Resumo Semanal

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Invertendo a tendência negativa das últimas quatro semanas, o Ibovespa fechou o período de 23 a 27 de maio com valorização acumulada de 2,71% – sua maior alta semanal desde a terceira semana de fevereiro (+3,52%) -, aos 64.294 pontos.

Corrigindo em partes a forte queda acumulada em 2011, as ações da ALL foram o principal destaque de alta do Ibovespa nesta semana. Os papéis fecharam esta sexta-feira (27) com forte alta acumulada de 9,41% no período, cotados a R$ 12,79 cada. Já as ações da Hypermarcas voltaram a se destacar negativamente na semana, registrando queda de 6,33%, a maior do Ibovespa no período, cotadas a R$ 15,23.

Petro e Vale
Entre as ações mais líquidas do Ibovespa, o desempenho foi unânime. Enquanto os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras somaram valorizações de 1,25% e 1,07%, respectivamente, as ações PNA e ON da Vale registraram ganhos de 2,74% e 3,28%, nesta ordem.

A estatal anunciou na noite de quarta-feira que pagará em 31 de maio juros sobre capital próprio, o qual já havia sido anunciado anteriormente, em 29 de abril. Com um valor bruto de R$ 0,20 por ação ordinária ou preferencial, o valor equivale ao pagamento de parcela antecipada de remuneração aos acionistas referentes ao exercício social deste ano.

Já no noticiário da mineradora, seu novo CEO, Murilo Ferreira, anunciou nesta sexta-feira seu foco no crescimento orgânico e na manutenção do atual planejamento estratégico, bem como do orçamento que pretende dobrar o tamanho da mineradora até 2015.

Europa
A crise da dívida soberana europeia voltou a chamar a atenção nesta semana, com desdobramentos na Espanha, onde o partido governista perdeu as eleições locais em meio a protestos contra medidas de ajuste fiscal. Já a Bélgica teve a perspectiva para seu rating rebaixada para negativa pela Fitch – mesmo movimento feito pela S&P para o rating italiano. Na Grécia, por sua vez, o foco ficou na adoção de novas medidas de austeridade para reduzir o déficit do país.

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Os investidores também repercutiram a candidatura de ministra de finanças da França, Christine Lagarde, para o cargo de diretor-geral do FMI, antes ocupado por Dominique Strauss-Kahn. Além disso, autoridades da Zona do Euro deram declarações afastando a possibilidade de uma reestruturação total da dívida da Grécia, defendendo apenas o prolongamento dos prazos dos títulos.

Rating do Brasil
Ajudando a impulsionar o índice na semana, a agência de classificação de risco S&P reafirmou os ratings para a dívida do Brasil denominada em moeda estrangeira em “BBB-“, mas elevou a perspectiva para a nota de estável para positiva.

“Perspectivas de sólido crescimento, baseadas tanto em fatores domésticos como externos, bem como melhora gradual nas posições fiscal e externa, podem melhorar o perfil de crédito do Brasil”, destacaram Sebastian Briozzo e Joydeep Mukherji, analistas da agência.

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Inflação Interna
Após pressionarem o Ibovespa nas últimas semanas, os índices de inflação divulgados entre os pregões de 23 a 27 de maio trouxeram alívio ao registrarem uma desaceleração no ritmo de crescimento dos preços no mercado interno. É o caso do IPC-Fipe, que apontou nova queda do ritmo inflacionário ao marcar taxa de 0,47% na terceira quadrissemana de maio.

Enquanto isso, o IPC-S quebrou a sequência de altas que vinha marcando e registrou queda da inflação na terceira semana de maio, com variação de 0,96%, taxa 0,13 ponto percentual menor que a registrada na semana anterior.

E por falar em inflação, a divulgação do relatório Focus do Banco Central novamente indicou queda na mediana das projeções para o acumulado do ano do IPCA, embora tenha marcado alta na projeção para o resultado mensal em maio do índice de preços. Segundo os economistas ouvidos pelo BC, o IPCA deverá apontar inflação de 0,48% em maio, enquanto para o resultado de 2011, a projeção da última semana indica inflação de 6,27%.

