Resumo Semanal

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Novamente pressionado pelo avanço dos preços no mercado interno, além da saída dos recursos estrangeiros da bolsa brasileira, o Ibovespa encerrou esta semana com queda acumulada de 2,59%, aos 64.417 pontos. Esta foi a segunda baixa semanal consecutiva do índice.

Após terem registrado a segunda maior alta do Ibovespa na semana passada (+6,59%), as ações da Cielo fecharam esta semana como principal destaque positivo dentre os papéis que compõem o índice, acumulando alta de 13,78%, cotadas a R$ 13,79. As ações das operadoras de cartões de crédito mais uma vez se destacaram por conta da divulgação de seus resultados trimestrais.

Por outro lado, as ações ON da OGX Petróleo encerraram mais uma semana com o pior desempenho do Ibovespa, acumulando perdas de 12,97% no entre os dias 2 e 6 de maio. As ações chegaram a ensaiar uma reação no pregão desta sexta-feira, avançando 1,03% e cotadas a R$ 14,70 – o que não foi capaz, contudo, de reverter a tendência que já dura algum tempo. A baixa também é amplificada pelo recuo das cotações de petróleo.

Petrobras e Vale
Entre as ações mais líquidas do Ibovespa, o desempenho negativo foi unânime. As ações ON e PN da Petrobras e os papéis ON e PNA da Vale registraram, respectivamente, quedas de 5,78%, 5,43%, 3,94% e 3,73% na semana. A mineradora reportou na véspera seus resultados referentes ao primeiro trimestre deste ano, que mostraram lucro recorde.

Em teleconferência com analistas, os diretores da mineradora afirmaram que o minério de ferro deve permanecer em patamares elevados por pelo menos cinco anos. Entretanto, afirmaram que, devido a atrasos em projetos, a Vale pode não conseguir cumprir seu plano de investimentos e metas de produção.

Inflação no Brasil
Durante a semana, a escalada dos preços no mercado nacional esteve novamente em foco. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, disse que pode-se esperar uma queda da inflação já neste mês. Ainda de acordo com o secretário, uma “onda” de acomodação da liquidez global, derivada da recuperação da economia dos EUA e alta dos juros na Europa, permitirá que o dólar volte a um patamar próximo de R$ 1,70 até o final do ano.

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Também sobre inflação, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, garantiu que o Governo está tomando as medidas necessárias para fazer com que a inflação convirja para o centro da meta, que é de 4,5%. Porém, isso só deve ocorrer em 2012. De acordo com o estudo feito pela Febraban, em 2011 o IPCA deverá ter alta de 6,3%, acima das expectativas anteriores.

Em meio ao novo ciclo de aperto monetário do Governo brasileiro para evitar uma subida descontrolada dos preços no País, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou na terça-feira que a política monetária nacional está “na medida certa”, e que a inflação deverá respeitar as metas do Governo.

Entre os índices de inflação divulgados na semana, mostraram avanço no ritmo de aumento dos preços o IPC-Fipe da última quadrissemana do mês passado, o IPC-S referente à semana passada e o INPC do último mês. Já o IPCA veio no sentido contrário, indicando desaceleração da inflação na passagem de março para abril.

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Dólar
Outro motivo de cautela para o Governo brasileiro, a desvalorização do dólar frente ao real, deu uma trégua na semana, já que a divisa norte-americana subiu 2,80% no período em relação à moeda nacional. Na quinta-feira, Tombini afirmou que a quarentena “não está no radar do BC” para controlar a queda do dólar. Segundo ele, não há como prever quando o dólar voltará a subir, já que isso depende da política monetária norte-americana.

Agenda Interna
Os cinco pregões desta semana também contaram com outras referências na agenda doméstica, entre elas o IPP – Indústria de Transformação – de março recuou ao marcar variação de 0,39%, resultado 0,21 ponto percentual inferior àquele registrado em fevereiro (0,60%).

