Resumo Semanal

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Pressionado pelo noticiário externo e pela cautela em relação à inflação doméstica, o Ibovespa encerrou esta semana com baixa acumulada de 1,01%, aos 62.596 pontos. Esta foi a quarta queda semanal consecutiva do índice. O avanço de importantes blue chips na semana não conseguiu evitar a baixa do benchmark.

Ainda na esteira de bons resultados, as ações PNA da Braskem encerraram a semana com a maior alta acumulada no Ibovespa. As ações subiram 5,75% no período, encerrando esta sexta-feira (20) cotadas a R$ 23,74. Com esta valorização, os papéis acumulam alta de 20,94% desde o início do ano.

A queda de 9,32% das ações Rossi na semana foi o suficiente para que a construtora alcançasse o posto de maior queda do Ibovespa no período. Além da pesada volatilidade vista pelo setor nos últimos dias, também repercutiu a parceria com a Norcon. É também válido lembrar que as ações da empresa haviam sido a quarta maior alta da semana anterior, com variação positiva de 6,57%.

Petrobras e Vale
Apesar da queda do Ibovespa, as ações com maior liquidez do índice fecharam em alta na semana. Enquanto os papéis ON e PN da Petrobras subiram 2,27% e 2%, respectivamente, as ações PNA e ON da Vale tiveram altas de 3,50% e de 2,29%, nessa ordem.

No caso das ações da estatal, elas repercutiram na semana diversas especulações acerca do plano de investimentos da companhia para este ano, que era aguardado para ser divulgado nesta sexta-feira, informação desmentida pela assessoria de imprensa da petrolífera nesta noite. Em teleconferência com analistas, Almir Barbassa, diretor financeiro da empresa, traçou perspectivas otimistas para o preço do petróleo brasileiro, e afirmou que é possível que haja redução dos investimentos.

Europa traz cautela
O mercado se manteve atento à Europa nesta semana, repercutindo a prisão e a renúncia do ex-presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que vinha sendo figura fundamental na resolução dos pacotes de auxílio econômico para os países mais atingidos pela crise fiscal na Zona do Euro, além de também ser cotado como um dos principais candidatos na disputa presidencial francesa, pelo Partido Socialista.

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Após a renúncia de Strauss-Kahn, vários nomes estão sendo cogitados para o processo de sucessão – muitos, inclusive, ligados as economias emergentes. Até agora, a grande favorita para o cargo é a ministra de Finanças francesa Christine Lagarde, tendo a seu favor o predomínio do continente no posto. A francesa ganhou o respeito dos mercados durante a crise financeira e foi eleita a melhor ministra de finanças da Zona do Euro pela Financial Times.

Ainda por lá, a possibilidade da Grécia fazer a reestruturação da sua dívida ganhou força e ministros de finanças da Zona do Euro declararam que podem pedir para credores da Grécia prolongarem o vencimento dos títulos. Vale destacar que os ministros da região acertaram nesta semana o pacote de auxílio de € 78 bilhões para Portugal.

Inflação no Brasil
Por aqui, a inflação seguiu em foco na semana. A começar pelas declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que afirmou que as medidas tomadas pelo governo para conter a inflação só surtirão efeito no final do segundo trimestre. Tombini também voltou a lembrar que o centro da meta do governo para a inflação, de 4,5% ao ano, deverá ser atingido em 2012.

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O relatório Focus do Banco Central mais uma vez indicou queda na mediana das projeções para o resultado anual do IPCA, embora tenha elevado sua projeção para o resultado mensal em maio do índice que serve como taxa de referência para o sistema de metas de inflação do Governo. Segundo os economistas ouvidos pelo BC, em maio o IPCA deverá apontar inflação de 0,46%, enquanto que para o resultado de 2011, a nova projeção indica inflação de 6,31%.

