Resumo Semanal

Resumo Semanal

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A primeira semana de 2010 foi de alta nas principais bolsas do mundo. Notícias positivas no plano corporativo e o movimento das commodities também animaram os investidores, assim como a ata do Fed. Entretanto, os últimos pregões foram de instabilidade, com a decepção com o Relatório de Emprego e realização dos lucros das últimas sessões.

O Ibovespa acompanhou a tendência e encerrou o período com valorização de 2,44%, a 70.262 pontos – sua terceira semana consecutiva de alta. Vale mencionar que a BM&F Bovespa anunciou a renovação do recorde de volume financeiro médio diário negociado no mercado de ações durante o último trimestre de 2009, com uma marca de R$ 6,840 bilhões no período. O balanço de operações revelou ainda uma movimentação total de R$ 1,30 trilhão no segmento Bovespa e giro financeiro de R$ 26,78 trilhões no segmento BM&F. Com relação a 2008, o montante representa queda no segmento Bovespa. Em contrapartida, a quantidade de negócios em 2009 foi recorde: 81,75 milhões. No segmento BM&F, o número de contratos caiu de 391,62 milhões para 373,41 milhões entre 2008 e 2009.

A Duratex se destacou entre as altas da semana, com valorização de 11,98%. O desempenho da ação reflete a perspectiva de ganhos por parte da empresa por conta da expansão do setor em 2010, que animou os investidores. Vale lembrar que a companhia deverá se beneficiar das últimas fases do plano habitacional do governo federal, o “Minha Casa Minha Vida”, além da recuperação da economia nacional e da renda dos consumidores brasileiros.

Por outro lado, os papéis da estreante no Ibovespa PDG recuaram 11,82 % na semana, ficando com o pior desempenho entre os ativos do Ibovespa no período. O movimento reflete o pedido de registro de oferta pública secundária de ações protocolado pela incorporadora junto à Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Em relação às duas ações mais líquidas do índice, o movimento foi positivo – com exceção dos papéis ordinários da Petrobras, que recuaram 0,96%. Já os ativos preferenciais da estatal avançaram 0,71%, enquanto os papéis da Vale subiram 8,71% e 7,94%, na mesma ordem.

Noticiário
A principal referência da semana foi a minuta da reunião de dezembro do Federal Reserve, que mostrou que o comitê continua acreditando em uma recuperação lenta da economia norte-americana, apesar de alguns indicadores acima das projeções. Além da preocupação com o mercado de trabalho, a ata revelou que os membros do FOMC se mostraram bastante divididos sobre as previsões de inflação no longo prazo.

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O presidente do Fed, Ben Bernanke, afirmou que o Banco Central do país não deve deixar de lado a opção de elevar a taxa de juros como maneira de estourar bolhas de ativos nos mercados.

Agenda
Confirmando que a cautela do Fed é fundamentada, o Relatório de Emprego decepcionou ao mostrar que a economia norte-americana perdeu 85 mil postos de trabalho em dezembro. Já a taxa de desemprego ficou na faixa dos 10%, resultado igual às expectativas e ao registrado no mês anterior. O ADP Employment também decepcionou, ao passo que o Initial Claims veio abaixo das projeções.

Ademais, os dados da maior economia do mundo foram divergentes: enquanto os indicadores da indústria foram positivos, os números do mercado imobiliário desapontaram, assim como o ISM Services e o Consumer Credit.

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No plano doméstico, a produção industrial brasileira recuou 0,2% na passagem de outubro para novembro, mas avançou na comparação anual. Já o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) marcou em dezembro inflação de 0,18, e o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) apontou deflação de 0,11% em dezembro, fechando o ano com um recuo de 1,43% nos preços

Ainda por aqui, a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 24,615 bilhões ao longo de 2009. Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) afirmou que a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no País deverá avançar 5,2% neste ano.

Na Europa, o destaque ficou por conta do crescimento de 0,4% reportado pelo PIB (Produto Interno Bruto) da Zona do Euro no terceiro trimestre de 2009.

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Cenário corporativo
Notícias – e rumores – de fusões e aquisições marcaram a semana nos mercados externo e doméstico. O suposto interesse do Itaú Unibanco em participações de bancos britânicos, a possível compra de uma fatia da italiana Eni na Galp pela Petrobras, a operação de venda da Telecom Italia à Telefônica e a intenção da JBS em adquirir a Parmalat foram algumas das notícias que movimentaram o mercado. As ações da Laep, controladora da Parmalat, por exemplo, dispararam 94,2% na semana com o noticiário.

Entre os negócios confirmados, a Novartis acertou a compra da parte restante da Alcon, detida pela Nestlé, que, por sua vez, acertou a aquisição da divisão de pizzas congeladas da Kraft Foods nos EUA. Já a Kraft Foods afirmou que elevaria a proposta de compra da Cadbury – entretanto, a Berkshire Hathaway, maior detentora de participações na Kraft Foods, votou contra a emissão de 370 milhões de ações, inserida na proposta de aquisição da Cadbury.

Por aqui, a Cemig aumentou sua participação no capital da Light, enquanto a proposta de aquisição da Cimpor pela CSN foi rejeitada pelos acionistas da companhia portuguesa. Além disso, especulações ditam que a Braskem, do grupo Odebrecht, e a Petrobras já teriam chegado a um acordo sobre a formação da gigante petroquímica que irá incorporar os ativos da Quattor. A Braskem confirmou que os diálogos estão avançados, mas afirmou que as negociações ainda não foram concluídas.

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A Petrobras anunciou ainda participação como cotista de fundos de investimentos com o objetivo de estimular a participação de pequenos e médios fornecedores no desenvolvimento do setor de petróleo e gás, em particular na região do pré-sal.

Além disso, as principais montadoras divulgaram suas vendas no mercado norte-americano em dezembro – o principal destaque foi a Ford, que registrou forte aumento de 32,8% no total de veículos comercializados em comparação anual.

Por fim, a Cosan viu seus papéis sofrerem uma movimentação brusca depois da inclusão da empresa na lista de empresas que empregam trabalhadores em regime próximo à escravidão do Ministério do Trabalho. Nesta sexta-feira, depois do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que o ingresso da produtora de cana-de-açúcar nessa lista foi, na visão dele, um erro.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,73, o que representa uma desvalorização de 0,64% frente ao fechamento da semana passada.

O Banco Central, que interveio em todas as sessões, divulgou que o fluxo cambial acumulado em dezembro ficou positivo em US$ 1,986 bilhão. O saldo do fluxo financeiro manteve sua performance positiva, contabilizando superávit de US$ 3,120 bilhões. Na contrapartida, o saldo comercial registrou déficit de US$ 1,135 bilhão.

Somando esses resultados, o fluxo cambial acumulado em 2009 teve superávit de US$ 28,732 bilhões. O saldo comercial contribui de forma positiva com o resultado, em US$ 9,924 bilhões. Da mesma forma, o fluxo financeiro fica positivo em US$ 18,808 bilhões.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,31%, queda de 0,19 pontos percentuais em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,90% de seu valor de face, queda de 0,29% na semana.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 191 pontos-base, queda de 5 pontos na variação semanal.