Enquanto isso, o fluxo cambial acumulado em abril foi positivo em US$ 1,541 bilhão, com o fluxo comercial marcando superávit de US$ 3,310 bilhões e o fluxo financeiro, déficit de US$ 1,769 bilhão.

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Por sua vez, a produção industrial brasileira teve crescimento de 0,5% na passagem de fevereiro para março, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física, divulgada pelo IBGE nesta terça-feira.

Por fim, foi divulgado na quinta-feira que a diferença entre as aplicações de R$ 96,572 bilhões e saques de R$ 98,335 bilhões deixou a caderneta de poupança com um saldo deficitário de R$ 1,763 bilhão no mês passado. Este foi o pior resultado da aplicação, em termos de captação, desde abril de 2008, quando o deficit apurado ficou em R$ 1,848 bilhão.

Morte de Osama e a disparada do petróleo
No início da semana, outra notícia que mexeu com o humor dos mercados foi o anúncio, por parte do presidente dos EUA, Barack Obama, de que Osama Bin Laden foi morto durante uma operação conduzida por forças de segurança norte-americanas nas proximidades de Islamabad, no Paquistão.

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O episódio colocou o Oriente Médio ainda mais em foco, visto que a região já levantava cautela entre os investidores, que temem uma interrupção considerável da exportação de petróleo por parte dos países árabes, os quais enfrentam manifestações populares contra governos de ditadores.

E por falar em petróleo, ele também esteve em foco na semana. Na última quinta-feira, as cotações dos contratos futuros de petróleo despencaram mais de 8%, corrigindo parte da alta acumulada nos últimos meses em decorrência dos conflitos geopolíticos no mundo árabe. A forte queda também se deu por conta da alta do dólar frente ao euro, após o mercado rever suas expectativas para o juro na Zona do Euro.

Estados Unidos
Por outro lado, números do mercado de trabalho dos EUA animaram os investidores nesta sexta-feira. A economia norte-americana registrou a abertura de 244 mil postos de trabalho em abril, segundo o Relatório de Emprego. O resultado veio acima do esperado pelo mercado. Já a taxa de desemprego no país subiu para 9,0%, maior do que as expectativas.

Entre as outras referências na agenda dos EUA, o Consumer Credit revelou avanço ajustado sazonalmente de US$ 6,0 bilhões no montante de crédito concedido ao consumidor norte-americano na passagem entre fevereiro e março. Enquanto isso, o Initial Claims, indicador que mede a quantidade de pedidos de auxílio desemprego nos EUA, contrariou as expectativas e mostrou crescimento na última semana de abril.

Por outro lado, o Productivity & Costs, responsável por mensurar a produtividade da mão-de-obra da economia do país, com exceção do setor agropecuário, surpreendeu os analistas no primeiro trimestre deste ano.

Já o ADP Employment Report mostrou que o número de postos de trabalho no setor privado dos EUA ficou abaixo do projetado pelo mercado no mês passado. Somado a isso, o ISM Services, que mede o desempenho do setor de serviços na economia norte-americana, também mostrou um resultado fraco na passagem de março a abril.

Ainda por lá, o volume de pedidos da indústria, Factory Orders, revelou crescimento de 3,0% na passagem entre fevereiro e março, frente à estimativa de 1,8%. Também foram divulgados números sobre os gastos com a construção civil, que subiram 1,4% em março.

Política Monetária na Europa
Nesta semana, os mercados internacionais também sentiram pressão da decisão do BCE de não alterar a taxa básica de juro na Zona do Euro, atualmente em 1,25% ao ano.

Os investidores ansiavam por sinais sobre a atuação futura da autoridade monetária, visto que indicadores mais favoráveis da inflação na região têm provocado uma menor migração de liquidez. Entretanto, a entrevista coletiva do presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, não trouxe novidades.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,617, valorização de 2,80% na passagem semanal.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, que fechou a semana em queda, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, o qual apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,56%, queda de 0,12 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 135,69% de seu valor de face, alta de 0,28% na semana.

Já o indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 168 pontos-base, baixa de um ponto na variação semanal.