E por falar em IPCA, nesta sexta-feira foi divulgado o IPCA-15, que marcou queda no ritmo inflacionário com taxa de 0,70% no período entre 15 de abril a 15 de maio, 0,07 ponto percentual menor que a registrada no mês anterior.

Outros índices de preços foram divulgados na semana, com destaque para o IPC-S, que registrou mais um aumento da inflação na segunda semana de maio, o IGP-10, que registrou em maio uma taxa praticamente estável em relação ao mês anterior, o IPC-Fipe, que apontou queda do ritmo inflacionário na segunda quadrissemana de maio, e o IGP-M, que registrou aceleração da inflação na segunda prévia de maio.

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Indicadores Econômicos
Na agenda econômica do Brasil, o Caged mostrou criação de 272 mil novos empregos com carteira assinada em
abril. Já a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,460 bilhões nas duas primeiras semanas de maio.

Ainda na pauta doméstica, o Banco Central divulgou o resultado do IBC-Br, que apresentou expressiva alta de 10,54% na passagem de fevereiro para março, marcando 148,82 pontos, na série sem ajuste sazonal.

O BC revelou ainda que o fluxo cambial acumulado nas duas primeiras semanas de maio ficou positivo em US$ 8,809 bilhões, com o fluxo comercial marcando superavit de US$ 4,251 bilhões e o financeiro tendo um saldo positivo de US$ 4,559 bilhões.

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Referências dos EUA
Nos Estados Unidos, o indicador da atividade industrial na região de Nova York recuou em maio ao registrar 11,9 pontos positivos. O NY Empire State Index apontou queda sobre o valor apurado anteriormente (21,7 pontos, conforme os dados já revisados).

Já dados do setor imobiliário não agradaram: o Housing Starts apontou 523 mil imóveis em início de construção contra a previsão de 563 mil unidades. No mesmo sentido, o Building Permits, que denota o número de alvarás para construção, apontou 551 mil autorizações no último mês, abaixo das 590 mil previsões.

A indústria norte-americana também não animou, mostrando estabilidade em abril contra projeções de leve alta, e indicando capacidade utilizada abaixo do esperado.

Por outro lado, o Initial Claims apontou que o número de pedidos de auxílio desemprego caiu na passagem semanal e veio melhor que a estimativa. Outros indicadores, no entanto, ficaram abaixo do esperado, como o Existing Home Sales e o índice que mede o nível da atividade industrial na Filadélfia. Também desapontou os investidores o Leading Indicators de abril.

Ata do Fed
A ata do Fomc trouxe divergência entre membros da autoridade sobre quando os EUA deverão iniciar um ciclo de aperto monetário. Parte do colegiado do Fomc diz que uma alta no juro básico dos EUA deve vir antes do imaginado, enquanto outros demonstram que uma elevação precipitada na Fed Funds Rate poderia desnecessariamente estragar a recuperação da economia.

Entretanto, a discussão não significa que a estratégia de saída será executada tão cedo. Por ora, a taxa básica de juro norte-americana foi mantida em seu atual patamar, entre 0% e 0,25% ao ano – menor nível histórico. O Fed também não anunciou mudanças em seu programa de compra de títulos, o QE2, como foi apelidada a última rodada de flexibilização quantitativa do banco central norte-americano.

Embora vejam a inflação em níveis elevados como algo “transitório”, os membros do Fomc elevaram suas projeções para os preços nos EUA em 2011. Além disso, o Fed também promoveu mudanças em suas expectativas de crescimento da economia norte-americana entre 2011 e 2013. Para este ano, a projeção para o PIB dos EUA é de avanço entre 3,1% e 3,3%, queda em relação à estimativa anterior, de alta entre 3,4% e 3,9%.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,615, desvalorização de 1,10% na passagem semanal.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, o qual apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,54%, alta de 0,03 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,51% de seu valor de face, alta de 0,26% na semana.

Já o indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 160 pontos-base, baixa de 1 ponto na variação semanal.