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Em uma semana repleta de referências tanto na cena interna quanto no front externo, o Ibovespa encerrou esta sexta-feira (8) com baixa acumulada de 0,79%, aos 68.718 pontos. Enquanto lá fora os mercados seguem atentos aos novos capítulos da crise fiscal na Europa, por aqui são as medidas do governo para tentar frear a inflação e a valorização do real que ganham foco.
Apesar da baixa do Ibovespa, as ações ordinárias da MMX lideraram os ganhos do índice nesta semana, com alta de 9,62% no período. Grande parte dessa valorização foi conquistada na sessão desta sexta-feira, quando as ações avançaram 5,04%, encerrando em R$ 11,05. A valorização foi impulsionada pela alta dos preços do minério de ferro no mercado internacional, alcançando as máximas vistas em 2008.
Por outro lado, as ações da sucroalcooleira Cosan terminaram a semana como destaque de queda do Ibovespa, com baixa de 8,67%. As ações refletiram o noticiário referente à transferência do controle e da fiscalização do etanol para a ANP e a elevação de impostos sobre o açúcar, além de rumores sobre a taxação das exportações do produto.
Petrobras e Vale
Entre as ações mais líquidas do Ibovespa, o desempenho não foi unânime. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras apresentaram quedas de 4,90% e 2,54% nesta semana. Já os papéis PNA e ON da Vale fecharam o período em sentidos opostos. Enquanto o primeiro subiu 0,64%, o segundo ficou praticamente estável, com ligeira queda de 0,02%.
Cabe destacar que nesta semana a mineradora foi um dos destaques do noticiário corporativo nacional, com o anúncio de que os acionistas controladores da Valepar indicaram Murilo Pinto de Oliveira Ferreira para assumir o posto de Diretor Presidente da Vale a partir de 22 de maio de 2011.
A mudança ocorrerá após o término do mandato do atual Diretor Presidente, Roger Agnelli, cuja saída foi confirmada na última sexta-feira, mas já era alvo de especulações intensas nos últimos meses. A indicação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho de Administração da Vale.
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Portugal cede à pressão e pede ajuda financeira
O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, anunciou na quarta-feira que o país decidiu entrar com um pedido de ajuda financeira à União Europeia. Com isso, Portugal será o terceiro país da Zona do Euro a pedir socorro, unindo-se a Irlanda e Grécia. Analistas estimam que Portugal precisará de cerca de € 80 bilhões.
O FMI confirmou que recebeu um pedido oficial de ajuda financeira por parte do governo português e que agora irá conversar com as autoridades europeias para estruturar o tamanho do pacote de resgate ao país.
O país também esteve em foco após anunciar uma nova emissão de títulos de dívida portugueses, com expressivo aumento do juro cobrado pelos investidores. Na terça-feira, Portugal ainda teve seu rating rebaixado em três níveis mais uma vez, agora pela Moody’s, de A3 para Baa1.
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Ainda na Europa, também pressionou as bolsas a elevação dos juros na Zona do Euro pelo BCE. Embora amplamente esperada, a decisão da autoridade monetária do Velho Continente deixou no mercado a percepção de que outras economias centrais, como os EUA, também estão prestes a dar início a um ciclo de aperto monetário com objetivo de combater a alta dos preços.
Novo terremoto no Japão e alta dos juros na China
Os mercados voltaram a ser influenciados pelo Japão, onde ocorreu um novo terremoto na manhã de quinta-feira. O abalo foi de 7,1 graus na escala Richter – magnitude abaixo dos 8,9 graus registrados no terremoto em 11 de março.
Também no continente asiático, a China foi outro país a chamar atenção nesta semana. Na última terça-feira, as autoridades chinesas elevaram o juro básico no país, como mais uma medida de contenção da pressão inflacionária.
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Imposto sobre Operações Financeiras
Na cena brasileira, a semana foi marcada por novas medidas do governo na tentativa de frear a inflação e o real. Logo no início da semana, rumores de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estaria considerando uma nova rodada de medidas para conter a alta do real frente ao dólar já antecipavam o que estava por vir.
No final da tarde de quarta-feira, Mantega anunciou uma nova medida de controle no mercado cambial: houve a extensão do prazo de vencimento das captações de empréstimos no exterior sujeitas à tributação por IOF de 6% para 720 dias. No dia seguinte, o dólar comercial ignorou o anúncio de Mantega e terminou a quinta-feira em seu menor patamar desde 6 de agosto de 2008.
