total de pedidos de bens duráveis à indústria norte-americana cresceu mais do que o esperado em janeiro.
Pelo lado negativo, a confiança do consumidor norte-americano ficou abaixo do era esperado durante o mês de janeiro em dois indicadores (Michigan Sentiment e Consumer Confidence). As vendas de casas novas nos EUA também estiveram abaixo das expectativas, mesmo movimento da venda de casas usadas, que em janeiro atingiram o menor patamar em sete meses. O Initial Claims também decepcionou na passagem semanal.
Na Europa, o PIB britânico subiu 0,3% na passagem do terceiro para o quarto trimestre, acima da última preliminar, que apontava crescimento de 0,1%, e superior às previsões dos analistas, de 0,2%. Já o PIB (Produto Interno Bruto) alemão ficou estagnado durante o quarto trimestre de 2009.
No front doméstico, diferentes indicadores mostraram inflação em fevereiro: o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) avançou 1,18%, enquanto o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) apontou alta de 0,94%. Ambos vieram acima das expectativas.
O superávit primário do Governo Central ficou em R$ 13,9 bilhões em janeiro, ficando bem acima do que foi visto em dezembro (R$ 1,7 bilhão) e janeiro de 2009 (R$ 3,98 bilhões). Ainda por aqui, as vendas do setor varejista brasileiro subiram 5,9% em 2009 frente a 2008, segundo pesquisa do IBGE, que divulgou também a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País, que ficou em 7,2% em média no primeiro mês do ano, 0,4 ponto percentual a mais do que em dezembro.
A Sondagem Industrial da FGV (Fundação Getúlio Vargas) relativa a fevereiro revelou no período o maior nível do ICI (Índice de Confiança da Indústria) desde dezembro de 2007: 115,8 pontos.
A Nota de Política Monetária mostrou que o volume de crédito concedido em janeiro cresceu 15,7% frente ao primeiro mês do ano passado, enquanto a inadimplência do consumidor atingiu o menor nível desde outubro de 2008.
Segundo a Nota de Mercado Aberto referente ao mês de janeiro de 2010 divulgada pelo Banco Central, o estoque total da DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal Interna) sofreu recuo de R$ 42,69 bilhões, ou 3,05%, na comparação com o mês anterior. Segundo o documento, o estoque da DPMFi encerrou o primeiro mês do ano em R$ 1,356 trilhão.
O Tesouro Nacional divulgou os resultados de seu programa de aquisição de títulos públicos pela internet em janeiro. No período, o volume financeiro vendido totalizou R$ 212,69 milhões, segundo maior valor mensal da história do projeto. Na comparação com janeiro de 2009, a alta foi de 12%.
Câmbio e renda fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,809. Com isso, a moeda acumulou em fevereiro uma variação negativa de 4,13%, ante a alta de 8,37% vista em janeiro. Contudo, nesta última semana do mês, a divisa registrou valorização de 0,22%.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,27%, avanço de 0,21 ponto percentual em relação à última semana.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,10% de seu valor de face, alta de 1,07% na variação semanal.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 213 pontos-base, aumento de 4 pontos em relação à última semana.