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Indicadores econômicos domésticos
A agenda doméstica na semana também foi marcada pela balança comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 2,746 bilhões nas três primeiras semanas de maio. Já a Nota de Mercado Aberto referente ao mês de abril de 2011 revelou que o estoque total da DPMFi aumentou em R$ 41,566 bilhões, ou 2,58%, na comparação com o mês anterior, indo para R$ 1,653 trilhão.

O Banco Central divulgou ainda o fluxo cambial acumulado nas três primeiras semanas de maio ficou positivo em US$ 8,267 bilhões. A autoridade monetária também revelou que o resultado global do balanço de pagamentos brasileiro em abril de 2011 foi superavitário em US$ 6,811 bilhões, enquanto, no mesmo período de 2010, a conta registrara um saldo positivo de US$ 3,493 bilhões.

Outra referência positiva da agenda foi o indicador Serasa Experian de Atividade Econômica, indicando que a economia brasileira cresceu 1,4% nos três primeiros meses deste ano, na comparação com o último trimestre do ano passado, já descontadas as influências sazonais.

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A produção industrial brasileira, por sua vez, voltou a registrar queda em abril, marcando 47,6 pontos, segundo dados da Sondagem Industrial, divulgada pela CNI. Enquanto isso, a confiança do consumidor apresentou recuo de 2,4% entre abril e maio deste ano, registrando 115,4, pontos, no menor nível desde janeiro do ano passado, quando estava em 112,6 pontos.

Fechando a agenda doméstica da semana, o IBGE divulgou o resultado de abril da PME. A taxa de desemprego do mês em questão foi de 6,4%, chamando a atenção por ser a menor taxa registrada para o período desde o início da série histórica (março de 2002).

O mercado repercutiu ainda a decisão do Governo de voltar a cobrar o IOF nas operações de renda fixa de curto prazo. No último mês de janeiro, a alíquota desse imposto havia sido zerada para os títulos privados, permanecendo a cobrança apenas para os títulos públicos.

Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o ingresso de IED ao final do ano no País será de US$ 65 bilhões, acima das projeções traçadas pelo Banco Central.

Mantega reconheceu que a alta das commodities no cenário internacional tem pressionado a inflação, mas ao contrário do que muitos economistas apontam como solução, o ministro é contra a livre flutuação do câmbio, pois acredita que a medida poderá pressionar ainda mais a indústria nacional.

Referências dos EUA
Nos Estados Unidos, a divulgação da segunda prévia do PIB mostrou avanço de 1,8% no primeiro trimestre de 2011, abaixo das expectativas do mercado, que projetavam uma expansão de 2% na atividade do país.

Entre os demais indicadores econômicos norte-americanos divulgados na semana, surpreenderam o mercado positivamente o número de casas novas vendidas nos EUA em abril e a confiança do consumidor norte-americano medida pela Universidade de Michigan em maio.

Por outro lado, as surpresas negativas da agenda ficaram por conta do Durable Good Orders, que mediu a número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria norte-americana em abril, assim como o Initial Claims, que mensurou o número de pedidos de auxílio-desemprego registrados no país na última semana.

Outro indicador que veio pior que o esperado foi o número de contratos de compra e venda de casas nos EUA em abril. O Personal Spending do quarto mês do ano também ficou abaixo das projeções. Por fim, o núcleo do índice de preços PCE, um dos indicadores mais observados pelo Banco Central norte-americano, registrou alta de 0,2% no mês de abril, ficando em linha com as expectativas do mercado.

China
Os investidores também repercutiram nesta semana números da China. Por lá, foram divulgados dados preliminares mostrando que o PMI do país, medido pelo HSBC, atingiu a pontuação mínima em dez meses em maio. Deste modo, a retração dos 51,8 pontos em abril para 51,1 pontos em maio sugere uma desaceleração da economia chinesa.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,601, desvalorização de 0,87% na passagem semanal.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, o qual apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,54%, alta de 0,03 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,00% de seu valor de face, forte queda de 1,83% na semana.

Já o indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 173 pontos-base, forte alta de 12 pontos na variação semanal.