O cenário ficou ainda mais preocupante quando o IBGE informou o resultado acima do esperado do IPCA de março, na última quinta-feira. O aumento dos preços acima das expectativas no último mês pesou para que Mantega agisse novamente, comunicando o aumento do IOF em operações de crédito destinadas a pessoas físicas. A alíquota passou de 1,5% para 3%.
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Vale ressaltar ainda que, no início da semana, o CMN anunciou a exigência de câmbio simultâneo para operações de renovações, repactuação e assunção de empréstimos externos.
Outras Referências Internas
No plano interno, além do IPCA, o mercado também tomou conhecimento nesta semana da medição de março do IGP-DI. O indicador mais uma vez apontou queda do ritmo da inflacionário ao marcar taxa de 0,61% em março. No sentido oposto, o INPC apontou uma maior alta nos preços, com inflação de 0,66% no mês passado.
O relatório Focus do Banco Central desta semana mostrou que a expectativa para o IPCA aumentou tanto na visão mensal como na anual. Já as previsões para a taxa Selic foram mantidas.
Também na pauta, o IBGE revelou que a produção da indústria nacional cresceu em nove das 14 regiões pesquisadas na passagem de janeiro para fevereiro. Além disso, o Banco Central divulgou que o fluxo cambial acumulado em março ficou positivo em US$ 12,660 bilhões.
Fitch eleva rating do Brasil
Os investidores também repercutiram nesta semana o aumento do rating brasileiro pela Fitch. A agência de classificação de risco aumentou a nota soberana do País para ‘BBB’ em moeda local e estrangeira, com perspectiva estável, prevendo uma situação fiscal confortável no médio prazo e para a posição líquida externa, que amplia a capacidade do Brasil de absorver choques externos.
Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a elevação evidencia “o reconhecimento de que economia brasileira está cada vez mais sólida e não apresenta riscos, sendo bem avaliada inclusive pelas agências de rating”.
Nesta sexta-feira, Mantega voltou a discursar em público. Desta vez, o ministro disse que o governo seguirá tomando medidas no câmbio para evitar maiores problemas, mas voltou a admitir que a atual situação do País, com excesso de capital, é melhor do que a escassez.
Orçamento do governo dos EUA e ata do Fed
Nos EUA, cresceram as preocupações quanto a indefinição do orçamento de 2011 do país. Nesta tarde, republicanos e democratas fecharam o valor do corte de US$ 38 bilhões nos gastos do governo para este ano, mas ainda restam pendências no acordo do orçamento. O impasse desta vez, segundo o líder da maioria no senado dos EUA, o democrata Harry Reid, é que os republicanos querem eliminar o financiamento federal para a saúde da mulher, ao contrário do que quer a base governista.
Também no noticiário norte-americano chamou atenção nesta semana a divulgação da ata da última reunião do Fomc. O documento apontou que a recuperação da economia dos Estados Unidos segue melhorando em ritmo “moderado”, com uma evolução gradual nas condições do mercado de trabalho. A ata mostrou ainda certa discordância entre os membros da autoridade monetária norte-americana sobre as políticas de estímulo à economia – enquanto alguns acreditam que a estratégia de saída deve começar a ser executada ainda este ano, outros membros afirmam que as medidas de incentivo devem continuar e se estender “para depois de 2011”.
Indicadores norte-americanos
Na agenda norte-americana, mostraram dados melhores que o esperado o montante de crédito concedido ao consumidor na passagem entre janeiro e fevereiro, assim como o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados no país na última semana.
Já o nível dos estoques no atacado norte-americano, que avançou 1,0% no mês de fevereiro, veio em linha com o esperado. Por sua vez, o setor de serviços nos EUA marcou desempenho abaixo do esperado pelo mercado no mês de março.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,574 – seu menor patamar desde 5 de agosto de 2008 -, queda de 2,36% na variação semanal.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, que fechou a semana em alta, o contrato com vencimento em janeiro de 2012, o qual apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,24%, alta de 0,09 ponto percentual em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,55% de seu valor de face, alta de 0,31% na semana.
Já o indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 162 pontos-base, queda de seis pontos na variação semanal.
Confira os eventos previstos para a próxima semana
Dentro da agenda para a segunda semana de abril, destaque para a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve, aos dados do orçamento norte-americano, além dos índices de inflação de março.
No front doméstico, os olhares se voltam para a pesquisa do comércio de fevereiro e para o IGP – 10 de abril, além do vencimento dos contratos futuros de Ibovespa.